Em uma animação eletrizante de apenas 8 episódios, o tão aguardado "Scott Pilgrim Takes Off" adaptando a história maluca do canandense Scott Pilgrim vem como uma bomba na Netflix, mostrando que felizmente essa obra ainda tem muito o que oferecer e principalmente mostrar no que se diz respeito a adaptações de mídias.
Trazendo inúmeras novidades pra essa visão repaginada de Scott Pilgrim, o anime consegue utilizar sua mídia animada de maneira inventiva brincando com o próprio formato, trazendo um frescor visual e dinamismo sensacional que apenas o estúdio Science Saru consegue trazer. As lutas são eletrizantes, os momentos mais tranquilos são compostos por cores incríveis, enquadramentos inventivos e principalmente um charme visual no todo que só o estúdio que fez o magistral "Don't Keep Hands with Eizouken" conseguiria. E isso, claro, junto da colaboração fenomenal da banda Anamanaguchi com seus clássicos adicionam ainda mais nas cenas, onde com suas composições "groovy", traz um sentimento a mais nos visuais incríveis no anime.
Claro que as novidades vem com um toque de nostalgia, onde trazendo o elenco original da adaptação em live-action e o próprio diretor na produção, traz um ar familiar pra esses novos lados dos personagens que mesmo sendo interpetado de maneira, um tanto fora de tom algumas vezes, consegue trazer esse sentimento bom de escutar de novo aquelas vozes tendo outras direções em seus personagens. A direção de voz nesse quesito é curiosa no mínimo, porque com uma parte do elenco ela consegue trabalhar bem cada pessoa do elenco, onde resgatando a interpretação passada de seus personagens, consegue tomar proveito das coisas novas que o anime traz podendo mostrar lados nunca antes vistos dos personagens. E no outro lado... bem... nós temos Mary Elizabeth Winstead fazendo um papel de destaque que, sinceramente, não serviu bem pra ela na hora de segurar as pontas de uma Ramona Flowers com um destaque maior na trama.
Em material de adaptação, pra mim "Scott Pilgrim Takes Off" é o do melhor tipo: O que se inventa e não copia. Em meio a tantas ditas "adaptações" de obras em outras mídias que são 1:1 ao material original, principalmente no ramo de anime/mangá, Bryan Lee O'Malley faz o que toda pessoa sã deveria escrever quando se diz a respeito a adaptações, que é nunca se limitar ao material original. Não entrando muito em áreas de spoilers, mas o que Bryan faz aqui com sua obra é algo completamente incrível e principalmente esperto algumas vezes, onde sendo a terceira adaptação dos quadrinhos, é usado de referência as suas outras facetas em diversas mídias, indo pra lados metalinguísticos tanto na parte de produção, mas principalmente em sua parte narrativa com seus personagens, e PRINCIPALMENTE no que diz respeito do que é o personagem do Scott Pilgrim.
No final das contas, "Scott Pilgrim Takes Off" é uma batida entre tudo o que existe de Scott Pilgrim. Uma espécie de remix dentro de todas suas mídias, comentando sobre si próprio, mas que nunca fica apenas no campo da metalinguagem construindo A Narrativa ideal pra essa história atualmente. Tal qual Hideaki Anno trazendo uma nova visão a uma obra antiga de sua autoria, comentando sobre si próprio e principalmente sobre a construção de Evangelion dentro mídia por meio de seus Rebuilds, "Scott Pilgrim Takes Off" traz aquela história que antes poderia ser tomada como juvenil, tem um toque de maturidade que apenas o tempo poderia trazer. Essa adaptação é o suprassumo de Scott Pilgrim, e com certeza um louvor de adaptação na sua mais pura definição, onde revisitando uma história antiga, traz uma visão mais madura moderna e principalmente mais dinâmica do que de anos atrás. Se os quadrinhos e o filme foram uma bomba, "Scott Pilgrim Takes Off" foi uma explosão em cadeia no maior estilo Sex Bob-Omb!
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