

O Fujimoto talvez seja muito conhecido e apreciado pelas bizarrices que ele desenha. Chainsaw man e Fire Punch são lotados de cenas e mais cenas de ação bizarras, com muita violência que é até cartunesco. Mas ele também é um autor que sabe muito bem criar peso em momentos mais cotidianos de seus personagens, por várias vezes apostando em algo mais introspectivo. Em momentos dramáticos para seus protagonistas o Fujimoto sempre me encantou e quando saiu esse One-shot não foi diferente. Me emocionei muito com a história linda que ele estava contando ali, da maneira que sempre amei as suas histórias, utilizando muito do silêncio dos painéis para passar esse sentimento de solidão ou de tranquilidade. Ver a adaptação agora (no cinema!!) me levou de volta a todo esse sentimento do mangá.
Look Back acompanha Fujino, uma garota que desenha suas tirinhas de grande sucesso no jornal da escola, até que perde o posto de melhor desenhista para Kyomoto, uma outra aluna que começa a desenhar também no jornal, mas que nunca sequer vai a escola. Fujino, para tentar superar a colega, começa a praticar incessantemente desenho em cenas sem diálogo, variando somente o cenário enquanto pequenos elementos que entram e saem compõe essa jornada dela no filme, tudo acompanhado por uma trilha lindíssima. Mas tudo é em vão, ao ver que não consegue superar Kyomoto, Fujino desiste do desenho definitivamente. É só quando as duas se encontram e decidem trabalhar juntas que ela volta a desenhar, e se antes ela fazia isso na força do ódio, agora é com a amizade e companhia de Kyomoto.
É realmente linda essa transição dela sozinha para o mesmo tipo de composição agora com as duas em quadro. A trilha que antes já era linda agora tem um aspecto mais bonito ainda e agora é acompanhada por um mundo colorido e parece até mágico. Ambas amam aquilo e isso fica muito evidente nas montagens sem diálogo nenhum que o filme faz, como em toda a sequência do encontro das duas pela cidade, alterando aquelas cenas em primeira pessoa que já começam a construir o apelo dramático principal. Assisti tudo até ai lacrimejando.
No último terço então que vem a parte mais dramática, com a perda total da cor e da vida novamente quando Kyomoto e Fujino se separam. Isso que só volta naquela sequência do "universo alternativo" onde Kyomoto continua viva. O final é devastador e ao mesmo tempo muito bonito tal qual foi no mangá, todo aquele sufocamento e o luto soterrados pelo trabalho e por aquilo que um dia ela já fez com amor junto de quem ela amava, mas que ao mesmo tempo parece uma forma de celebrar e manter vivo aquilo que a amiga tanto amava.
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