

Acho que eu nunca tinha me deparado com um encerramento de trilogia que me irritasse tanto quanto esse. Da primeira vez que assisti, fiquei tão atônito com a sequência de acontecimentos que sinceramente abstraí. Mas desde aquela época, cada vez que pensava nesse filme, ele ia ganhando novos e piores contornos pra mim e seu gosto ruim crescia no final da minha língua. A necessidade de rever crescia. Até que chegou a hora.
Como eu lembrava muito pouco do que acontecia, fui me surpreendendo e até me rendendo ao início do filme, que sinceramente é ótimo. Sempre serei um defensor ferrenho da músiquinha do bolo, mesmo sendo o mais descarado dos fanservices. Até mesmo a metade do filme, antes mais nebulosa na minha mente, foi me conquistando e eu fui começando a me animar com a possibilidade de fechar o arquivo até passando a gostar do filme. Queria isso. Mas a realidade é sempre cruel.
Honestamente não consigo compreender o passo lógico que faz a Homura sair de uma anti-heroína trágica a uma vilã excessivamente vil e conspurcada pelo desejo. Na verdade, considerando o ciclo cármico que se abateu sobre ela justamente por conta do desejo que ela fez ao Kyubey por tudo isso, talvez seja um passo natural querer manter a Madoka sob sua guarda para sempre e desafiar as leis do Universo não era exatamente algo novo para a Homura. Por esse prisma pode até tentar-se achar uma explicação, mas por outro lado, NADA justifica essa mudança súbita de personalidade da Homura.
A Homura e a Madoka nunca foram compatíveis por diferenças ou qualquer coisa que as coloque na prateleira dos "opostos se atraem" justamente por estarem em uma dinâmica inversa, uma espécie de "semelhantes se repelem". Ambas se amavam tanto que iriam sempre priorizar a outra em prol de si mesma. Era um relacionamento impossível estruturado no amor mútuo das duas.
Com o desenrolar deste filme, a Homura se coloca como uma oposição, uma antítese ao conceito da pessoa que ama, numa tentativa já desesperada e desprovida de toda esperança que alguém que passou pela situação dela deveria estar. Creio que assim, ela acredite que possa manter consigo a pessoa que ama, mesmo que de forma forçada, que também é uma forma de se pensar uma outra possibilidade ao relacionamento entre as duas. E aí assim a Homura possa, assim como a Madoka fez, tornar possível o impossível e criar uma realidade em que ela possa por fim subverter a única lei do universo que não conseguiu quebrar: ficar com a Madoka.
Mas representado desta forma, esse filme só parece agir em oposição ao segundo filme, como se o negasse. Como se fosse uma tentativa de superar as discussões do segundo filme, tornando este o passo seguinte e "definitivo" do ciclo. Até por que "Rebellion" é a automática destruição do que era "Eternal" previamente. Transformar a Homura numa vilã edgy apática e enlouquecida pelo desejo obsessivo anula a belíssima história de sacrifício e amor pela qual ela se sujeitou, por mais que tenha sido impotente perante a tais eventos. Não é um complemento, é uma reedição, feito inclusive por ela própria, o que torna o final da personagem ainda mais melancólico e triste para mim.
Vai se fuder quem teve a ideia esse filme.
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