
a review by Nhalolo

a review by Nhalolo
Pessoas de baixo carácter vão te dizer: “Olha isso cara que absurdo, é só mais um animezinho de lolis”, ai você vem chorando, mostrando a grandiosidade da Nanachi e ele lhe diz: “Loli e Furry? Ai não dá, para de ver isso.” Se seu amigo(a) lhe disse isso corte laços imediatamente, se seu cônjuge disse essas malditas palavras sinto lhe dizer mas já era hora de isso acabar, esqueça e ache alguém melhor.
Made in Abyss não é mais um anime qualquer de aventura, ele vai lhe proporcionar sentimentos que nada na vida real poderia te fazer sentir, você vai chorar, vai agonizar, vai sentir ódio da ganância humana. Seus personagens serem crianças é essencial para essa ligação de compaixão e proteção. Deixando de lado um pouco minha paixão por essa obra prima, vamos falar de desenvolvimento de personagem, sinceramente os personagens se desenvolvem pouco, no geral eles desempenham um papel de carácter único mas que vão levar ao crescimento de um personagem específico.
Reg, cuidado pela Riko, é um robô humanoide com amnésia que é solto nesse mundo vasto dominado pelo abismo e seus mistérios. Seu trajeto ao lado dessa garotinha é cheia de descobertas e coisas complexas, como poderia um simples garoto lidar com tanta sobrecarga de responsabilidade assim? Deste modo, Reg é a estrela do anime ganhando conhecimento de acordo com a descida e se autodescobrindo com as dores, é literalmente o trecho brasileiro famoso “quanto mais a gente rala mais a gente cresce”, como o fim do poço altera as pessoas é inimaginável e você vai sentir cada pedaço desse sofrimento constante, não existe felicidade numa descida sem fim, uma amizade nova, um lugar bonito, geralmente são sinônimos de feridas e perigos, apesar disso são crianças, então o mais simples momento de relaxamento se torna uma festa para eles e essa manipulação dos sentimentos do telespectador é o que mais me encanta com a arte de Made in Abyss.
Por fim, temos que falar do ponto principal do anime, o abismo. Num mundo onde a superfície é curta e o abismo é longo, a única forma de adquirir recursos é explorar as profundezas e , acho que uma das melhores analogias que já foram feitas nos animes, quanto mais fundo se vai no poço pior é a volta para a superfície, ou seja, é muito mais fácil se deixar ficar no fundo do que lutar para voltar para cima, a maneira como a missão de Riko explora essa dualidade de o objetivo está no fundo do poço e não na volta é magnífico e vai causar várias reflexões quanto a motivação dos seus objetivos. Ter que descer o mais fundo para saber o valor do topo geralmente é a analogia genérica que vemos nos filmes, ou qualquer outro gênero narrativo, mas em Made in Abyss queremos o oposto, vivemos o topo para querer buscar o fundo, não porque os valores estão trocados mas exatamente porque queremos saber do pior que o mundo pode oferecer. Cuidado para não olhar demais pro abismo.
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