


FICHA:
Gêneros: Isekai, Drama, Aventura, Suspense, Mistério
Diretor: Masaharu Watanabe
Estúdio: White Fox (Steins;Gate, Akame Ga Kil!!, The Devil is a Part-Timer!, Katanagari)
História original por: Tappei Nagatsuki
Material fonte: Light Novel
Após muitos anos procrastinando, eu finalmente assisti — por livre e espontânea pressão de um caro amigo meu — o famigerado Re:ZERO, que para muitos, é o melhor isekai que existe — também recebendo o título de obra que desconstruiu o gênero — e, também, uma das obras mais bem escritas já feita, enquanto para outros, é uma obra irritante e cíclica que chateia por sua pretensão e possui um protagonista desprezível e que pouco ou nada evolui na trama. Bom, em obras com opiniões tão inflamadas e diametralmente opostas, costuma-se pensar que há nela elementos que são disruptivos o suficiente para gerar essa miríade de ideias. Porém, irei fazer algo que raramente faço em minhas análises ou meus textos, irei ficar entre esses gregos e troianos e limitar-me-ei e dizer que é uma obra muito boa, porém, não é tão excepcional quanto dizem e, tampouco, é tão execrável quanto afirmam. Para tal, tentarei construir uma boa ideia nesse texto sobre o que achei sobre a primeira temporada Re:ZERO -Starting Life in Another World-.
Adaptada da light novel homônima de Tappei Nagatsuki, nós acompanhamos Natsuki Subaru, que foi convocado para outro mundo no seu caminho de volta da loja de conveniências. Essa seria a tão famosa invocação a um outro mundo?! No entanto, ele não encontrou a pessoa que o invocou, foi atacado por ladrões e correu risco de vida. Na apresentação da obra, vemos Subaru Natsuki, nosso protagonista, como um NEET — termo que compreende pessoas de idade entre 15 e 34 anos que são desempregadas, solteiras, não registradas na escola, não procuram trabalho ou o treinamento profissional necessário para trabalhar —, onde acompanhamos sua ida a uma loja de conveniência, a fim de comprar algo, e depois de distrair-se com alguma coisa estranha, acorda num mundo de fantasia medieval. A introdução é rápida e seca. Nesse início constrói-se o arquétipo padrão do Isekai: o protagonista morre, reincarna no novo mundo e explora-o dotando de poderes incríveis. Mas, aqui, Subaru é alienado de poderes e bênçãos — para além do seu Retorno da Morte —, e, na verdade, é humilhado, furtado e realmente age — e é — um jovem otaku que está perdido no mundo, onde sua construção inicial já prepara-nos para o que virá a seguir. Antes de conhecer Emilia e Pack, Subaru é praticamente o estereótipo do otaku: ele age de maneira esquisita, é fissurado na cultura pop e, como ele mesmo se define, antissocial; desse modo, ele age como avatar de como seria uma pessoa assim nessa situação, sem possuir, ainda, nenhum apelo para sua personagem. Minhas queixas sobre essa apresentação é o quão contraintuiva ela é ao personagem de Subaru. Veja, logo em seguida ele já demonstra ser bem sociável e extrovertido, o que é o completo oposto do que ele mesmo cita sobre si no início.
E sim, eu sei que a verdadeira natureza de nosso protagonista — em todas as escalas que podemos imaginar — é uma das temáticas principais da obra, então, não vou bancar o chato; embora, seja bem estranho, no início, o fato dele não somente estar tranquilo em ser transportado para outro mundo, mas, também, em agir de modo oposto ao que texto expôs. A despeito disso, o primeiro arco da série é interessante, sendo uma boa planta para a construção narrativa futura. Afinal, entendemos que obra prioriza o desenvolvimento dos personagens, destacando suas mentalidades, personalidades e objetivos, em detrimento de uma construção mais elaborada do mundo e do enredo. Este enfoque do autor não desvaloriza o mundo ou o enredo, mas sim, realça a intenção do autor de explorar profundamente os personagens. Para além de nos mostrar o foco da obra, o Arco 1 nos apresenta o mundo e as mecânicas que serão abordadas mais à frente, especialmente o funcionamento da "volta no tempo após a morte" de nosso protagonista. Estruturalmente, o arco inicial estabelece o padrão dos conflitos e suas resoluções: Subaru enfrenta uma situação desafiadora, morre, comprometendo sua relação com o mundo — neste caso, o pingente de Emilia e o assassinato de Rom e Felt — e, em seguida, usa o "Retorno através da Morte" para solucionar o problema, aprendendo e crescendo com seus erros. Vamos, por exemplo, para o segundo arco da série.
