
a review by Dinizo

a review by Dinizo
Eu não tenho a bagagem que eu gostaria com as velharias japonesas, mas é tão satisfatório ver um anime animado completamente em células que eu não deixei de ficar realmente maravilhado assistindo isso. E nem é um filme bem animado em células, mas apreciar as cenas, principalmente as cenas iniciais me deixou numa posição muito confortável para assistir o resto do filme. Aquela cena inicial da execução dos monstros em meio a uma tempestade tem uma classe que não é mais comum hoje em dia. Apesar do estilo de animação ser uma isca muito fácil para me pescar, todo o resto do filme ainda é difícil de se conectar e ele está cheio de alguns dos "oitentismos" que eu menos gosto.
O filme é uma grande propaganda do D. Aliás, pela forma como parece que as novels foram feitas e o esquema pensado para elas, imagino que a grande vontade seja transformar o D num personagem "canônico" do vampirismo global, assim como o Alucard se tornou, Dracula, Nosferatu ou mesmo o Edward Cullen, por que não? Mas diferente desses, que são personagens centrais em grandes histórias, o D é algo mais parecido com um James Bond ou um Hercule Poirot da vida: personagens que você sabe exatamente o que esperar de uma história deles e o objetivo das tramas é ver justamente esse personagem que você já sabe como age, agindo. O D parece ter exatamente essa energia e estaria tudo bem com isso...
Mas essa história não te faz engajar com o personagem. Geralmente personagens desse tipo tem um conjunto de características muito marcantes e claras, que servem para identificar ele. O D não tem nenhuma característica desse tipo. Ele só tem uma capa - muito bonita por sinal - um chapelão, um cavalo ciborgue e uma mão amaldiçoada que fica perturbando ele (mas nem tanto, ele precisa continuar estoico). Mas tirando as características físicas, não existe nada na personalidade dele que denote qualquer emoção ou conflito, ele só fica fazendo pose e sendo sisudo mediante às situações que se desenrolam. Além do mais, esse filme é guiado exclusivamente por ele. Tem outros personagens tipo a Doris, a Larmika ou o Conde que fazem coisas pontuais aqui e ali, mas todo o cerne do filme está só no D, que é uma porta. Não há tempo, e também parece não haver muita vontade, para se conectar com os outros personagens, para os quais essa história é emocionalmente relevante. Não tem como levar muito adiante uma série de contos sobre um cara que não é minimamente interessante.
Então o que sobra são várias belas cenas do D fazendo belas coisas por aí e sendo um cara muito belo. Animação dos anos 80 ainda é top, então nunca dói assistir.
7.5 out of 8 users liked this review