Hiroshi Hirata é simplesmente um gênio dos mangás e é completamente absurdo como ele permaneceu desconhecido no Brasil até a criação da editora Pipoca & Nanquim, onde seu primeiro mangá lançado foi justamente a obra Kubidai Hikiukenin.
O mangá gira em torno das promissórias de vida, que eram acordos feitos no capo de batalha pelos guerreiros que ali estavam. Quando um deles estava prestes a ter sua cabeça arrancada pelos seus inimigos, ele imediatamente propunha fazer uma promissória, onde o potencial assassino definiria um valor pela sua cabeça. Após isso, uma carta era escrita e selada com a palma da mão coberta por sangue no papel, evitando assim que houvessem falsificações, porém, com o tempo, essa prática se tornou abusiva e aqueles que aceitavam as promissórias, começaram a exigir valores completamente fora da realidade, o que por sua vez, fez com que os pagantes não conseguissem juntar dinheiro e assim fugissem, matassem seus caçadores ou simplesmente recorressem a diversas táticas para não pagarem. Com isso, surgiram os Kubidai Hikiukenins, que são homens contratados para irem atrás dos devedores em nome daquele possuía a carta promissória. E é com isso que a história começa
Acompanhamos um desses cobradores de dívidas em diversas histórias únicas e isoladas, que não possuem ligação direta, a não ser do personagem principal, que é protagonista em todas elas. Traduzido com O Preço da Desonra no Brasil, o mangá trata justamente de diversas situações terríveis de devedores que simplesmente se recusavam a pagar suas promissórias e o desenrolar desse ato gerou inúmeras ocorrências.
A obra é de leitura simples e traz várias reflexões a respeito de honra, valores, guerra, bom e mal e a humanidade em si e, o fato das histórias não possuírem ligação torna tudo bem mais reflexivo a cada capítulo. O período histórico é extremamente bem retratado, o que já é algo comum de se ver nas obras de Hirata. O mangá não é simplesmente perfeito pelo traço do autor, que muitas vezes pode confundir leitores menos acostumados com esse estilo. Por ser uma obra antiga, é completamente entendível o estilo de quadrinhos seguido e até mesmo o traço de Hirata, que é feito com pincel como verdadeiras obras de arte, porém, muitas vezes, por seguir muito a realidade, fica difícil até distinguir qual personagem é qual na obra, uma vez que as roupas, cortes e cabelo e rostos são extremamente similares, o que causa essa confusão no leitor.
Nada disso estraga a obra, são apenas pequenos detalhes, e eu diria que essa é uma obra simplesmente obrigatória para todo e qualquer fã do contexto histórico do Japão, samurais e toda essa cultura que permeia esse estilo.
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