Avançando para o segundo arco, após salvar Emilia, Subaru se instala na Mansão de Roswaal e começa a trabalhar como mordomo ao lado das empregadas Ram e Rem. Durante seus primeiros dias, ele é misteriosamente assassinado. Determinado a descobrir o assassino, Subaru utiliza seu poder para ganhar a confiança dos moradores da mansão. Ele descobre uma maldição e, em cada loop, aproxima-se mais do culpado até revelar que o vilão é um cachorro da vila. Nesse processo, ele percebe que Rem o odeia e que precisa conquistar sua confiança para evitar ser morto por ela. Essa habilidade de Subaru é uma faca de dois gumes: ele pode cometer quantos erros forem necessários e sempre voltar a um "checkpoint", mas ao custo de perder todas as relações desenvolvidas no ciclo anterior. Esse sistema de pesos e contrapesos cria um equilíbrio narrativo que mantém o leitor entretido e envolvido emocionalmente com as perdas do personagem, já que o impacto das mortes, sejam suas ou de outros, nunca se dissipa. Sendo assim, creio que esse seja o arco que traz a empatia do espectador aos personagens. Pelo grande foco nas relações e no ritmo mais "slice of life" que a obra toma, começamos a nos importar com esse mundo e seus habitantes, seja por meio dos habitantes da vila — não é à toa que o foco é no grupo de crianças —, seja pela forma pitoresca, hiperbólica e carismática que os moradores da mansão se comportam. Nesse arco há a construção de Rem, e sua história com Ram, até tornar-se a maid pessoal de Subaru, que o admira e o ama com devoção tremenda — assim como qualquer maid genérica em isekais, mas que, aqui, possui um sentido narrativo crível e bastante bem construído.
Mas, indubitavelmente, a série só decola no terceiro e último arco dessa temporada: Retorno a Capital Real. Com os relacionamentos estabelecidos, a obra começa a destruir nosso protagonista, dando um lembrete que ele é apenas mais um nesse vasto mundo. As ações mesquinhas e egoístas que em outras obras seriam louvadas, aqui, caem na cabeça de nosso protagonista e esmaga-o por completo, fazendo-o romper laços e criar inimizades. Afinal, ele, sem conhecer as regras da sociedade, sem conhecer boa parte do mundo, decide simplesmente agir como ele quer, e isso possui um preço. Após, novamente, ser humilhado por um cavaleiro bem mais forte que ele — agora olhando de um ponto de vista mais pragmático, tinha um sentido para que ele se enraivecesse, afinal Subaru fora, de fato, desrespeitoso — ele tem uma grande discussão com Emilia, nela conhecemos um outro lado de nosso "herói", um homem mesquinho que nunca arriscara nada e escondia o fato que ele não fazia aquilo por um motivo nobre, mas, na verdade, ele fazia tudo aquilo para receber algo em troca. Afinal, embora o Subaru tenha ajudado, ele sempre foi dependente de todos a sua volta, deixando o peso das decisões nas mãos de outra pessoa. Basicamente, ele pode arriscar sua vida, porque ele não vai morrer. Aí vem Petelgeuse Romanee-Conti, o Arcebispo da Preguiça.
Ele é, basicamente, a personificação de um antagonista louco e caricato, mas, que funciona perfeitamente para Subaru. Seu discurso sobre a verdadeira loucura e sobre a preguiça de Subaru é algo expositivo, no entanto, mui bem construído. Seus maneirismos e loucuras é como se fossem uma mimese ampliada dos trejeitos de Subaru, e o fato dele ser a Preguiça, torna o discurso mui poderoso contra Subaru, pois, foi por preguiça que ele vivera até aquele momento, e por preguiça ele delega o peso das decisões à outras pessoas. Então, após sofrer essa quebra, tentar pedir a ajuda de todo mundo e os outros personagens não agem como ele gostaria, ele desiste, e desconta tudo em Rem. Ela, como maid à serviço de seu mestre, enxerga o melhor dele, algo que nem ele consegue ver, e de um modo semelhante, mas oposto, a Petelgeuse, ela discursa sobre sua opinião sobre Subaru e ele, finalmente, decide parar de tentar dobrar o mundo à sua vontade, sem entendê-lo, e fugir de riscos. Aqui, para além do melodrama bem construído, a obra consegue, surpreendentemente, evoluir na narrativa, pois sentimos a progressão de Subaru e das personagens, apesar do retorno ao zero. Mas, agora, parece que realmente os vários "ponto zero" de Subaru chegam ao fim quando, em vida, ele verdadeiramente recomeça.
