
a review by cornwlia

a review by cornwlia
"The climber", inicialmente, apresenta um protagonista quase desumano, dando a entender que Mori não tem nenhum atributo, somente "trazendo má sorte". Um cara que não conversa com nada e com ninguém, sem muito interesse na vida, monótono, e mesmo com um cara "chato" desses, a história consegue prender o leitor com o questionamento: qual será o próximo passo dele Ó que vai acontecer com essa paixão? Será que é possível escalar e ser bem sucedido com uma atitude suicida e tão individualista como essa? Ao se familiarizar com a escalada, consegue criar um vínculo com seu professor da escola que também é presidente do clube de escalada, a questão é: primeira vez que sobe uma montanha, Mori perde a única pessoa que confiava.
O protagonista se funde praticamente com sua paixão, a montanha. Coloque um pouco de individualismo, paixão e até mesmo falta de respeito com seus limites, mas a montanha era o único lugar onde se sentia pertencente. Poderia fazer algo que amava sozinho, não precisava de mais ninguém pra conseguir fazer o que amava. Com essa atitude, foi denominado: the immortal solo climber, alem de ser visto assim pelos outros, ele começou a se ver assim também (mais pro futuro).
Até que encontrou a Hana, foi o momento mais humanizado do protagonista, conseguiu amar e visualizar algo além da montanha. Conseguiu se sentir seguro com alguém que havia conhecido faz "pouco tempo". A partir daí, montou uma família e uma relação de confiança, os quais começaram a impulsionar e limitar seu trabalho, como demonstrado pelo painel do casamento deles, onde há a metáfora de uma corda no seu pescoço, seu trabalho, mas o afastaram dos perigos da montanha, se limitando a trabalhos "mais simples".
Ate que foi convencido por um antigo colega - Takemura - a voltar pra parte leste da montanha K2, ainda não havia sido escalada. Ao final, se depara com a morte, dois lados da mesma moeda divergiram: "eu amo tanto a montanha que posso morrer aqui" e "eu amo tanto minha família que eu devo voltar". E nisso o protagonista se encontrou, por que não poderia convergir suas duas paixões?
Ao final, Mori não é mais quem era no passado. Conseguiu encontrar um ponto de equilíbrio entre os extremos de amar a familiar e amar a montanha, agora, tendo mais um filho com a Hana, mas continuando suas escaladas. Deixou sua personalidade fria, individualista e distante de lado. Acompanhar esse crescimento realmente me trouxe uma sensação de satisfação enorme, porque esse mangá e final fogem muito da ideia do "privilégio do protagonista", porque por mais que Kori tenha talento, ele NUNCA deixou de praticar, justificando sua proficiência em escaladas ao longo do mangá, além do fato dele perder algo pela situação que se colocou, como é o que de fato aconteceu divergindo da ideia de que o protagonista é sempre "invencível".
Final perfeito, desenvolvimento perfeito e premissa perfeita.
7.5 out of 8 users liked this review