

Sinceramente, Hyouka é um anime muito subestimado, talvez por compararem com slices of lifes atuais, cheio das coadjuvantes peitudas e ecchi e todo o resto de fantasia, as pessoas deixem de aproveitar o que há de mais belo nesta história: a juventude.
Hyouka é um anime simples, sem cores saturadas, ou animação complicada, basicamente o estilo adotado nos anos próximos de 2010, então o que lhe resta de especial é a narrativa, que de longe me foi a melhor forma de contar a história de um colegial. No melhor estilo Agatha Christie, talvez isso tenha pegado no meu ponto fraco, Houtarou passa seus dias com Chitanda vivenciando situações estranhas, mas comuns de escola, e descobrem os mistérios por trás dos problemas dos outros.
Acho que aqui entra o ponto principal do anime, o protagonista é um daqueles genéricos que tem habilidades escondidas mas que não mostra pra ninguém já que nunca lhe é conveniente, porém isso na história de Hyouka não é contada através dessas habilidades dedutivas. O autor consegue usar os “poderes” de Oreki para avançar na trama entre as personagens de forma mais rápida para não deixar maçante o enredo. Isso se percebe quando, por exemplo, Oreki usa pra descobrir os sentimentos de Satoshi e adianta pelo menos uns 2 episódios.
A história não se desenvolve a partir de grandes casos, uma tragédia imensa, ou uma revelação incrível, todos os 4 personagens do drama são pessoas comuns, com histórias comuns mas que se complicam ao se entrelaçarem em momentos curtos, coisas simples, um dia de chá na casa da Chitanda, fazer lição de casa em grupo, um dia na praia (é tem episódio de praia, mas é extra, mais um ponto positivo), uma simples conversa na sala de aula são os momentos que o criador fez se tornar marcante para o espectador, vou arriscar dizer que o autor quer passar a mensagem de que não são os momentos raros e bizarros que evoluem com a gente, são os momentos do cotidiano, é com quem você passa o tempo livre que importa no final das contas.
Este último parágrafo quero dedicar para contar um pouco dos detalhes que me marcaram. Flores, apesar de parecer um pouco brega usar flores para demonstrar romance, aqui eles são usados da mesma forma porém o método como são utilizados, enroscando o personagem e mesmo assim parecendo radiante foi a forma mais bela que já vi de demonstrar um sentimento sem dizer uma única palavra. Dublagem, a dublagem em japonês é excepcional, o tom de voz que os dubladores manejam durante as cenas tornam animações que poderiam significar nada em algo que te leva até a questionar se aquilo pode ser uma pista de algum mistério do episódio, e o incrível que geralmente faz até parte da narrativa, simplesmente perfeito.
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