

Essa review é meio grande, mas foi meio necessário, tome o tempo que quiser.
Uma música pra você ouvir (se quiser claro) enquanto lê ao mesmo tempo, pra não ficar tão massante


A minha relação com o anime de 1995 é de extremo amor e afeto, pois eu assisti em um período na minha vida que era meio perturbado, talvez a minha saúde mental tenha melhorado desde do dia em que vi pela primeira vez.
Esse anime foi a primeira fonte de entretenimento em que eu consegui me identificar, inclusive com o próprio protagonista, por isso eu sempre odiei (e ainda odeio) o Shinji Ikari. Eu consigo me ver nele, e eu não acho isso algo bom.
Porém o meu ódio pelo protagonista da obra, não quer dizer que ele seja mal escrito, pelo contrário, é um personagem complexo e cheio de camadas, e é perceptivel o cuidado em que Hideaki Anno teve em escrever os seus personagens principalmente o Shinji.
E um dos principais trunfos da direção de Anno em Neon Genesis Evangelion é a sua capacidade de mudar completamente a história apenas para conseguir vender a atração para os "turistas".
No começo é de se esperar que o espectador vá assistir esse anime com a expectativa de ser um anime de Mecha, no mesmo estilo de Gundam ou Circulo de fogo (puxando mais para o ocidente).
Porém Anno, pega essa expectativa e muda completamente o turno da história, e o espectador apenas percebe que Evangelion não é um anime normal de Mecha, e sim um anime sobre a humanidade e seus sentimentos.

O azul para as cenas hospitalares:



Outro detalhe que eu acho interessante no anime, são os diálogos, personagens raramente estão nos mesmos quadros de câmera quando estão falando um com o outro.

E essas técnicas que o anime utiliza só vai se intensificando ao decorrer do anime, pois os personagens e suas relações vão se desgastando.
Porém, nem tudo são flores, Evangelion tem os seus defeitos, um deles são os personagens serem extremamente complexo, porém quase nenhum tem uma conclusão de arco propriamente dito, o único personagem que tem uma conclusão por si só é Shinji, porém fora ele, você sente falta de saber o que aconteceu com o restante.
Outro defeito de Evangelion é o seu extremo pessimismo, principalmente em The End Of Evangelion, o filme acaba em um tom pessimista, que por si só acaba sendo vaga e a mensagem que o diretor queria passar, sai em vão, pois tudo bem, entendemos que o escapismo é ruim e afins, mas é um pouco perigoso o filme focar tanto nessa ideia de escapismo ser ruim e acabar sacrificando a própria mensagem.


A partir do 2° filme, que a história realmente começa a divergir do anime original, indo para outros caminhos, e introduzindo até mesmo personagens novos.
A animação sofre uma evolução, e fica ainda mais bonito, assim como a trilha sonora ainda é espetacular.
Alguns detalhes da história são diferentes, mas até o 2° ato do filme chega no mesmo lugar do anime original ainda, porém o 3° ato pra frente é algo completamente novo e inédito.
E o desfecho do filme passa uma mensagem de esperança e perseverança.
Assim como é notável a evolução que o personagem de Shinji tem, ele realmente faz algo por vontade própria
Para mim, o 3° filme dos rebuild foram os mais fracos, dava pra se ter resolvido o conflito do filme em um dialogo de 10 minutos, se os personagens simplesmente tivessem sentados e conversados sobre o que aconteceu, o filme teria tido menos de 1 hora de duração, eu não consegui engolir isso o filme inteiro, assim como usa o clichê do mocinho se juntar ao vilão sem ele saber que é o vilão, e o filme em seu ato final repete o acontecimento do 2° filme, é praticamente em vão tudo isso.
Kaworu diferentemente do anime original é mais bem trabalhado, dessa vez as suas interações com o Shinji são realmente românticas , assim como eu achei interessante a forma em que Misato foi trabalhada dessa vez, e mesmo com uma aparência fria e maltratada, no fundo ela ainda é uma pessoa de coração mole e que perdoa Shinji.
Assim como a Asuka dessa vez realmente tem uma razão para tratar mal o Shinji
O cenário desse filme é extremamente criativo e bonito, mesmo com um vermelho sangue, ainda consegue transmitir a sua beleza e seu tom apocaliptico.
E reforça ainda mais o ritmo claustrofóbico e desesperador que esse filme tem.
Na minha opinião esse filme podia ter sido melhor, eu senti ele um pouco apressado, jogaram muita coisa pra explicar em pouco tempo. É confuso, mas não é aquele confuso bom, é aquele confuso que chega a dar dor de cabeça, e eu sei que é proposital, pois afinal, é Evangelion. Mas no original mesmo sendo confuso, se você prestar atenção tu vai entender bem, já nesse 3° filme, pelo menos pra mim não foi assim


Finalmente, vou escrever agora a review sobre o filme final, que era o intuito desse textão todo.
A animação desse filme está em seu ápice, porém em alguns momentos de luta em que tem CGI, ela agride um pouco aos olhos, não é feio, mas também não é bonito.
Assim como o filme quebra a sua expectativa, pois o final do filme anterior daria a entender que o filme já começaria em um clima caótico e desesperador, porém é o contrário, o filme tira 1 hora e meia do seu tempo apenas para desenvolver os personagens e o mundo
Hideaki Anno percebendo que o final de The End of Evangelion era meio problemático, ele decidiu então fechar de vez essa história de uma vez por todas.
Mas o diferencial é a esperança.
Pois a esperança traz mais significados ao melhor anime da História
O final de The End of Evangelion era meio em vão já que era completamente pessimista e acabava em um tom incompleto, e isso não é algo ruim, é o propósito do filme, porém dessa vez, Anno cresceu como pessoa e diretor e conseguiu fazer um final digno para o fim de toda essa saga.
As coisas ruins existem para nos conduzir pelo caminho do amadurecimento.
Pois a mensagem do filme é sobre ciclos, os ciclos existem, tantos os bons e tantos os ruins, mas nós que decidimos seguir em frente e aceitarmos as nossas dores, as feridas mais profundas, com o tempo e amor podem ser curadas.
É interessante também dessa vez o filme focar uma parte do seu tempo apenas para focar nos sentimentos de Gendo Ikari, coisa que até então no anime original não tinha.
E como apesar de tudo, ele não é muito diferente de seu filho, e apesar de os dois quase serem as mesmas pessoas, ambos tomaram rumos completamente diferentes, pois nós não somos o que os nossos pais foram, nós somos nós mesmos.
E que apesar de a vida ser dura e cruel, viver vale a pena, e aproveitar o agora, ainda mais com as pessoas que temos do nosso lado, pois esses momentos que são preciosos.
E a evolução e amadurecimento de Shinji engrandece ainda mais a obra.
Hideaki Anno conseguiu fazer um filme que apesar de reescrever completamente a história, não ignora completamente The end of Evangelion, pelo o contrário, ambos os filmes se complementam.
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Obrigado, meu pai. Adeus, minha mãe. E à todas as crianças do mundo, parabéns.
Adeus, todos os Evangelions.

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