Assim, com Subaru tentando entender as pessoas e mundo, a obra desenvolver o enredo da obra. Algo bastante interessante aqui é como o mundo de Re:Zero é vivo. Como citei anteriormente, ele não depende única e exclusivamente de Subaru para funcionar, na verdade, a personagem é quem precisa adaptar-se à nova realidade e jogar com as peças disponíveis. Nesse sentido, a construção geográfica dos cenários faz-se mister aqui, e, por perícia do autor e da produção do anime, cada local que exploramos possui uma presença memorável para além de ser um "background" estéril para as ações das personagens, como é o caso da maioria dos isekais. Sabemos onde as coisas estão na Mansão de Roswaal e os arredores dela, como sabemos onde estamos na Capital Real e isso, para uma obra de fantasia, é uma substância essencial para que o espectador aprecie junto a personagem esse novo mundo, tornando o worldbuilding aqui simples, mas efetivo. Pois, apesar de não se aprofundar em demasia nos cenários, sabemos sua configuração na história e seu impacto nas personagens. Voltando a reta da obra; eu simplesmente adorei o plot da Baleia Branca e de Petelgeuse. Toda a vingança romântica shakespeariana da personagem Wilhelm, o terror eldtrich na figura horrenda e disforme de uma cachalote alada psíquica enquanto Subaru tem que enfrentar sua própria preguiça, representada por Petelgeuse, torna esse arco o ponto alto da série. E, mesmo que ache o desfecho de Geuse bem anticlimático para o que se construíra, eu diria que Re:Zero foi uma obra bastante surpreendente, e que estou curioso para a próxima temporada.

Um dos destaques da série é, com certeza, seu vasto e icônico elenco, que, embora não quebre clichês como muita gente fala, é funcional e absurdamente divertido de se acompanhar. Pois, eles apoiam o protagonista em vários momentos da trama, assim servem para construir o desenvolvimento de personagem do Subaru, não obstante, possuem personalidades próprias e objetivos próprios com arcos que ora ou outra encontrar-se-ão com Subaru, embora alguns não possuam um grande desenvolvimento de tela aqui. Mas, creio que este elenco secundário possui algo que perpassa a profundidade de personagem: carisma. Eles são figuras carismáticas que toda vez que estão em tela roubam a presença para si, o que prejudica um pouco a formação da figura de Subaru, mas, em compensação, quebra a monotonia dos conflitos do nosso protagonista. Abaixo, citarei os mais relevantes à trama, mas, irei fazer menções honrosas à Crush e Felix, que formam uma dupla interessante e carismática, à Felt, Roswaal, à Julius, e, ao personagem que mais gostei dessa temporada, Wilhelm, e sua emocionante, simples e apaixonante história com sua esposa Theresia, demonstrando que, às vezes, uma curta e simples, mas bem construída, história de amor pode superar grandes épicos, e aqui dá uma substância tremenda ao embate com a baleia.
Subaru, inicialmente, não é um personagem interessante. Sua falta de características empáticas ou marcantes o torna um personagem genérico, cujo humor é muitas vezes insosso. No início, ele depende de interações e diálogos com outros personagens para manter-se relevante, mas frequentemente é ofuscado por suas presenças. Além disso, a obra tende a resolver os conflitos emocionais de Subaru de maneira física, o que é problemático, já que ele não é um lutador. Muitas vezes, surpresas na narrativa funcionam apenas como dispositivos de enredo para resolver problemas aparentemente insolúveis — como Roswall matando os majuu, alienando Subaru de seu momento de resolução —, tornando Subaru um agente passivo que celebra vitórias imerecidas. No entanto, essa construção inicial é crucial para o desenvolvimento do personagem. Ao longo do tempo, a gentileza e bondade de Subaru começam a gerar empatia. Seu ponto de ruptura e a mensagem de amadurecimento são particularmente marcantes, especialmente no diálogo com Rem. Esse momento é a redenção de Subaru, onde ele reconhece suas falhas — sua fraqueza, inutilidade e a errônea percepção de que Emilia deve ser uma recompensa por seus esforços. A honestidade brutal desse reconhecimento e o apoio de Rem motivam Subaru a buscar mudanças e a se tornar uma pessoa melhor. Apesar da emoção que essas cenas geraram em mim, há certos pontos que me incomodaram em seu desenvolvimento. Rem é utilizada como um suporte emocional para Subaru, o que esvazia sua própria personagem. Ela serve como um "travesseiro" onde Subaru se apoia quando está triste, o que é decepcionante considerando seu potencial. Além disso, Subaru não chega a essas conclusões por si só; ele depende constantemente de personagens como Rem, Emilia, Wilhelm e Julius para entender sua situação. Embora isso traia a ideia de autodescoberta que a série tenta promover, permite ao personagem aprender com seus erros. Em suma, Subaru é um bom personagem e protagonista que serve ao propósito da série. Embora precise do auxílio de outros para se desenvolver, ele consegue encontrar um caminho para a honestidade consigo mesmo e com os outros, tornando sua jornada de amadurecimento genuína e significativa.
