

"Suzume" é uma experiência engraçada, porque mesmo sendo o projeto mais redondo de Makoto Shinkai para mim, ele ainda consegue ter o seu momento chave de todos os filmes do diretor, onde eles se convertem em uma só coisa como objetivo principal que sempre, independente do que ocorra prejudica todos os filmes: o momento da realização da paixão. Aqui, é inegável o primor técnico de Shinkai não só como o maior nome da indústria que é capaz de distribuir wallpapers, mas principalmente como um diretor conseguindo entregar diversas cenas dinâmicas com simulação de câmeras surpreendentes, que sinceramente fazem "Suzume" o projeto mais impressionante vindo das mãos técnicas do diretor. Além disso, aqui se cria a sua melhor mitologia e em consequência o seu maior cenário fantasioso, que mesmo entrando em momentos dentro de seu roteiro que flertam perigosamente com "Weathering with You", ainda consegue segurar a barra entregando ótimos conceitos dentro de seu filme que de fato, admira quem vê seja pela maneiras que eles são apresentados em seus visuais, ou em suas ideias cruas dentro da narrativa, o que é algo completamente bem-vindo de um diretor que se atrapalha muito nessa questão. E tudo isso, é entregue muito bem dentro da primeira parte de "Suzume", onde nós somos apresentados a essa jornada mágica entre o mundo espiritual e o carnal, trazendo um sentimento até então novo dentro da filmografia de Shinkai, já que o filme estava indo para caminhos aventurescos tocando até em algo um pouco mais intimista da protagonista, largando um pouco da repetição do diretor de sempre entregar um romance mal elaborado entre um casal de portas. Bem, de fato isso estava acontecendo, eu estava comprando a ideia dessa aventura fantasiosa que de alguma forma, poderia terminar de maneira um pouco mais intima entrando de encontro a algo mais dramático a história da protagonista, sem precisar do objetivo centrado no interesse romântico em seu desfecho porque filmes podem terminar sem precisar disso, e Makoto Shinkai tem a chance de melhorar como diretor aqui entregando algo minimamente fora de sua curva! E no final de contas dentro da segunda parte de "Suzume" eu recebi exatamente o que eu não queria, que era mais um filme Makoto Shinkaizado onde o final é exatamente igual a todos os outros do diretor. Sim, o final intimista e dramático da protagonista está lá de fato, mas não tem peso nenhum dentro da narrativa porque o tempo que um desenvolvimento do drama poderia ter tido em cima disso, é gastado com um terceiro ato que recicla a estrutura de qualquer outro filme do diretor, o que sinceramente pra mim é decepcionante levando em consideração o que me foi vendido em sua primeira parte, me trazendo o pior dos sentimentos em um final de obra: indiferença. "Suzume" termina sendo o provável melhor filme de Makoto Shinkai, que facilmente poderia ser muito melhor se tivesse a coragem de largar a fórmula uma vez para fazer algo diferente, mas que cai na mesmice de sempre do diretor o que faz a experiência de assistir essa obra um tanto quanto 'ok', o que é meio triste levando em consideração o quanto que você pode investir na narrativa de "Suzume" em sua primeira parte. Curiosamente portas são meio que A Coisa de "Suzume", e elas meio que resumem muito bem a obra no geral, que independente se ela for um tanto quanto bonita, cheia de detalhes sucintos e tudo o que um bom carpinteiro pode fazer, ela ainda é uma porta igual todas as outras. E "Suzume " infelizmente é mais uma porta igual a todas as outras de Makoto Shinkai.
Nt: Até agora não me desce Shinkai ter feito um foco maior durante o filme inteiro envolto do personagem do Souta, um cara sem sal ao ponto de ser representado como uma cadeira, do que a personagem que dá título ao filme, a protagonista da história e praticamente o ponto central emotivo de "Suzume".
22 out of 40 users liked this review