Houseki no Kuni
Treze volumes, um ainda não encadernado, o mangá terminou em 108 capítulos e diversas emoções floresceram no caminho para esse fim. A obra conhecida no seu país de origem como Houseki no Kuni e traduzida pela New Pop como Terra das Gema apresenta uma saga que aborda de forma extremamente filosófica e emocionante a questão sobre propósito, humanidade e uma busca por felicidade.

Narrativa
A história aborda um futuro devastado onde acompanhamos a princípio uma sociedade de gemas humanoides, dentre essas o protagonista, Phosphophylite, o Phos, busca encontrar seu lugar naquela sociedade a partir de um trabalho que ele possa executar, essa proposta dá uma liberdade para autora para justamente explorar essa ilha e pequena sociedade, nós dando ao menos um pequeno insight sobre outros personagens. Até chegarmos em uma das principais gemas que ronda os pensamentos do Phos, o Shinsha, este que tem um complexo dilema que o faz se isolar a noite, vegetando e esperando para que seu fim venha. Assim o phos se coloca em uma nova missão, achar um trabalho para esta joia que acaba discretamente pondo suas esperanças nele.
O mangá por si só já se mostra uma obra de arte completa em inúmeros aspectos, sua delicadeza ao lidar com uma história complexa e comovente que se arquiteta tendo como base não só na filosofia e estética budista, mas também junto a uma estrutura de jornada que lhe apoia em vários pontos de vista. Ou seja, como na vida somos uma perpétua mudança, pode se dizer que o tom da narrativa também se altera para adequar-se ao momento do protagonista, criando tanto momentos que ajudam o leitor a criar um laço com os personagens, seja na vontade de apoiá-los, seja na vontade de aconselhar-lós com relação a seus erros. Cada personagem é único, a autora não trouxe um número nem exacerbado nem diminuto deles, e soube os trabalhar levando cada um ao destaque e a qualidade que merecem, personagens principais como o Shiinsa, o próprio Phos, Kongou e Antarc, tem momentos incríveis e enriquecem a história com cada interação deles com o mundo e consigo mesmos, assim sempre sendo auxiliados pela rica gama de personagens secundários como Rutile e os três diamantes, Dia, Bort, e Yellow, são alguns dos mais destacáveis, tendo cada um dilemas próprios que se integram como um grande complemento para história e contando-a de perspectivas extremamente plausíveis e interessantes, outros personagens que também tem destaque mais à frente como Cairngorm, Padparadscha e Euclase são integrados organicamente e nunca se sente que foi realmente uma resposta para satisfazer a história e sim um mecanismo que sempre esteve lá.
Arte
Além de sua história rica, o que não se vê em falta é uma beleza estética, tanto por escolhas de design quanto pelo traço e atmosfera da obra. Cada povo derivado da humanidade tem sua identidade visual não só marcada como construída de forma a ser não só impactante quando em outro cenário, mas também cada um nós diz muito sobre o comportamento e visão que a autora quer passar, os povo da lua a princípio parece com figuras religiosas e inexpressivas até começar a se aprofundar neles, o povo do mar tem uma aparência fabulosa e até real e isso já nos fala sobre tudo que precisamos saber sobre o que eles são e por fim as gemas tendo toda sua sociedade formal e simples, nada mais justo do que usarem as roupas mais próximas dos leitores. Nesses pequenos detalhes se forma um mundo de apesar de ser muito movimentado por lutas e segredos ainda tem uma identidade muito pacata e desolada num sentido de sozinha. O traço e o gradiente dos infames tons de cinza se mostram também essenciais, seja em demonstrar algo objetivo da cena quanto para causar um impacto emocional como em cenas do arco da lua, é sentido que tudo feito nesta obra tem um carinho e atenção especiais, nada é deixado apenas por motivo nenhum, como dito anteriormente é sempre algo que sempre está lá, mas que floresce nos momentos necessários. Portanto vale dizer que a arte não deixa a desejar, principalmente, assim como na historia, quando se trata do phos, ele que tem variados designs que conseguem sempre transmitir quase que de forma transparente o sentimento principal ou a personalidade dele naquele arco, em cada parte se nota como os elementos que constituem ele vão se renovando, misturando e constituindo uma nova forma, eles conseguem sempre entrar em uma sinergia ideal, assim trazendo a tona ainda mais do personagem e da obra.
Mensagem
Outro aspecto principal de Houseki no Kuni é o que a obra deixa para nós em forma de mensagem, nisto não apenas se é notório a imensa sabedoria emocional da obra com as inúmeras frases que personagens como o Kongou e até o próprio phos disseram como o pequeno discurso sobre se deixar sentir e esquecer quando lhe for natural, ou o phos mais para frente na obra reconhecendo o valor de seu estado primário. Tudo se da de uma maneira que aos poucos vai ensinando o individuo através de sentimentos e sobre ele, um saber que ultrapassa a linguagem escrita, um saber que por empatia se da de forma magnifica, de forma sincera e sutil, sem impor nada, como uma conversa direta com o leitor enquanto se deita no gramado da ilha. Esta obra consegue por uma atmosfera que por muitas vezes além de imersiva ela chega a ser educativa, buscando mostrar os personagens de mais do que um único ângulo para que se possa aprender com seus erros e acertos. Apesar de seu cunho religioso budista o que é passado em Houseki no Kuni pode ser estendido a qualquer pessoa e o universalismo e variedade de mensagens na obra são uma das qualidades mais louváveis e difíceis de serem executadas com maestria, alguns dos temas como, humanidade, individualismo e amor, são tocados tendo seus núcleos em personagens que acabam por ressaltar isso de uma forma natural mas inusitada, como um segredo que se abre para o leitor ao explorar aquele personagem com atenção. Assim se desenrolando até o final de forma orgânica
Pontos Fortes e Fracos
Fortes
fracos
Considerações Finais
É difícil se ver defeitos em obras como Houseki no Kuni, com um dos finais mais magníficos já vistos e uma serie de arcos emocionantes, personagens como Cairngorm e Phos trazem bastante reflexões sobre o amago de nossa existência e o ímpeto para se ver livre, este manga possui uma arte que se adequa muito bem ao que ele propõe. A leitura por ser curta se torna ainda mais dinâmica e rápida e ainda assim de jeito nenhum se torna cansativa pela forma como diálogos são administrados na serie. no Brazil a New Pop não deixou os volumes por valores extorsivos então os volumes físicos são acessíveis e no geral todo leitor pode ter um bom tempo consumindo Terra das Gemas
"adoravel"
-- phos olhando para si mesmo
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