
a review by KaiSeinen

a review by KaiSeinen
Ao nos deparar com Aria, temos um anime focado no mono no aware que busca elementos em sua encenação mais lúdicos ao transformar àquela cidade aos olhos da protagonista, utilizando muito de uma fotografia que, mesmo mágica em algum sentido, com a paleta de cores em contraste e elementos diegéticos que uma cidade portuária comumente tem como as gaivotas e os takes nos córregos de neo-veneza correndo em calmaria ao som das ondas se quebrando.
Fuujin Monogatari procura olhar para essa realização mágica e afável num mais explícito. Tudo está em prol de como o vento transmuta o espaço e ressoa com o coração dos personagens. O design dos personagens e dos elementos ordinários acompanha a fluidez e dinamismo das enxurradas de vento com suas escolhas disformes e planas, ao mesmo tempo em que o cenário se encorpa de mais potência conforme o anime transporta os locais e a passagem de tempo. A cidade dos dos dominadores possui um contraste verde muito intenso em seus elementos bucólios, assim como a primavera é recheada de rosa das folhas de cerejeira ou a intensidade do luar tomando conta do urbanismo em cenas decupadas nos becos.
Essa intensidade dos cenários ganham força ao lado dos personagens planos e visualmente simples. Todo o sentimento transbordado que rodeia o vento e sua capacidade de viajar o mundo ao mesmo tempo em que se mostra uma metáfora da continuidade da vida é externado para essas escolhas intensas.
A protagonista se vê em constante mudança, não só do viajar do tempo, mas do rearranjar de seus sentimentos, à medida em que a metáfora de sua dominação aumenta ou diminui conforme seu coração está afável ou conturbado. A experimentação que está sempre a sofrer ao se parar com as ocasiões da vida e como sempre está contemplando cada momento com sua câmera, quase como se quisesse captar seu sentimento aos céus em cada foto tirada parte de um incessante apreço pelo momento presente que se esvai, à medida em que também tem contato com histórias alheias e paixões que moveram pessoas diferentes para lugares diferentes, onde todo sentimento é válido, seja uma senhora nostálgica com seu passado amoroso que reverbera ao entrar em contato com a primavera, com crianças aproveitando a ingenuidade de sua infância ao brincar na rua, com casais que se amam mas estão mal resolvidos ou professores que percorreram o mundo.
Nessa imensidão de observação em poucas distâncias, mas muitos cenários, que o elenco principal viaja, diferente dos outros personagens que encontram um lugar em comum, um lar, em que seus corações se estabelecem e podem contemplar as mudanças que o vento (também de forma metafórica) proporcionada, as crianças da escola não possuem esse lugar, mas entendem a vastidão de possibilidades e se colocam apreciadores de toda essa transformação da vida ao se deixar levar por todos os estímulos e situações em que podem ser expostos.
E dessa forma tudo se encaminha. Assim como o vento não despersa em um lugar em específico, a protagonista termina contemplando o céu, depois de ciclos se fecharem e outros retornarem. Numa visão mais alegórica de todas essas experiências, não é exatamente um fim, mas uma continuidade, assim como a infinitude de novas experiências, de momentos, querendo ou não, finitos.
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