

Eu provavelmente não serei o portador das más notícias para você, mas acho importante começar essa análise dizendo que, infelizmente, Akira Toriyama, mais conhecido como o criador do colosso que é a franquia Dragon Ball, franquia esta que foi, e ainda é, uma parte essencial da minha vida, faleceu no início de 2024, ano em que estou escrevendo este texto.
Quando eu era um otaku mirim, as suas obras, desde a própria jornada de Goku e amigos até Dr. Slump e os one shots bizarros que ele costumava lançar, pareciam ter alguma magia que me mantinha cativado pelo mundinho e pelos personagens por ele criados, o que fez o anúncio da morte do mangaká ser um baque enorme para mim. Passado o luto, eu pensei comigo mesmo: qual a melhor forma de celebrar a carreira de uma artista do que usufruir de suas obras? E foi assim que finalmente tirei Sand Land da minha lista de pendências.
Preciso avisar que sou suspeito para falar desse mangá, já que, além de fã declarado do autor, sou um grande apreciador de “filmes de viagem” (ou road trips), categoria na qual a história se encaixa. Nela, um grupo formado por dois demônios, Beelzebub e Thief, e o xerife humano Rao parte em uma jornada cheia de reviravoltas pelo país criativamente chamado de Sand Land, uma distopia desértica à la Mad Max, a fim de encontrar uma nova fonte de água, já que pagar pela caríssima água vendida pelo governo se tornou inviável. Uma premissa simples, mas abrangente o suficiente para poder gerar um bom desenvolvimento.
Sand Land, para mim, é a versão mais destilada das qualidades e defeitos do Toriyama como autor: é uma história divertida e bem direta ao ponto, a quadrinização e a arte são ótimas, o que torna o mangá bem confortável de se ler, e os personagens e a ambientação, apesar de simples, são criativos e carismáticos, tanto em questão de design quanto de personalidade. Porém, como era de se esperar, a sensação de “poderia ter mais coisa aqui” está sempre a pairar por toda a jornada.
Obviamente, eu não sou a primeira pessoa a notar isso em Sand Land, afinal é um mangá de volume único. Existem diversos aspectos do mundo que são apresentados e não expandidos o suficiente, eu inclusive adoraria passar mais tempo com meu mano Belzebu. Entretanto, fico feliz por ser um dos menos afetados por isso. Ao acabar a última página do quadrinho, apesar dos pesares, me encontrei um tanto satisfeito com o que foi contado. Na verdade, diria até que me surpreendi com a quantidade de “substância” existente em algumas partes da trama.
Não me leve a mal, a história central ainda é o clássico “ah não, este país é governado por uma ditadura corrupta”, mas, dito isso, não imaginava encontrar coisas como referências à 2ª Guerra Mundial e o uso da propaganda como uma forma de “manter o status quo” em uma trama tão curta e descontraída. Isso, somado à habilidade do Toriyama de criar vilões que você ama odiar, ocasiona boas piadas, como o Beelzebub tentando provar para os humanos como os demônios são assustadores (e falhando miseravelmente), e um final conclusivo e climático. É até interessante comparar um mangá mais “planejado” como este com algo como Dragon Ball, feito bem mais no “improviso”.
Resumindo: Sand Land é uma jornada curta, mas proveitosa. A manhã que passei lendo o mangá foi uma das mais divertidas deste ano merda que estou tendo até agora. Além disso, AMO os designs de veículos do Toriyama. Recomendo facilmente/10.
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