Tirei um grande atraso das minhas costas agora. Eu já namorava esse filme há uns oito anos, pelo menos, quando casualmente me deparei com um AMV dele com a música End Of All Hope, do Nightwish, que existe há pelo menos uns quinze anos no YouTube. É um daqueles vídeos que de alguma forma parecem movimentar alguma coisa dentro da tua mente que só vai começar a ser percebido muito tempo depois. Inclusive esse AMV faz o filme parece bem mais movimentado do que ele realmente é, já que eu achava que ele era um incrível filme de ação. Não é um filme revolucionário, é uma história tão bem contada quanto um belo bife com fritas bem servido junto a um refrigerante bem gelado. O Yoshiaki Kawajiri sabe muito o que faz. Tudo fica mais simples quando você faz uma história sobre pessoas bonitas sendo bonitos e fazendo coisas.
Eu senti um pouco de falta de aprofundamento no romance entre o casal principal da história e nos problemas que isso acarreta. Provavelmente por ser um roteiro tirado direto de uma novel, todas as passagens são muito faladas e pouco mostradas. O relacionamento do casal, que não é protagonista, é ignorado e relegado a uma série de discussões e suposições entre o D e a Mão durante todo o desenrolar da perseguição, além de vários terceiros que também dão seus pitacos. São raríssimos momentos do filme que o casal principal realmente é aprofundado neste quesito. A cena mais bela do filme é justamente quando o Meier Link (ou Mayerling) sai da carruagem antes mesmo do pôr do Sol e se arrasta agonizando até a Charlotte porque mesmo a cláusula pétrea a qual nenhum vampiro pode negar é preferível a perder a sua amada. Essa cena é ótima justamente por nenhuma palavra ser dita e você conseguir ver os personagens devidos se relacionando. É o momento que te convence do amor dos dois.
Fiquei um pouco carente da parte espacial-tecnológica do filme. Não fica exatamente claro pela trama, mas a história se passa, tipo uns DEZ MIL anos no futuro. É um cenário extremamente distante da nossa realidade, mesmo assim não tem muitos indícios de uma tecnologia avançada tirando o cavalo mecânico - extremamente foda, por sinal - que leva a carruagem do vilão. E é ainda mais fascinante quando o destino do Meier Link é um castelo que no fim das contas se revela ser uma base de lançamento de um colossal FOGUETE GÓTICO COM DESTINO ATÉ UMA BASE VAMPIRA NA LUA, que era onde o casal queria viver pacificamente longe da humanidade. Ao que parece esse filme adapta vagamente uma das novels, a terceira, para ser mais exato e tem várias divergências no decorrer da rodagem, inclusive a inclusão da vilã final do filme. Por isso fico meio decepcionado porque queria muito ver mais um foguete gótico e uma provável base vampira gótica na Lua. Ainda mais que é provável que nunca mais haja outro filme de Vampire Hunter D.
É, como eu disse, um filme inegavelmente bom e muito divertido de assistir. Ainda tem vários dos problemas do primeiro que certamente se originam da novel, como personagens pouco aprofundados e um D que não é muito inspirador enquanto protagonista, mas também como dois representantes da mesma marca, também é uma peça comparativa excelente de como criar uma belíssima adaptação de uma história e sem necessariamente precisar preocupado com fidelidade, e muito provavelmente se preocupando em negar esse conceito.
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