

Através das páginas de 95 capítulos e 24 volumes se deram as aventuras do Jojo da sétima parte dessa série, esta por sua vez é a vez de Johnny contar a história de como ele aprendeu a andar. A corrida Steel Ball Run, organizada por Steven Steel e sua série de patrocinadores reúne nas terras de San Diego no ano de 1890 diversos corredores em seus cavalos para disputarem em diversas etapas de corridas menores suas habilidades até chegarem a Nova Iorque, o vencedor receberá a dinheirada de 50 milhões de dólares. A princípio acompanha-se os motivos de diversos dos corredores entrarem na corrida, como o Sandman, um indígena americano que quer usar o dinheiro para assegurar a terra de seus ancestrais para sua tribo, Pocoloco, um camponês que após ter sua sorte lida por uma reencarnação da Enya acredita que terá imensa sorte na corrida e mudara completamente de vida, entre muitos outros que querem correr por dinheiro ou fama, como Diego Brando, Urmud Avdol e Mountain Tin. Apesar de todos os nomes conhecidos e não conhecidos, o principal está em dois homens que acabam por um acaso do destino se encontrando na inscrição da corrida, um ex-jóquei famoso que agora se encontra cadeirante, Johnny Joestar, e um misterioso homem com uma aparência peculiar e uma arma mais peculiar ainda, Gyro Zeppeli o portador de uma bola de aço capaz de executar um poder misterioso com sua rotação, este que ao acidentalmente entrar em contato com o corpo debilitado de Johnny o faz erguer suas pernas momentaneamente, então determinado a descobrir como funciona se determina a entrar na corrida e correr ao lado de Gyro, este impressionado pela determinação e vendo talento no jovem resolve o ajudar, assim ambos começam uma amizade que renderia uma aventura bizarramente incrível e perigosa ao descobrir mais e mais sobre as verdades desta corrida.

Ao contrário de outras das partes de Jojo's que dependem unicamente da estética e possuem uma narrativa um tanto superficial, direta e até maniqueísta em, essa parte de Jojo's possui uma narrativa muito bem encorpada, com muitos personagens trabalhados, claro que não tanto quanto os principais, mas ainda assim é fácil notar que em cada um a posto um esforço e paixão por parte do autor, cada um com motivações e sonhos, o que faz com que cada um tenha sua própria visão, não um simples jogo de escuridão e luz, mas sim inúmeras penumbras que ficam entre os dois. Sandman é um ótimo exemplo para isso, apesar de ser presente a maior parte do tempo aparecer apenas como um integrante da corrida ele é trabalhado para justificar fazer o que faz, apesar de que não é uma construção que vai afundo, como acontece também com outros personagens, ela ainda serve para constituir os dilemas morais da série. Outro aspecto em pleno vigor na série, é o quão tocante ela é, os personagens por serem muito humanos torna os sentimentos e ações desses muito imprevisíveis, assim como o suspense da história se dá também pela imprevisibilidade de todos os eventos e poderes estranhos que existem naquele lugar. Quando um personagem está sentindo algo, o leitor sente com ele, essa forma de carisma é tão forte que é capaz de trazer ao coração de quem acompanha as árduas aventuras de Johnny uma rapidez tão grande que em momentos como no dilema final da batalha contra o principal antagonista é quase como se um ataque cardíaco viesse, mas se para o suspense e a dor existe o aperto, igualmente para a ressignificação e o alívio o suspiro longo e quente, momentos em que você pode apenas agradecer por tudo que passou e seguir junto ao protagonista para a próxima parte. Ademais, além de ótimos dilemas e emocionantes reviravoltas existe o fato de que essa parte tem muito mais músculos para mover seu esqueleto, a forma como ela se encorpa ao ao menos dar uma história mais construída ou introduzir uma para os personagens, para que sejam mais palpáveis, como dito anteriormente, humanos é como se descreveria a forma como são criados, assim cada um tem problemas e sonhos, altos e tombos, verdadeiramente é algo lindo de se ver. Outro aspecto, é a forma como a temática aqui, muito mais bem executada que na parte 5 por exemplo, interfere diretamente com a narrativa, a corrida de cavalos se mantém presente e intrínseca a narrativa, seja pelo motivo da realidade por trás dela, seja por ela em si, ela sempre está lá e vemos ela acontece como uma realidade corrente, tudo tem a ver com ela e ela modifica tudo com o passar do mangá, o autor fez bem escolhendo tal tema, pois encaixou como uma luva no que a narrativa se propõe a fazer. Além disso, apesar de serem por vezes deixados de lado, os personagens secundários cumprem bem o papel de servir de apoio para o crescimento do protagonista, cada vez que alguém aparece, nunca se está ali à toa, como acontecia em partes anteriores, sempre há uma ressignificação do que acontece e isso instiga o Johnny a ir além e correr atrás do principal ponto de toda a narrativa. A disputa entre Johnny e o principal antagonista da parte é uma disputa acirrada, um tanto confusa se não for entendido a princípio certos poderes, intensa e principalmente ela não é cansativa, a corrida dos dois para adquirir o objeto motor da trama é extremamente bem polida e ao mesmo tempo acidentada, com nem sempre tendo vitórias dos protagonistas, ou tendo personagens conflitando com outros em busca de poder ou de algum objetivo pessoal como perdão e entrando na disputa para brigar com Johnny e Gyro por seus sonhos. Assim sendo não resta dúvidas quanto a afirmar que a narrativa de Steel Ball Run é impecável no que se propõe, ela conta do começo ao fim de forma vivida e sagaz a história de como Johnny Joestar aprende a andar.

