
a review by Ceuipsolon

a review by Ceuipsolon

Lançado em 2015 durante a temporada de verão pelo estúdio Lerche, o qual realizou obras como Ansatsu Kyoushitsu (ou Assassination Classroom), Dangaronpa 3 e dirigido por Masaomi Andou, o qual foi responsável pela direção de alguns outros animes como Jibaku Shounen, WHITE ALBUM 2, Kuzu no Honkai, entre outros.
Este anime apresenta o clube de vida escolar, vivendo e realizando atividades com seus 5 membros: Kurumi Ebisuzawa (cima à esquerda), Miki Naoki (cima à direita), Yuuri Wakasa (baixo à esquerda), Yuki Takeya (baixo à direita), Megumi Sakura (atrás), também conhecida como Megu-nee e o cachorro, Taroumaru (no fundo com a Megumi).

Porém existe um problema, elas precisam enfrentar uma infecção zumbi, de origem desconhecida, com escassez de informação, mas nem por isso a tratam dessa situação de forma tão preocupante e obcecada. O trânsito entre descobertas sobre a situação atual do mundo e slice of life (recheado de moe) é a definição do pacing desse anime.
A estrutura da análise consistirá em:
- Estrutura e história
- Questões técnicas
- Crítica
- Conclusão
É iniciado a história no futuro, após o surto dos zumbis inicial, passando-se na escola aos olhos da Yuki. Uma garota que não aceita o apocalipse e reescreve a realidade diante de seus olhos, não aceitando o desastre que aconteceu. Trazendo uma otimista (e escapista) vivência as garotas, mesmo que não intencionalmente, diminui a chance delas piorarem mentalmente, momentaneamente, alguém confortável aos demais.
Mas esse escapismo diante do apocalipse, a não aceitação da realidade, é colocado em conflito perante dilemas éticos. Se devem ou não alertar a sua amiga. E conforme o slice of life se passa, é revelado o primeiro dos três grandes ápices de Gakkou Gurashi, o apocalipse zumbi e a loucura de Yuki.
É interessante as bases que Gakkou construiu em cima dos zumbis, como o seu comportamento refletir seus hábitos da sua vida cotidiana, como ir ao trabalho, escola etc, influenciando os locais que eles se encontravam. Eles também apresentam resquícios de consciência.
Nos intervalos entre os ápices do anime, tem-se o foco nas atividades do clube de vida escolar, festas, gincanas, etc… uma vida normal, durante esses momentos singulares.

A continuação da trama se dá no passado, momentos antes do apocalipse, revelando como a Miki sobreviveu junto com uma amiga durante o surto no shopping em que elas se encontravam e como a progressão exponencial do vírus foi insana para a sobrevivência espontânea. Por coincidência ou não (já que não é sabido da existência de mais sobreviventes), as outras garotas foram ao shopping na busca de novos recursos e como forma de alívio para sair do mesmo ambiente monótono e enlouquecedor, resultou no encontro delas com a Miki.
O próximo ponto alto da obra é o choque da Miki com Yuki ao descobrir sobre sua maníaca condição, ao ouvir falar da primeira vez de Megu-nee. Para onde Yuki conversava e apontava só poderia ser visto a sala e mais nada, um vazio, com que ela tanto falava, algo não só assustador como preocupante.

Os motivos principais para Miki se preocupar é justamente por algumas vezes ver sua amiga em Yuki. Além dela ter salvo sua vida. Então, porquê uma pessoa tão boa sofre de uma doença mental e não é recepcionada pelas amigas?
E aos poucos são revelados os motivos, nas entrelinhas, durante conversas e brigas. Takeya influencia as garotas da mesma forma que ela pensa, um otimismo exacerbado, acompanhado de uma falsa peça de teatro. A falsa presença de Megu-nee é reconfortante (para suas alunas), um escapismo (forçado?) delirante, mas entendido como essencial para manterem suas sanidades. Colocando toda responsabilidade de lidar com essa doença nas costas de Yuki, já que esta mudança poderia também mudar sua personalidade reconfortante.
Um pouco antes do último pico do anime, é descoberto algo assustador. Um guia que trazia várias comprovações de como a infecção começou, quais eram os recursos que sua escola disponibiliza para sobrevivência, já que era um bunker, e por fim, uma sala secreta com vários medicamentos que ajudariam em situações desesperadoras.
E assim, chega-se ao seu último pico, o azarado sequenciamento de problemas que o grupo sofreu. O sumiço de Taroumaru, a infecção de Kurumi, uma invasão dos zumbis na escola. Resultando num conflito o qual Yuki precisava enfrentar sua postura negacionista para salvar suas amigas, a Yuuri presa no quarto completamente sem chão e fraca mentalmente para tomar qualquer atitude e Miki num quarto fechado sem saída, que seria invadido em momentos posteriores, caso ninguém interferisse naquela situação.
Mesmo diante dessa situação tão caótica, Yuki consegue atuar de forma responsável e se libertar dessa atitude escapista de forma simbólica, relembrando as últimas palavras de sua professora e amiga tão querida, assim conseguindo ver o mundo de fato como ele é, mas ainda mantendo quem ela sempre foi.
Salvando a todos por meio de um aviso dado na sala de comunicação, que ecoava por toda escola, dizendo o término das aulas naquele dia. Como os zumbis ainda que quase inexistentemente possuíam uma consciência, retiraram-se de lá, assim Yuki consegue lidar com quase todos os problemas ao mesmo tempo.
Por último, o que restava, era tentar salvar Taroumaru e Kurumi com a vacina do banker, Kurumi foi salva, porém Taroumaru acabou falecendo. Por todos os desastres que ocorreram na escola, elas decidem se deslocar para um outro local seguro, que estava informado no mapa, junto ao guia de sobrevivência.

