

Akira é um mangá de ficção científica feito por Katsuhiro Otomo. Publicado em meados de 1982, é considerado hoje um dos grandes "clássicos" do mangá, mas este poderia ter sido melhor.
Críticas sociais e políticas dentro da obra.
As críticas políticas e sociais dentro da obra encontra-se no modo de como o governo japonês cuidava da sua sociedade na época de lançamento do mangá. A obra retrata em grande parte os jovens que se envolviam com drogas e gangues de motocicleta.
É mostrado que esses jovens eram tratados de modo indiferente, violento, e arrogante pelos seus educadores. Não fica claro se o autor realmente criticou o modo desses jovens eram tratados, acho que ele deixou isso em aberto, ficando o leitor responsável por interpretar como uma crítica ou não.
Em outro ponto, Otomo crítica os governantes japoneses, os quais faziam gastos exorbitantes em projetos enormes aos invés de investirem em projetos sociais, e olharem mais para as pessoas mais pobres. E citado também que o governador (creio ser o da província de Otomo) é só um idiota que foge das responsabilidades.
Há também critica a militares que usavam do exército para alcançarem seus objetivos egoístas.
A mensagem nacionalista.
Otomo critica o que fizeram com o país durante o pós-guerra e também critica os antigos governantes e os culpa pelo ataque atômico em Nagasaki e Hiroshima.
Nos capítulos finais da obra o teor nacionalista e o apelo, ao que parece, pela volta do antigo império japonês cresce bastante, parece existir uma confiança e esperança nos jovens de que eles trariam de volta a honra e gloria do país.
Também temos uma mensagem anti-russia e Estados Unidos, também há uma mensagem contra a intervenção de qualquer país no Japão. Parece-me que "AKIRA" no final é um símbolo de poder, juventude e esperança a nação japonesa que se formava naqueles tempos.
A mensagem final da obra.
Aqui já fica um pouco complicado de falar, Otomo já no final de sua obra usa da metafísica para chegarmos a um debate sobre a Criação, não só do ser, mas do universo inteiro.
Antes do fim da obra já nós é falado sobre uma corrente, ou força cósmica que rege todo o universo. No final da obra, é dito que essa força cósmica procurou desde sempre a máxima perfeição em toda a Criação, e que ela está presente todo universo. Nesse sentido Otomo se aproxima um pouco da ideia do Deus cristão.
Ainda no fim da obra, é questionado se a evolução é meramente uma adaptação ambiental e não algo maior do que isso - essa discussão inicia o debate sobre a Criação.
E ainda sobra ainda uma reflexão de que o ser humano sempre poderá evoluir o quanto quiser, mas que ele sempre atrapalha isso "colocando adubo", ou seja, sempre tentando acelerar o processo evolutivo, e assim o prejudicando.
Os erros e acertos da obra.
Akira só tem um ponto positivo: sua história frenética. O resto é mal feito, ou esquecido pelo autor.
Os personagens não tem background, não um único desenvolvimento de personagens. Todas as personagens são rasas, exceto Kei e Tetsuo um pouco. Nem mesmo "AKIRA" que é o pilar principal da obra tem algum destaque.
Otomo simplesmente se esquece de um personagem que deveria ter tido destaque na obra desde o início pois ela carregava uma informação muito importante, há outros problemas que poderiam ser facilmente evitados, não vou me aprofundar neles, é muita coisa errada na obra.
Conclusão.
Enfim, erros e erros, mas a história frenética salva a obra, ela é tão frenética que você deixa passar os detalhes e nem nota nos erros da obra.
Recomendo a leitura, é uma boa obra. Mas, este é bem pobre em vários requisitos, e poderia ser muito melhor do que é.
NOTA FINAL: 7.0
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