Jojo’s não é Jojo’s sem sua única estética que agrega até mesmo em uma grande identidade temática um tom de extravagância próprio do autor, nesta sequência de sua tão aclamada série ele conta não só com um design de personagens extremamente eficaz e distinto, como também alia toda sua estética a uma magnífica produção que permite com que ela brilhe ao máximo. Assim sendo, cada personagem, até mesmo sendo de menor importância tem um design que o caracteriza como alguém e não só um simples NPC A que praticamente o rosto é o mesmo que nada, além de tal qualidade, também é importante ressaltar que os designs de personagens importantes não só é memorável como consegue entregar bastante sobre o personagem em si para o leitor, seja através de suas roupas ou acessórios, ou seja a partir de sua fisionomia. Ótimos exemplos para tal se encontram tanto em um vilão menor que é o garoto do chapéu torta de porco que é tem sua estética inteira baseada em ter alguns parafusos a menos, outro no, exemplo é o Diego Brando, que mesmo com uma repaginada para se tornar um famoso jóquei continua com seu olhar arrogante e faminto e um rosto que expressa a mais pura face de um trapaceiro ganancioso. Outro aspecto que se encontra em evidência como dito anteriormente é a temática da época, uma corrida de cavalos nos anos 1890, essa apesar de não somente agregar na estética como também na área da narrativa, encontra sua expressão mais valiosa ao ser uma grande fronteira para delimitar até onde vão as bizarrices estéticas do autor, o tema consegue agregar e reger a obra, por mais que não interfira nos desejos do próprio homem escrevendo tal, assim ele consegue fazer com que até mesmo a aparência dos stands tenha uma coerência com todo o tom do resto. Por fim um dos maiores aliados da produção nesta parte foram as páginas duplas e a quadrinização, ambas aplicadas de forma mais intensa que o comum, dando um impulso para não só o ritmo do leitor acompanhar fluidamente o ritmo da história como também para gerar cenas em que justamente o leitor pare e aprecie ou se sinta impactado, digerindo aquele momento emocionante juntamente com os personagens. Assim sendo, toda a estética maravilhosa de Jojo’s atinge seu ápice nesta parte, de forma praticamente perfeita para o que se propõe.

Diferente das outras partes, Steel Ball Run possui capítulos mais longos com um numero significativo de paginas e mais bem elaboradas pelo autor ter um prazo maior para faze-las, essa estrutura permite criar tensão e conflitos que se resolvam no mesmo volume, uma coisa menos "quebrada" do que os capítulos curtos semanais, assim, o ritmo também é afetado por esse aumento de paginas, fazendo realmente o tempo parecer ser diferente das anteriores, uma coisa mais orgânica mas ao mesmo tempo manipulável para se adaptar a quantas paginas os personagens precisarem para passar por aquilo, a quadrinização também ajuda nesse quesito por entregar um movimento fluido dos olhos através da pagina. No geral toda a estrutura de suporte de Steel Ball Run é bem solida e cumpre com grande êxito seu papel.

Mensagens implícitas ou filosofias não são o foco de tal obra, mas pode se notar alguns conceitos que o autor quis trazer a tona com esta obra. alguns desses, foram desenvolvidos bem, como a questão de andar do Johnny, o primeiro guardanapo do vilão, e de certa perspectiva até o caminho do homem íntegro e o da sociedade do Gyro contra o seu pai, mas outros ficaram um pouco na sombra da trama principal como a questão da remissão dos pecados de Hot Pants ou até mesmo alguns diriam o patriotismo exacerbado do vilão que ficou na sombra de sua outra filosofia que se complementa a essa mas não chega a ser um conceito só. Ademais é interessante ressaltar como os conceitos de “gravidade” com relação ao destino e as lições de Gyro são pontos que são extremamente respeitados e carregam desde antes da obra até o seu final uma importância explícita e implícita capaz de ser algo que enriquece ainda mais a história quanto mais se nota.

Apesar de ser uma elipse em certos aspectos, essa história é mais bem concatenadas e redonda que as demais partes, o que mostra a melhora do autor com relação a problemas que apresentava em partes anteriores. Outro aspecto notório é que apesar de não possuir um subtexto forte, essa é uma narrativa que se sustenta por si só, uma das melhores ao executar isso, assim Steel Ball Run se apresenta carismática, de uma forma tão singular e brilhante que ofusca os demais aspectos a fazendo ser o mangá favorito de diversos leitores, apesar de talvez não ser o segundo melhor mangá da história ele sem dúvidas é um dos melhores, um mérito que talvez não vejamos por aí por um bom temp. JoJo no Kimyou na Bouken - Steel Ball Run é uma joia rara da genialidade de um mangaka que elevou sua criatividade a outro patamar.


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