
a review by DecoVsMyGPA

a review by DecoVsMyGPA
Em um mundo cheio de informação, o que a gente imaginava ser útil se tornou um problema, não conseguimos viver sem todo essa informação vindo e voltando da nossa cabeça, não conseguimos mais passar nossos dias sem ter certeza que estamos a par de tudo que aconteceu, acontece e vai acontecer no mundo inteiro, não conseguimos mais deitar a nossa cabeça e pensar no nosso dia dia sem lembrar das tragédias e das notícias do outro lado do planeta. Esse input automático e sem parar de notícias não consegue se manter, tem um número limitado de coisas que acontecem ao mesmo tempo, tem um número limitado de casos de assasinato, de crimes de guerra, de tragédias e de vitórias que acontecem a cada minuto, mas a máquina não pode parar, a máquina não liga que não tem como se sustentar, a máquina então percebe "eu não preciso falar coisas reais" com isso começam as fake news, com isso começam os perfis de I.A e com isso começa a "pós-verdade".
O mangá se passa o tempo todo numa mega-estrutura, um prédio que parece não ter fim, com corredores, escadas, setores, fábricas e outras estruturas dentro dessa macro-estrutura, o mistério de "O que é essa mega-estrutura?" é a pergunta principal do mangá, pelo menos pra mim, eu não me importava com o que aconteceu com os humanos, o que eram as Vidas de Silício ou a netesfera, como que funcionavam os Administradores ou qualquer coisa do gênero, eu só queria saber o que era e pra que servia o lugar que se passava o mangá. A primeira dica que temos pra uma resposta são com a aparição dos Construtores, robôs que servem os administradores com uma simples função, construir, construção sem motivo sem ser existir, não é ser útil, ou facilitar algo, é só continuar expandindo o território, algumas carregam essa função reparando partes destruídas, mas eles são uma minoria, essa estrutura se sustenta assim, na expansão sem utilidade, na expansão sem escrúpulos. Pra mim esse é o tema central de Blame!, não só um "tudo de mais é ruim!!!" mas sim um questionamento do progresso pelo progresso e em o quão benéfica essa disponibilidade de 100% das informações é, é um mangá que cada dia que passa se torna mais atual, por tratar de um problema que viria a se destacar o autor consegue fazer uma obra que cada vez mais prova a sua tese. Um dos momentos que mais simboliza essa tese é quando os protagonistas se encontram com uma civilização de humanos, os Pescadores Elétricos, eles vivem na beira de uma das grandes estruturas que fazem parte da mega-estrutura, a TOHA HEAVY INDUSTRIES, uma antiga fábrica dividida em 13 níveis, pra que serve essa fábrica? Eles já não sabem mais, os pescadores sabem que são descendentes de um outro povo, os plantadores, mas não sabem quem eram, o que faziam, como viviam, o que plantavam ou nem mesmo por que se chamavam assim, mesmo com toda informação possível disponível no display das suas retinas os humanos não tem mais como entender o que aparece, essa e toda informação que eles possam chegar a ter é inútil, mas eles continuam recebendo, eles continuam olhando pra alguém e tendo sua vista ocupada por pop-ups e textos que devem dizer algo, a informação continua constante e a todo momento, mas ela não tem nenhuma utilidade, a máquina não liga pra isso, a máquina precisa continuar.
Boa parte da sua backstory não é explicada, Blame! se contêm na jornada, nas idas e vindas dos protagonistas e em mostrar pra gente o que é e como funciona essa mega-estrutura, como os protagonistas a gente também não sabe o porque daquele complexo estar alí, não sabemos onde estamos ou como estamos, somos jogados de lá pra cá com pouca explicação e pouco caso, mas essa é a beleza da coisa, é por conta desse jeito que ele é construído e planejado que ele consegue mostrar uma das suas principais mensagens.
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