

Evangelion 3.0+1.0 é, de longe, o final mais redondo que a franquia já teve. É bonito, emocional, cheio de significado — e entrega um encerramento digno pro Shinji, que finalmente toma as rédeas da própria vida. É um final que te abraça, em vez de te deixar no chão chorando e se perguntando o que acabou de acontecer. E isso é ótimo... mas ao mesmo tempo, é justamente aí que sinto que falta alguma coisa.
Os Rebuilds como um todo criam uma história interessante, visualmente absurda e cheia de ideias novas. Eles têm seus próprios méritos e não são só uma “releitura” do anime. Mas, em vários momentos, parece que o foco nas lutas e no espetáculo visual acaba engolindo o que fazia Evangelion ser tão marcante: o mergulho pesado nos conflitos internos dos personagens. Aqui, a ação é linda — mas também cansa. A densidade psicológica vai se perdendo a cada filme, e o 3.0+1.0 é praticamente uma ópera de combate com pitadas de existencialismo.
O ponto mais alto do filme, curiosamente, não tem nada de Evangelions lutando ou destruição em massa. É o trecho inicial no vilarejo. Aquele momento de pausa, de reconstrução silenciosa, de pequenas interações e humanidade crua. Ali, o filme mostra que Evangelion não precisa ser bom só quando tá mergulhado em caos ou em mechas se socando no espaço-tempo — ele brilha justamente quando desacelera. E depois disso, quando o filme volta a focar nas batalhas, nas explicações técnicas demais e especialmente na trama da Misato e do time dela (que é praticamente metade do filme), tudo parece muito menos envolvente. Chega a ser entediante em alguns pontos, como se o filme estivesse tentando te impressionar, mas você já tivesse entendido o que realmente importa.
Ainda assim, o filme tem cenas muito bonitas, principalmente nos momentos de pausa. A conversa no vilarejo, os reencontros, o final no mundo real. Tudo isso funciona muito bem e fecha a história de um jeito maduro. Mas por mais que eu tenha gostado, nada disso me bateu tão forte quanto o vazio e a angústia caótica do anime original. The End of Evangelion, mesmo sendo um pesadelo confuso e perturbador, ainda me parece mais impactante. Mais honesto, talvez. Como se fosse o fundo do poço que você precisava ver pra entender o que Evangelion realmente era.
Foi uma reassistida da franquia inteira, e nessa volta percebi que hoje valorizo muito mais o existencialismo do clássico. Quando vi pela primeira vez, acho que eu me apegava mais às lutas e ao drama visual, mas agora ficou claro o quanto o verdadeiro peso da obra tá mesmo nas angústias, nos silêncios e na confusão interna dos personagens. E isso deixou um gostinho meio amargo com os Rebuilds — por mais incrível que esse último filme seja, sinto que eles abriram mão de algo essencial no caminho.
No fim, o Rebuild fecha com uma mensagem positiva, como se dissesse “tá tudo bem seguir em frente”. E é reconfortante. Só que, pessoalmente, acho que nunca vai doer (nem marcar) como o final que dizia: “isso é o melhor que você vai ter. Lide com isso.”
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