A evolução que Megalo Box tem em sua segunda temporada é surpreendente, o que nasceu de uma homenagem a um dos mangás mais bem sucedidos da história finalmente toma forma e ganha seu espaço em uma das grandes obras de esporte e drama dos últimos anos. Eu particularmente não tive nenhum descontento com a primeira temporada, para mim, era uma narrativa simples, um garoto que saiu dos subúrbios em busca de encontrar seu espaço no mundo, um “Rocky Balboa I Wanna Be” para ser mais específico, e apesar da decepção que os fãs do aclamado Ashita no Joe tiveram, eu por não ter nenhum contato com o original pude aproveitá-lo completamente livre de referências ou comparações, e devo dizer que me tornei um fã à primeira vista.
Aqui temos um homem que perdeu tudo que um dia teve, onde seu único destino era a morte inevitável, mas através de pessoas que o fizeram encarar a si mesmo, ele busca seu lugar ao sol, claro que, isso parece mais uma história que veríamos em qualquer série, mas a forma que Nomad o faz é o que torna o anime sensível e tocante, cada arco, e cada personagem em algum momento tem a acrescentar a obra, como se todos fossem instrumentos presentes em uma canção. E por falar em canção, El Canto Del Colibrí (tema principal do anime) é a prévia do que teremos ao assistir seus 13 episódios, não atoa o espanhol está tão presente em Megalo Box 2, o anime consegue entregar temas sensíveis que envolvem a realidade latína sem tendenciosidade ou gritar aos cantos o que justo ou injusto.
Nomad faz algo que pouco vemos nas temporadas anuais de animes, uma história objetiva e sem pretextos além do qual ele já está comprometido desde o seu início, e por mais que a carga dramática seja maior que seu antecessor, a conexão é tão coesa que eu creio que até mesmo aqueles que não gostaram do primeiro arco terão aqui bons episódios que irão ao menos entretê-los.
Fui tocado por este anime de uma forma particular, então vou me abster de comentários detalhados a respeito das áreas mais técnicas da série, mas deixo claro que tanto em aspectos artísticos, direção e trilha sonora continuam tão bons quanto a primeira temporada, aliás deixo minhas palmas ao estúdio por continuarem firmes ao seu aspecto antigo, que enquanto para muitos soará como ultrapassado e cafona, para quem tem bons olhos entenderá a importância de obras que não se rendem aos designs genéricos que tivemos ao longo da última década, com um visual único para os dias atuais a série acaba marcando, seja para os que sentem nostalgia ou admiração ao assisti-la, ou desconforto aos que saíram da bolha.
Nomad será uma obra que guardarei no meu coração, definitivamente a recomendo, afinal essa é uma das que eu considero como real lição para vida, já que todos os anos tempos os famigerados Battle Shounen que usam do ultrapassado e clichê “Nunca Desista” é bom termos um que diga, “Não importa quais sejam as vitórias ou fracassos, você tem um lar para o qual retornar.”
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