
a review by Ceuipsolon

a review by Ceuipsolon

Uma história que traz “alguns” recursos interessantes. Como se trata de um jogo de estratégia e lealdade (pelo menos na teoria), entre o grupo, dá para se estabelecer diversos obstáculos e favores, estabelecendo que ela na maior parte do tempo passa pelos olhos do protagonista Yuiichi.
Uma forma de demonstrar lealdade para uma pessoa é a demonstração do valor de sua dívida, que está por baixo do crachá com o nome a mostra, porém cada vez que se faz isso, esse valor dobra, assim contribuindo com o peso de sua demonstração. Já um obstáculo (pelo menos para esse grupo) é o anonimato do responsável de colocá-los no Tomodachi Game, sendo assim, muito provavelmente o culpado do roubo é o mesmo que os colocou no jogo, podendo ser um dos 4 amigos do grupo. Mas no geral os elogios terminam aí.
O que resume Tomodachi Game é o roteiro desastroso, extremamente edgy, diversos recursos baratos, mal desenvolvimento de personagem, uma animação no geral inconsistente e estática na maior parte do tempo, enfim, são tantos problemas que é até difícil de mencionar todos.
A melhor coisa é tentar abordar primeiro os jogos e depois o resto.

Tem uma ideia legal e com certeza foi o melhor jogo. Já é usado um dos pontos positivos que faz jus ao nome da obra, a amizade, colocando ela em risco com situações que valem ou não traí-la. Este se resume a um jogo semelhante ao ouija, no qual o grupo coloca a mão sobre uma peça, caso todos concordem com o que foi falado, a peça desloca para uma posição, porém caso pelo menos um discorde ela se desloca para outra. Cada uma das rodadas um participante deve ler uma carta que está escrito algo (pelo menos é o que se espera), essa carta não pode ser mostrada para os outros. A grande sacada é, caso todos concordem, é diminuída a dívida geral, porém se não acontecer isso a dívida e com uma restrição, a pessoa que lê tem algum adicional positivo ou negativo que interfere na sua dívida com uma escrita a caneta.
No geral ele funciona bem, mas lembrando da tinta tem um problema crítico, é impossível esquecer que ela desaparece misteriosamente no tempo correto, após a finalização do jogo, assim não é possível saber o que levou as suas decisões ao longo da rodada, um recurso barato e problemático.

Outro que é interessante mas se prende muito mais na proposta que na execução. É um jogo que tem como objetivo escrever algo sobre alguém contando um segredo, um jogo de sugoroku. É votado pelos espectadores virtuais o que acham sobre as revelações, quanto maior a quantidade de votos, mais casas irão andar (de 1 a 5), além de existir a possibilidade de todos deixarem o papel branco e assim andar somente uma casa.
O primeiro que chegar no final é acrescentado uma multa de 1 milhão e o resto tem um prêmio de 400 mil ienes, além que conforme ande no tabuleiro podem acontecer diversas coisas.
O plano feito pelo protagonista contém tantas falhas, além das conveniências e explicitudes para o leitor conseguir entender, sem uma profundidade de fato que permitisse uma vitória clara, tudo é superficial. Como reagir a mais de um traidor, se outros não colaborarem, como reagir caso alguém desconfie de você por tentar montar planos mirabolantes, enfim tudo fica na superficialidade e essas questões que trariam problemas claros num ambiente real não foram tratadas.
Como é um jogo estratégico que necessita mostrar a inteligência do protagonista, o melhor é deixar os detalhes a fim que o próprio leitor perceba e consiga desenvolver um plano passível de ser explorado no jogo, ao invés de usar A PIOR COISA DE LONGE DO ANIME INTEIRO, um completo desrespeito com a inteligência do espectador. Simplesmente algumas personagens extremamente descartáveis contando cada coisa que ele está pensando ou fazendo. O contraponto com o jogo de estratégia é tão evidente que chega a ser cômico.
De duas possibilidades a chance de uma delas estar certa é quase absoluta. Ou é incompetência na hora de montar uma história e tornar ela de fato complexa recorrendo ao uso de recursos baratos para tentar transformar um personagem em inteligente, porém da pior forma possível, sendo só um fracasso. Ou simplesmente o autor não sabe o que está fazendo e tenta desenvolver outro gênero dentro de uma obra de estratégia que assim entra em conflito com o maior ponto deste.
Somado a um erro grotesco que vai contra o próprio gênero da obra, temos outro problema grave para a execução dos jogos. A velocidade e o jeito que as regras são passadas para os personagens, acontece tanto no primeiro como no segundo, no geral são textos extremamente rápidos que são impossíveis de ler certas vezes (não faço ideia de como alguém assistindo na TV leria aquilo), mas se justamente as estratégias surgem das regras, como caralhos vou conseguir pensar em algum plano sem conseguir lê-las. Uma maneira muito mais adequada seria de fato mostrá-las em execução como foi feito no terceiro jogo.
Mesmo tendo alguns buracos e problemas com esse jogo, como plot twists retardados, informações impossíveis de se ter conhecimento (como se alguém fez algum crime durante a vida inteira dela em algum momento, sim, meteram uma prova diabólica na cara dura mesmo), o exagero gritante do edgy, ainda tem algumas coisas que se salvam…diferente do próximo jogo.

