
a review by gagueher0

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Uma história de delinquentes limpinha.
Foi esse o sentimento que me pegou quando assisti ao primeiro episódio de Wind Breaker. E falo isso não só pelo fato da equipe da Furin ser quem protege aquele distrito, falo de design mesmo.
Esse subgênero dos mangás e animes de ação era marcado pelos personagens casca grossa e carrancudos até o começo dos anos 2000, quando foi completamente escanteado e relegado a um nicho de saudosistas, mas que começou a emergir de volta atualmente repaginado, dessa vez com personagens muito mais esguios e “bonitos”, tais como Tokyo Revengers e agora o próprio Wind Breaker.
Mas é curioso pensar no caso de Wind Breaker que o trauma do Sakura Haruka, nosso protagonista, é de ser considerado uma pessoa feia, por ter o cabelo bicolor. Acontece que isso gera um estranhamento no espectador muito forte, porque o Sakura não é feio visualmente na série.
Não só ele não é feio, como ele está longe de ser o design mais diferentão que o anime vai nos apresentar. Seja dentro ou fora do Furin, a lógica dos cabelos coloridos de anime se faz presente em Wind Breaker, então fica um pouco difícil de comprar esse drama inicial do personagem.
Se ele não funciona enquanto drama, funciona muito bem no sentido temático e como setup para a psiquê do Sakura. Acontece que Wind Breakers realmente não se enxerga como a sua história de gangue convencional. Mas para falar disso, um pouco de contexto.
Os mangás de delinquente são, como dito acima, um subgênero dos mangás de ação. Uma parte considerável deles aborda a perspectiva de jovens desajustados, normalmente do sexo masculino, que frustrados com a falta de perspectiva de futuro e desprezo pelas regras em lutas mano a mano pela cidade. Normalmente esse subgênero apresenta o delinquente como essa pessoa sem lugar que extravasa a raiva caindo no soco com outros delinquentes e encontra uma comunidade que o acolhe dentro da gangue.
Pois bem, partindo disso, Wind Breaker se faz a seguinte pergunta: “Mas e se chegasse um cara que é forte e decidisse tornar a gangue um trabalho comunitário?” Esse cara é o Umemiya Hajime. Umemiya é um terceiranista da Furin e quem decidiu tornar ela a protetora do distrito. Também é ele o personagem mais interessante dessa primeira temporada.
A direção e o texto fazem um ótimo trabalho de de fato te venderem que esse é o cara desde o momento que ele aparece em tela pela primeira vez. O revés disso é que, a partir do momento que ele é introduzido, o Sakura acaba ficando um tanto apagado e a história tem um pouco de dificuldade de colocar que o Sakura é o cara que deveríamos estar prestando atenção, especialmente no arco contra a Shishitoren.
Por falar em Shishitoren, esse é o grande arco da temporada. Uma escola rival governada pela força que, por circunstâncias que não quero estragar, desafia a Furin para um duelo de 5 contra 5. As lutas desse arco variam bastante de qualidade, temos desde simplórias resolvidas em um soco até longas coreografias de múltiplos episódios. Destaco aqui a luta do Suou Hayato, outro primeiranista com ar misterioso que parece estrategista, **e a luta do Sakura. Inclusive o trabalho da Cloverworks** de animação e coreografia são dignos de nota aqui, mas na temporada como um todo.
O arco da Shishitoren é, em muitos aspectos, um arco sobre o que seria a Furin se ela fosse o que o Sakura esperava dela. O Sakura entra na Furin para se provar digno de existir, tudo que ele conhece é a violência, e a resolução dos problemas é por meio da força individual. Ele decide entrar nessa escola para ser o mais forte e assim provar que todo o preconceito que ele sofreu estava errado.
A Shishitoren é uma escola que acredita no poder do mais forte e seu líder da vez, Tomiyama Chouji, acredita que o mais forte é quem é mais livre. Mas ao chegar ao topo, Chouji só encontrou o vazio e o tédio. Culpou seu time. Expulsou aqueles que falhavam, destruindo o clima de camaradagem da Shishitoren e instaurando uma ditadura da força no lugar. Tudo isso com a anuência do Togame Jou, braço direito de Chouji que decidiu sujar as mãos pelos sonho chefe.
Para falar das duas lutas mais relevantes para o arco, preciso entrar em terreno de spoilers.
O Jou, por outro lado, é um antagonista muito mais interessante, como ele vai afundando na própria lama por não ter a coragem de impedir o Chouji, por uma idolatria e pelo garoto ter sido aquele que finalmente ofereceu uma ponto para o Jou, isso sim é muito mais interessante. Especialmente quando, depois de se dar conta de onde tudo aquilo está levando, o Jou decidir entregar a luta para o Sakura e terminarmos esse embate em um anticlímax muito interessante.
Esse arco é um passo importante para o Sakura, é a primeira vez que ele se conecta com outra pessoa através do embate físico, e já vemos sinais de uma mudança na personalidade dele. O que é estranho cronologicamente, sendo esse o primeiro dia de aula ainda, mas dramaticamente funciona bem.
Então a série acaba um tanto quanto sem rumo no final da temporada, ela fechar com o Sakura se tornando o líder do primeiro ano seria um bom fechamento, mas ela ainda coloca um décimo terceiro episódio que abre o próximo arco em uma ponte safadíssima para a segunda temporada que só estreia no ano que vem… É esquisito.
Fechando com a ideia da temporada, o Sakura, aquele que via a si mesmo como lobo solitário, é transformado em representante de sala. Ele ainda não conhece o nome de todos, mas se esforça e se apoia nos dois secretários, o já citado Hayato e o garoto exposição Nirei Akihiko. Essa temporada então leva o Sakura a encontrar o seu lugar dentro da Furin, e por mais que estruturalmente falando ter o teaser da segunda temporada seja estranho, para fechar um primeiro arco dramático do Sakura, a cena da sala descendo inteira para ajudar um dos seus com problemas sumariza muito dos temas dessa primeira temporada.
Ninguém vai longe sozinho, nenhum homem é uma ilha e tudo que todo adolescente mais quer é ter uns brother pra sair no soco.
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