___Português_:__
Como em Koe no Katashi, o trabalho da diretora Naoko Yamada parte de ir desenvolvendo os seus personagens e conciliando seus problemas com o andar dos acontecimentos na história. Eu não gosto do filme já mencionado, pois me parece apenas se aproveitar desses temas e problemas para estabelecer uma aproximação dramática e forçada sobre os personagens, o que eu acho que acontece de forma mais eficiente em Heike Monogatari, já que esses problemas, além de mais contidos, se desenvolvem e crescem junto com o decorrer da trama de modo mais sutil. Mas que fique claro, ainda que eu ache melhor, continua não sendo grande coisa.
Toda a relação do anime com a vida, o passar dos anos e a morte desses personagens tem um significado poético que se concretiza no episódio final. O tempo que a Biwa passa com cada um dos personagens que ela vai convivendo a sua volta - esse lado humano que ela vai compreendendo - vai criando um tipo de laço sentimental. Apesar da Biwa também ter nos primeiros minutos do anime um acontecimento dramático, ela me parece servir mais como um tipo de "espectador" dos eventos e dramas vividos pelo restante dos personagens. Ela pode fazer parte da vida dos personagens, mas a presença dela ali não mudaria o rumo e o destino de ninguém. Ela acompanha (e como a própria deixa claro), mas não pode mudar o futuro deles.
Aqueles episódios em que a personagem da Biwa viaja para ir de encontro com a sua mãe (mesmo agregando e tendo um sentido final para a mensagem do anime) me parecem só encheção de linguiça. Talvez, à jornada dela fora do ciclo familiar e do clã Heike, mesmo que possa fazer parte do conto original, me soa meio desnecessário.
Eu gostei de algumas escolhas mais sutis, principalmente em momentos aparentemente simples: na parte gestual dos personagens, no olhar ou na contemplação de algumas paisagens (os cenários não parecem ser apenas um exibicionismo puro), e também na construção fantasiosa dentro da história. Os momentos mais imagéticos do anime tem um fator sensorial que encanta gradativamente. Essa relação mais contida, no final das contas impacta mais no episódio final do que o modo como é usada a parte musical. Isso infelizmente volta a me lembrar Koe no Katashi, com esse tentativa meio genérica de usar a música em momentos calculados (como artificio dramático barato) para mais tarde usar de novo e tentar comover o espectador.
English:
As in Koe no Katashi, the work of director Naoko Yamada starts from developing her characters and reconciling her problems with the course of events in the story. I don't like the movie already mentioned, because it seems to me that it just takes advantage of these themes and problems to establish a dramatic and forced approach to the characters, which I think happens more efficiently in Heike Monogatari, since these problems, in addition to more contained, they develop and grow along with the course of the plot in a more subtle way. But let's be clear, even though I think it's better, it's still not a big deal.
The anime's entire relationship with the life, the passing of the years and the death of these characters has a poetic meaning that is materialized in the final episode. The time Biwa spends with each of the characters that she lives with around her-this human side that she starts to understand-creates a kind of sentimental bond. Although Biwa also has a dramatic event in the first few minutes of the anime, she seems to me to serve more as a kind of "spectator" of the events and dramas experienced by the rest of the characters. She may be part of the characters' lives, but her presence there wouldn't change anyone's course and destiny. She accompanies (and as she makes clear) but cannot change their future.
Those episodes in which Biwa's character travels to meet her mother (even adding and having a final meaning to the anime's message) seem to me just sausage stuffing. Perhaps, her journey outside the family cycle and the Heike clan, even though it may be part of the original tale, seems a little unnecessary to me.
I liked some more subtle choices, especially in seemingly simple moments: in the gestural part of the characters, in the look or contemplation of some landscapes (the scenarios don't seem to be just a pure exhibitionism), and also in the fanciful construction within the story. The most imagistic moments of the anime have a sensorial factor that gradually enchants. This more contained relationship, in the end, impacts more on the final episode than the way the musical part is used. This unfortunately reminds me of Koe no Katashi again, with this rather generic attempt to use the music at calculated moments (as cheap dramatic artifice) to later use it again and try to move the viewer.
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