Ok, temos novamente uma ideia interessante de um jogo, cujas regras desta vez são bem apresentadas. O problema? A execução.
Primeiro começando com o pré-jogo. Após a finalização do segundo, Yuiichi e Tenshi precisam ficar em uma prisão com água e comida limitada por alguns dias. Tudo isso para contar um flashback da motivação do traidor do grupo, ou seja, foi um recurso barato do roteiro. Nesse é mostrado que Tenshi já participou de um Tomodachi game anterior com Sawaragi, a qual traiu ele e após a libertação do mesmo, contou ao seu pai sobre o jogo, quebrando assim uma das regras e teve seu pai assassinado. Assim mesmo ocorrendo a traição, tem uma pessoa muito pior que ele, que precisa de atenção, porém Tenshi não tem provas para demonstração do que ele disse, mesmo dobrando sua dívida como forma de lealdade para o Yuiichi acreditar nele.
Após a finalização do pré-jogo, vem de fato o jogo, um esconde-esconde onde temos duas equipes numa imensa floresta que estão competindo para ver quem encontra o líder do time adversário primeiro.
As principais restrições, regras e recursos desse jogo são: depois que escondido não pode se mover mais, não é permitido machucar um membro do outro grupo, é possível trair seu grupo e ir para o outro (pelo menos durante esse jogo) e também é possível para quem esteja escondido, desistir. Caso o time perca, a dívida sobe e, caso ganhe, a dívida diminui.
A competição ocorre entre um grupo com 5 pessoas formada somente por homens e o outro o grupo que já conhecemos porém é acrescentado mais uma garota de última hora nele.
O que movimenta as estratégias desse jogo são: fazer com que seu adversário o machuque, fazer com que alguém do outro time o traia e exponha a localização da pessoa escondida entre mais algumas possibilidades.
E demorou demais, o tédio é a palavra chave para ele, pois não preparou nada, só fez mal uso do tempo, mesmo com algumas estratégias interessantes no geral ele é insanamente entediante. Desde de tentar aliar a garota ao outro time e assim abalar sua amizade até tentar de forma forçada fazer com que o outro time sinta raiva e o machuque. Além de claro, o tempo focando no Tenshi que vai ficando com fome e paranoico pensando em desistir constantemente e, mesmo sendo óbvio que isso não iria ocorrer.
No fim, o Yuiichi como o "gênio" que é, consegue traçar a personalidade de todas as pessoas, ao invés de utilizar realmente de relações que o espectador podia interpretá-las, prefere ser tão barato, ao ponto de entregar uma imagem de 5 seg contando todas as relações e características dos rivais, que têm muita informação simplesmente tirada do ??? por meio de arquétipos de personagem.
Sinceramente só vale a pena descrever o final dele que é, chato. Após uma das pessoas do time rival trocar de lado para defender a garota e também ser revelado que a verdadeira mente do grupo é outra pessoa, Yuiichi se utiliza de uma estratégia besta. Simplesmente subornar o líder escondido do time inimigo por meio da violência do seu amigo que trocou de lado. Como um ótimo amigo, ele desiste ao ver que Yuiichi iria quebrar seus dedos, relembrando que é um jogador de basquete dedicado e teria uma carreira perdida, tendo que aceitar assim. Ainda perante essa situação o Tenshi foi encontrado porém posteriormente a vitória do Yuiichi, já que a garota do seu time o trai e entrega a posição do seu parceiro ao "gênio" do time rival.
Como espectadores temos que aceitar que um método de vitória bobo foi usado, ele não é inteligente, só é sem graça, mesmo naquele contexto só é frustrante a resolução.