Por ser um estúdio mediano no geral, ele ainda conseguiu apresentar um bom trabalho se mantendo consistente na maior parte do tempo, mesmo que num traço simples, porém atuando incrivelmente, quando a direção pedia. Os três pontos chaves do anime tem uma direção espetacular mesmo com tanta limitação, destacando o esforço por parte da staff, quando necessário. Seus pontos altos são ótimos e não possui baixos tão perceptíveis.
Como foi dito, a história compartilha um tom de slice of life com tensão. O slice se mantém suportável, não é chato mas também nada divertido. Um dos problemas principais é a utilização de um ecchi forçado por razões de puro fanservice, algo que não tinha espaço na obra, como por exemplo o episódio 9 inteiro.
Em questão da estrutura da história, ela é confusa, futuro, passado e retorna ao futuro novamente. Além da apresentação adiantada de Miki, garantindo sua sobrevivência, e quebrando um pouco da tensão durante o shopping, já que é certeza de sua sobrevivência.
Seria muito mais interessante mesclar acontecimentos da escola e do shopping a fim de ter uma dinâmica mais interessante de acontecimentos, sem necessariamente ficar decorrendo ao moe a todo momento, que se torna cansativo aos poucos. Então seria possível criar antítese de cenários, triste x feliz, ou ambos compartilharem momentos bons e ruins, enfim uma decisão que creio tornar a obra mais dinâmica.
Mas com certeza em roteiro a coisa mais fraca é a revelação do bunker que continha uma “vacina experimental para novos-infectados”.

“A vacina, por ser utilizada como prevenção, não atua em casos de tratamento rápido. Para esses casos, o soro é o melhor agente a ser aplicado. Isso ocorre devido à rapidez do soro na produção de anticorpos em nosso corpo, combatendo com mais agilidade a doença, não tendo como função a prevenção, mas, sim, a cura.”
Primeiro, uma vacina previne, porém ela é lenta, demora-se semanas para ter efeito sobre o organismo, então é necessário o soro para uma cura rápida, a mesma ideia da picada de uma cobra. Segundo, como já era sabido qual seria a doença/vírus a ser espalhado? Terceiro, caso já houvesse informação sobre porque não deram para a população ir tomando, pois aliás, é uma vacina, é necessário criar imunidade, mesmo sendo experimental é algo a adiantar, já que como pode ser visto, destruiu tudo.
Essa parte em específico é o pior problema do plot, pois simplesmente não faz sentido algum, não sei se houve alguma mudança no material original, mas de qualquer jeito é um problema grave na tentativa de salvar um personagem na iminência de sua morte.
Em compensação as cenas que envolvem a revelação da loucura da Yuki e a inexistência da Megu-nee para a Miki, são simplesmente incríveis. Foi um trabalho fenomenal de direção, animação, OST ao longo daqueles segundos construídos a partir de uma reviravolta de uma cena fofa, tudo para culminar em uma sequência de cenas espetaculares.
Vale-se também destacar a despedida de Megu-nee, uma cena simbólica muito bonita e a morte de Taroumaru que foi um drama feito muito bem.
No geral é um anime com seus altos e baixos muito claros, tanto em animação, estrutura e história. Com uma proposta inovadora, e bem explorada na tensão, mas entediante no slice of life, uma estrutura de história funcional mas um pouco confusa devido às decisões do diretor de ter mudado o material original e uma história que no geral se mantém bastante consistente e pé no chão. Então, por fim, pode-se dizer que é um anime acima da média.
“Estou tão feliz por ter sido a professora de vocês”
Sakura, Megumi
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