Rem e Ram são funcionais. Particularmente gosto bastante das duas, embora Ram possua uma acidez em seus comentários que realmente fazem um bom humor na trama. Mas, indubitavelmente, Rem é uma personagem bem mais presente na trama. Rem é uma catalisadora de crescimento de personagem tanto para si, quanto para Subaru. Numa análise metalinguística, ela atua como uma empregada na diegese e na narrativa, pois, serve ao crescimento de Subaru e auxilia-o nas empreitadas. Pois, é ela quem o motiva a continuar, expressando seu amor por ele e sua crença em seu potencial. Esse momento é crucial não apenas para Subaru, mas também para Rem, que finalmente encontra um propósito além de sua devoção à sua irmã e à mansão. Rem possui uma personalidade afável que a torna adorada pela comunidade otaku. Ela encarna a figura da maid subserviente ideal: sempre presente, elogiando, venerando e nunca expondo suas frustrações. Essa característica explica seu apelo, pois oferece uma fantasia de devoção e apoio incondicional. No entanto, essa mesma devoção também é um ponto negativo da obra. Não que eu odeie esse lado dela, mas, após um arco tão interessante com sua irmã, Ram, Rem se limita a amar incondicionalmente Subaru, sem ver ou confrontar seu lado negativo, indicando que não o conhece totalmente. Mesmo assim, ela permanece uma personagem cativante e querida por mim, e eu entendo o apelo que o pessoal tem por ela.
Emilia é uma personagem que, infelizmente, não possui muito destaque na série. Embora seja uma figura central para os objetivos de Subaru, uma das candidatas à Coroa e carregue o estigma de ser associada à Bruxa da Inveja, suas interações com o protagonista são limitadas, especialmente após o primeiro arco. Claro, sabemos que ela é uma pessoa bondosa, altruísta e determinada, sendo interessante como essa bondade também a torna vulnerável, pois muitas vezes é vista com desconfiança ou ressentimento devido à sua semelhança física com a Bruxa, como citei acima. Essa dualidade de ser uma figura de esperança e ao mesmo tempo uma personificação do medo para outros adiciona camadas à sua personagem, mas que nunca são abordadas e/ou desenvolvidas. Eu gosto como o relacionamento de Emilia com Subaru é mais íntimo e multifacetado do que o dele com Rem. Emilia testemunha não apenas os momentos de bravura de Subaru, mas também seus momentos de egoísmo, crueldade e mesquinhez. Essa compreensão mútua das falhas e virtudes um do outro torna o relacionamento deles mais completo e realista. Emilia é capaz de oferecer conforto a Subaru, mesmo quando ele está fingindo confiança, e essa reciprocidade emocional fortalece a conexão entre eles. Além disso, ela não é um saco de pancadas emocional como Rem, pois, mesmo que ofereça amparo e carinho, ela também sofre e se machuca quando ferida emocionalmente, o que torna-a mais humana. Gosto bastante dela, mas, infelizmente, possui pouco tempo de tela. Essa escassez de destaque é lamentável, pois ela tem muito a oferecer à narrativa, tanto em termos de desenvolvimento pessoal quanto na dinâmica com Subaru e outros personagens, como na participação da política e mitologia da obra.
