*Esta análise não leva em consideração o final alternativo.
1-nichi Go ni Shinu Gorilla é uma obra literária curta, obra autoral do mangaká Ishida Sui. É uma história concisa que conta a história de um gorila que tem a consciência que vai morrer em um dia. O autor não explicita como o gorila obteve a capacidade racional de compreender tais conceitos existenciais e nem o que o levou a chegar na conclusão de que irá morrer em um dia.
A obra apresenta uma abordagem filosófica sobre a vida e a morte. A história do gorila que sabe que morrerá em um dia traz reflexões sobre a transitoriedade da existência e nos convida a refletir sobre nossa própria mortalidade e sobre como lidamos com essa certeza em nossa vida cotidiana.
Uma das principais questões que a obra levanta é a noção que o indivíduo possui que sua existência tem um fim. A percepção da própria mortalidade é uma das questões mais fundamentais e existenciais que está presente na psiquê humana. Desde os tempos antigos, os filósofos, poetas e pensadores refletiram sobre a finitude da vida e a inevitabilidade da morte. A compreensão da mortalidade é um elemento central da condição humana, que nos obriga a refletir sobre a nossa própria existência, propósito e sentido da vida. Para os estoicos, por exemplo, a morte era vista como parte da ordem natural das coisas e, portanto, deveria ser aceita com serenidade e tranquilidade. Já para filósofos como Heidegger e Sartre, a morte é vista como uma parte essencial da nossa existência, pois é o que dá significado à vida e nos permite experimentar a autenticidade e a liberdade.
A percepção da própria mortalidade pode ser angustiante e provocar medo e ansiedade em muitas pessoas, mas também alívio e conforto para outras, tudo depende do contexto que o indivíduo está inserido. Saber que a nossa vida é limitada pelo tempo nos faz questionar o que é realmente importante em nossas vidas e o que devemos fazer com o tempo limitado que temos em vida. Essa percepção também nos leva a refletir sobre o que deixaremos para trás e qual será o nosso legado após a morte.
No entanto, a percepção da própria mortalidade também pode ser vista como uma oportunidade para viver uma vida mais plena e significativa. Ao perceber que a vida é finita e que a morte é inevitável, somos incentivados a valorizar cada momento e a viver de acordo com nossos valores e princípios. Essa percepção também pode nos ajudar a nos libertar das preocupações triviais e a focar no que realmente importa.
Sigmund Freud, o pai da psicanálise, também refletiu sobre a percepção humana da própria mortalidade. Para Freud, essa percepção é uma fonte de ansiedade e angústia, que é expressa em muitas de nossas emoções e comportamentos. Como ele afirmou em seu livro Além do Princípio do Prazer: “O medo da morte é, de fato, o pavor primordial que todos sentimos e que se manifesta mais ou menos conscientemente em tudo o que fazemos.”
Freud argumentou que a percepção da própria mortalidade é um dos principais fatores que nos levam a buscar a imortalidade em outras formas, como na busca de status, riqueza, poder ou fama. Para ele, essas são formas de negação da mortalidade e tentativas de transcender a nossa condição humana finita: “Uma das principais tarefas da vida, uma tarefa que é tão difícil quanto importante, é aceitar a realidade da morte, para que possamos viver a vida de maneira autêntica e significativa, sem a necessidade de negação ou evitação.”
O final de Nichi Go ni Shinu Gorilla é extremamente significativo do ponto de vista filosófico, pois ilustra a ideia de que a morte é inevitável e que devemos aceitá-la como parte da vida. O gorila, que viveu sua vida inteira em cativeiro, morre no dia que esperava. Esse evento trágico é uma poderosa metáfora da nossa própria condição humana, na qual estamos todos presos em um mundo de limitações. Em Nichi Go ni Shinu Gorilla, vemos a morte representada de uma forma simples e direta, sem rodeios ou explicações teóricas. O gorila simplesmente morre, e a vida continua. É uma mensagem que nos convida a refletir sobre a nossa própria vida e a valorizar cada momento que temos. Afinal, como escreveu o filósofo Jean-Paul Sartre em sua obra A Náusea: “A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, mas sim o que somos.”
Em última análise, a percepção da própria mortalidade é uma questão fundamental da condição humana. Embora possa ser angustiante, essa percepção também pode ser vista como uma oportunidade para uma vida mais plena, significativa e compassiva. Ao refletir sobre nossa própria finitude, somos incentivados a viver o presente de forma mais consciente e a construir um futuro melhor para nós mesmos e para os outros.
#3.LIBERDADE
Outro tema significativo que é inferido na obra é a liberdade. O gorila, que vive em um espaço restrito, pode ser considerada uma analogia à vida na sociedade moderna, onde estamos constantemente aprisionados por normas, convenções sociais, expectativas e leis, o que é análogo a ser trancafiado em uma cela, tal como a do gorila. Essas restrições da liberdade de expressão e da plenitude de SER acaba produzindo uma angustia e anseio pela liberdade, de muitas intensidades diferentes, em todos os que vivem inseridos na sociedade capitalista. A autonomia pode ser considerada um dos temas centrais da filosofia política e social.
Além disso, a obra também levanta questões sobre a natureza humana, e da forma como tratamos os outros seres vivos que compartilham a existência conosco no planeta. O fato de um animal estar trancafiado em um zoológico e alienado à natureza é uma situação que nos faz refletir sobre como lidamos com a vida dos animais, e sobre o significado que damos a essa vida. Será justo tratar outros seres que também sentem a dor, a fome, a sede ou até mesmo a necessidade de amor e carinho como se fossem um brinquedo para o nosso entretenimento em uma tarde de domingo?
#4.CONCLUSÕES FINAIS
De modo geral, 1-nichi Go ni Shinu Gorilla é uma obra filosófica profunda e reflexiva, que nos convida a refletir sobre a vida, a morte, a própria liberdade de ser, sobre a busca por um propósito e sobre como lidamos com outras formas de vida em nosso mundo. Assim, podemos concluir que este final representa é uma importante reflexão filosófica sobre a vida e a morte. Ele nos convida a aceitar a nossa condição humana e a valorizar cada momento que temos, pois ao contrário do gorila, nunca sabemos quando será o nosso último dia.
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