> # D o dampiro, meio homem e meio vampiro. Um caçador solitário que vaga em busca de sangue e vive ao lado da morte. É um personagem intrigante, assim como o filme de modo geral. Mesmo antigo e com uma animação decente — até mesmo pra época — o longa tem um história sólida e uma inventividade estético-narrativa muito bem vinda.
A história começa um pouco confusa, com uma garota chamada Doris correndo no meio de uma floresta, à noite, perseguindo uma criatura bizarra quando é atacada por um vampiro, mas não um vampiro comum, e sim o Conde Magnus Lee, a temível criatura milenar que domina a região. Uma vez infectada com vampirismo ela recorre ao Caçador de Vampiros D, e junto ao seu irmão Dan eles partem numa jornada para matar o Conde e curar Doris. A história, de certo modo, assemelha-se ao Drácula, de Bram Stoker, com o Conde na busca de uma jovem bela para fazê-la esposa e um caçador que o enfrenta. Há também uma notória inspiração em criaturas lovecraftianas, que são grotescas e estão sempre próximos aos vampiros. O universo de Vampire Hunter D é um pouco estranho, pois ao misturar esses elementos o diretor de arte, Satoshi Matsudaira, contrói um cenário de convivência entre os monstros e os humanos, além de mostrar as diferenças entre locais mais futuristas — como a cabana onde D, Doris e Dan se abrigaram — e certos locais mais provincianos — como no próprio castelo e vila — , o que também dá a entender que a hierarquia nesse mundo é feita sob a égide dos nobres e aristocratas vampiros, que sobrepujaram às demais criaturas e vivem nesses locais antigos, e eles estão no topo da hierarquia.
A animação traz uma mistura entre os gêneros de faroeste e medieval, sob a roupagem de um terror gótico pós-apocalíptico o que é algo muito interessante, e que cria um senso de unicidade à essa obra, sendo praticamente um filho entre Hokuto no Ken e Castlevania. Porém, a direção de Toyoo Ashida nos remete à um anime serializado em diversos momentos, e isso me incomodou muito em diversas partes do longa, pois, a narrativa sofre com certos "truncamentos" quanto à montagem, em que uma cena e outra possui certos lapsos temporais que parecem que cortaram uma parte importante, como o desfecho do combate entre D e Rei. No mais é um bom filme e um excelente progenitor para o Bloodlust.
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