A coisa mais burra, desconexa, sem sentido que colocaram. Por que essa parte existe?
Ela acontece após o terceiro jogo onde Tenshi e Yuiichi podem sair para o mundo exterior momentaneamente e vão atrás da Sawaragi para descobrir de fato se ela é ou não quem o Tenshi diz ser.
Ao longo dessa situação Shibe é preso e seu pai assassinado pela mesma situação do Tenshi. Além disso, uma das garotas do grupo é sequestrada e usada de refém para um novo jogo.
Não se sabe como esse grupo tem acesso às pessoas do Tomodachi Game, quem eles de fato são, simplesmente surgem porque sim, com o objetivo da narrativa de mostrar da forma mais explícita e preguiçosa possível de que o menino Yuichi também tem um lado bom.
Neste jogo Yuiichi ou Kokorogi vão passar por sessões de tortura, e é isso, acabou, simplesmente isso.
Após essa sessão de tortura e serem libertados Yuiichi faz uma proposta ao líder deles de um jogo de jo ken pô por dinheiro…?
Caso Yuiichi perda dará 10 milhões de ienes para e 1 para cada um do seu grupo, se ganhar irá torturar o sequestrador.
Tudo consiste no seguinte, a derrota permite que Yuiichi arranque diferentes quantidades de dedos: pedra, 0, tesoura, 2 e papel, 5. Se usando de jogos de palavras por ter uma mão machucada faz seu adversário ter conclusões erradas por meio de jogos de palavras e assim o derrota provando diversos pontos sobre ele. No fim obviamente ninguém irá aceitar assim perder os dedos, mas os responsáveis pelo Tomodachi Game invadem o local no momento exato permitindo assim o desenrolar final.
Eu não tenho nada além de dúvidas do porque isso existe, de longe o maior fiasco, simplesmente uma das piores coisas desse roteiro de longe.
Opening do youtube:

Eu sinceramente gostei, desde a música até a própria animação e storytelling.
O desenvolvimento dos personagens e atuação deles na obra é inexistente ou superficial, aparecendo somente no momento que interessa. Sem história e presos a personalidades já recicladas tantas vezes que se tornam mais alguns bonecos unidimensionais. O máximo que será achado são alguns flashbacks ou certos personagens virando "servos" de outros.
O esquecido até então Tomodachi...

...só existe para propaganda e nada mais que isso (aliás que 3d feio da porra).
Além de como já deve ter ficado explícito, a presença do diretor é quase nula e quando ele atua dificilmente acerta no que faz.
E para fechar com chave de ouro, art characters...

...que com certeza o dall e mini faria melhor, simplesmente personagens com design completamente esquecível.
Tomodachi causou hiperculturemia para todo seu público com tamanha quebra de gênero de estratégia, causando diversas alucinações em seu público fazendo com que vissem maravilhas para possuir uma nota tão alta. Caso queira um comparativo de qualidade, não está muito distante de Munou na Nana.
Ele pode ser resumido como mais um fracasso como obra, o qual ofende a própria inteligência do leitor, preguiçoso, geralmente com ideias boas porém mal executadas. Mesmo assim teve uma boa aceitação, permitindo assim, possivelmente, a existência de uma segunda temporada.
E deixando essa análise completa, fica uma das piores e mais "importantes" frases do anime.
"Além disso, a coisa mais importante para mim não é o dinheiro. São amigos"
Yuiichi, Katagiri - 2022
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