Onani Master Kurosawa é uma história de fato tocante, digo, uma história boa pra porr@, o que eu quero dizer é que é uma história do c@aralho!
Tá bom, tá bom, chega, é só mais forte que eu.
A verdade é que sim, esse mangá sobre um garoto que se masturba diariamente no banheiro feminino da escola é de fato um mangá muito bom, por mais maluco que isso possa parecer.
Vamos começar pelo fato de que isso tem uma enxurrada de referências a Death Note, indo desde quadros que são exatamente os do mangá, até o próprio protagonista. O Kurosawa é basicamente o Light, se a história fosse um pouco mais autoconsciente de como seus personagens realmente são. (não é um problema de Death Note, na verdade, o Light ser exatamente como ele é, é muito da graça do mangá/ anime). A questão é que o protagonista aqui, é o exemplo perfeito do leitor de DN que quer agir exatamente como o Kira age. O herói desse mangá é um típico garoto arrogante, que se acha melhor que todo mundo e tem sua visão deturpada de justiça, quando na verdade ele é só um cara sem relação nenhuma, que se masturba no banheiro feminino.
Contudo, eu tenho quer dizer que das tentativas de esfregar na cara das pessoas o tipo de “pessoa” que esses personagens seriam se existissem na vida real, Onani master faz um trabalho bem mais eficiente do que o death note da netflix, pois aqui, não encontramos somente a crítica, mas também muito da empatia direcionada ao tipo de pessoa que nosso protagonista é. Então, chega de comparações, e vamos ao mangá de fato!
Já explicada a premissa da história, ela começa de fato a andar quando nosso herói observa os constantes abusos que sua colega de classe sofre ao longo das aulas. Em certo dia, esse abuso alcança o ponto crítico quando toda a sala de aula se junta às gargalhadas de uma das humilhações.
Aqui o mangá já comenta um pouco sobre como funciona o bullying em sala de aula, normalmente nem todos na sala são os valentões, mas é comum que toda a sala se junte para rir quando alguém é alvo de um deles. Não necessariamente sendo bullys, mas definitivamente ajudando a perpetuar as ações destes.
Enfim, revoltado com essa situação, Kurosawa decide punir as valentonas fazendo suas atividades diárias em cima de seus uniformes escolares. Ele até mesmo elabora um plano ao melhor estilo Light (só que bem mais simples, ele é só um estudante e não a porra do moleque mais inteligente do japão), e isso de fato choca as garotas que faziam bully ao ponto delas passarem a pegar mais leve com a garota, ou até mesmo a pararem com o bully.
O problema em si começa justamente porque essa garota que ele decidiu ajudar descobre que foi ele, então, por detrás da porta do banheiro onde ele sempre se masturba, ela o chantageia, para que ele continuasse a direcionar sua vingança gozada para os alvos que ela determinasse.
Kitahara Aya, nossa chantagista, tinha um “senso de justiça” ainda mais deturpado do que o do nosso protagonista. Por diversas vezes ela apontou os alvos de sua vingança, e por mais que em alguns deles nós realmente poderíamos entender o porquê de tanta raiva e ressentimento, em outras tudo era fruto da mais pura inveja, ou a falta de habilidade de lidar com as coisas sozinhas. Usando o colega de classe, ela poderia exercer uma vingança que por si só não conseguiria, e ainda evitar situações onde os outros passassem a odiá-la. Afinal, "medo do ódio alheio” é a chave desse mangá. Os dois personagens chave da história, às suas maneiras, mesmo que não admitindo tinham medo de serem desgostados por outros, e a maneira mais segura de se fazer isso, era absolutamente não criando laços com ninguém.
O que seria um plano muito bem sucedido, se não fossem por mais dois personagens chaves para a história, esses que são o completo oposto de Kitahara e Kurosawa. Nagaoka e Takigawa são duas pessoas que estão sempre tentando criar laços com os outros ao seu redor, e isso inclui até mesmo nossos protagonistas.
E é justamente a relação com todas essas pessoas (e sim, por mais estranho que pareça até mesmo com sua chantagista), que nós vemos o herói da história crescer como uma pessoa. Ele passa a reconhecer suas falhas e seus medos, começa a aceitar laços, e buscar verdadeiras amizades.
Como o próprio Kurosawa diz, ele sai daquela apertada cabine de banheiro e vai conhecer o mundo (e se masturbar no quarto dele, o que é bem mais normal, vamos concordar), até mesmo ajuda a sua chantagista a fazer o mesmo. É até comum no mangá que os dois se comunicassem através de uma porta, mas mesmo essa que separava os dois é aberta.
ENFIM, o mangá é muito bom, e se você leu esse textão aqui, provavelmente já leu, mas caso não tenha lido, LEIA ONANI MASTER KUROSAWA! Por mais esquisita que seja a premissa (vai por mim, tem premissa mais esquisita saindo do japão), é uma história realmente muito boa e tocante (desculpa).
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