Petelgeuse Romanee-Conti é uma personagem cuja maldade e loucura são exploradas de uma forma simples, mas eficaz, ao longo de seu arco. Sua presença estranha, semblante disforme, devoção fanática, comportamento errático e poder aterrorizante criam um antagonista que é ao mesmo tempo fascinante e horripilante, na mesma medida que assemelha-se ao nosso protagonista, como um espelho quebrado. Afinal, ele vê em Subaru um potencial substituto ou sucessor, e suas tentativas de convertê-lo, assim como a percepção errônea de que Subaru é "preguiçoso" como ele, geram um ponto de virada para nosso protagonista que faz com que ele progrida como pessoa. Pois, Petelgeuse é devoto à Bruxa como Subaru é à Emilia, no entanto, o amor deles diferem, pois enquanto um busca algo em troca, a reciprocidade que Geuse anseia da Bruxa, o outro entende o seu sentimento, mas não espera que ela retribua como um favor, mas, que ela verdadeiramente se apaixone. Infelizmente, achei seu desfecho bem insosso, para não dizer ruim. É tão súbito e nada catártico que pareceu-me que ele era um "vilão da semana" em um battle shounen, onde pouco nos importamos com ele. Mas, espero que ele retorne, nem que seja em um flashback.

O character design de Kyuuta Sakai não é algo fora da curva, afinal, ela ainda mantém o traço de Shinichirou Ootsuka, com esse estilo suavizado nas formas e linhas muito inspirado no estilo moe, o que possui uma certa lógica vide a obra fazer várias referências à cultura otaku — algo que ela é acostumada, pois trabalhou em Steins;Gate, que também possui esse apelo. Porém, cada um possui um estilo de vestimenta e esquema de cores tão idiossincrático às suas respectivas personalidades, que pouco importa o quão "memorável" ou "único" é o design das personagens. Mas, devo dizer que o trabalho de animação aqui é muito bom. Masaharu Watanabe — que já trabalhou em Naruto (clássico, Shippuden e os filmes) e salvo engano assumiu a direção pela primeira vez em Wakaba*Girl —, faz um bom papel na direção e entrega uma obra com uma animação constantemente boa nos episódios. A produção, no entanto, brilha em momentos-chave da obra, como o Subaru chorando para a Rem, ou quando Petelgeuse quebra seu psicológico. Comumente a composição da cena é bem dramática, com foco em primeiro plano no rosto de Subaru, que fica absurdamente expressivo e lotado de sakugas, enquanto a câmera fica meio trêmula e desfocada do cenário, para demonstrar a instabilidade física e mental que Subaru passa, servindo perfeitamente a dramatização. A trilha sonora de Suehiro Kenichirou é simples e quase sempre passou-me despercebida, mas, toda vez que há algum momento que exige uma dramatização maior na direção, ou um embate épico ou um encontro com Betelgeuse, a trilha consome a cena e torna-a mui poderosa, como, por exemplo, no final do episódio 15 e do episódio 18, que são cenas emocionalmente incríveis, mas que possuem contextos diferentes — sendo, respectivamente, a queda e o recomeço de Subaru. A performance dos Seiyū também estão incríveis em seus respectivos papeis, mas vale o destaque à Yuusuke Kobayashi. Seu desempenho espetacular dá uma forma sólida à Natsuki Subaru, capturando perfeitamente os tons erráticos e nuances absurdas necessários para refletir a complexa personalidade do personagem. Os gritos de dor e sofrimento de Subaru, sua voz embargada pela tristeza e seus maneirismos de linguagem são magistralmente interpretados por Yuusuke, conferindo uma profundidade e substância tremendas ao personagem. Através de sua atuação, Subaru realmente ganha vida, e podemos sentir junto à ele todas as dores que ele passa. Também quero destacar Yoshitsugu Matsuoka como o bizarro Petelgeuse, cuja performance estridente, descontrolada e pitoresca, dá ao personagem um ar ainda mais macabro e instável que sua aparência.
Enfim, Re:ZERO -Starting Life in Another World- não revoluciona o gênero isekai, nem busca subverter suas convenções, mas também está longe de ser uma obra irritante ou pretensiosa. Na verdade, trata-se de uma história honesta tanto consigo mesma quanto com o espectador. A série não tem medo de utilizar os códigos tradicionais do isekai, mas também não se limita a eles, oferecendo um exemplo simples e frontal de autodescoberta e amadurecimento de um jovem adulto. Pessoalmente, gostei bastante e estou ansioso para começar a segunda temporada em breve.
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