
a review by HenriqueNeves

a review by HenriqueNeves
As imagens e animação livre
O destaque é facilmente a presença livre que o anime tem nas cenas das apresentações. É dinâmico; tem seus momentos detalhistas e livres; segue uma continuidade de movimentos da encenação dos personagens. O espaço feito em 3D é muito bem aproveitado para levar a visão do espectador para dentro da cena.
Esse modo de usar o 3D me lembra bastante os animes do Yasuhiro Yoshiura (principalmente os trabalhos mais experimentais antes de 2010). É aquele tipo de 3D que evidencia a técnica; você vê que é 3D.
Os personagens nessa lógica de espaço se distribuem no palco como se fossem objetos da cena, e nada mais importa neste momento.
A encenação mais simples
Não que o restante do anime seja de todo ruim. As escolhas de encenação com animação mais imóvel, apesar de se tornarem um pouco exaustivas, de certa forma, engrandecem ainda mais as cenas de palco. O olhar do espectador ao ficar "viciado" nessa abordagem formal e mais parada se transforma ao se deparar com as cenas mais livres. Não me importa se foi uma escolha intencional ou não do diretor Toshimasa Kuroyanagi, é um contrate que funciona muito bem.
Claro, não é perfeito. Principalmente, se pensarmos que o anime precisa encontrar raros momentos em que pode satisfazer o olhar de quem está acompanhando. É uma experiência que exige do espectador que sempre aguarde esses momentos pontuais chegarem, já que o anime não entrega muito mais que isso. É meio difícil, mas quando esses momentos chegam, é garantido que será prazeroso de acompanhar.
Alguns episódios isolados, como aquele em que os personagens fazem um pique-esconde ou as várias tentativas de forjar pequenos conflitos não funcionam tão bem. O anime se garante focando nessa abordagem principal da Ginastica Rítmica, mas é bem superficial com essas vontades dos personagens.
Isso também porque os personagens são humanizados com um tipo de estereótipo muito comuns nesse tipo de anime, e o próprio não tenta ir muito longe nessa dramatização e nas motivações fora do seu círculo da Ginastica Rítmica, então fica parecendo uma encheção de linguiça até chegar nos clímaces que realmente importam.
A questão principal é que mesmo o fato de os personagens serem esse estereótipo comum, isso não atrapalha o envolvimento emocional que as cenas de apresentação no palco causam; ao mesmo tempo que também não as engrandecem tanto. O fator do emocional continua sendo o contraste entre as duas abordagens visuais. Não que eu queira retirar o fator motivacional que existe dos personagens no palco, mas acaba que não é algo central; que possa melhorar ou piorar as cenas de apresentação.
Como eu apresentei no começo do texto, é "como se fossem objetos da cena, e nada mais importa neste momento".
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