
a review by igbe

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Considerações iniciais
Sou novo nesse negócio de escrever reviews. Não tenho técnica, nem formação em crítica, e também não sei exatamente por onde começar. Por isso, este texto é mais um experiment. Tento apenas registrar o que mais me chamou a atenção.
Review
A primeira coisa que me surpreendeu foi quando o anime foi feito: década de 1990. Pode parecer um detalhe irrelevante, mas, por exemplo, diversas vezes, a câmera simplesmente fica parada, sem cortes, zooms ou movimentos exagerados. Essa lentidão me causou certo incômodo, mas, com o tempo, fui me acostumando.
Esse ritmo mais pausado tinha um efeito: me deixava mais contemplativo. O silêncio entre os diálogos, o espaço entre as ações, a câmera fixa observando os personagens simplesmente existindo. Tudo isso criava uma atmosfera introspectiva. Pode até parecer um anime de cowboys no espaço, cheio de explosões, perseguições e tiroteios, mas Cowboy Bebop não é sobre isso. É sobre solidão e pertencer. Sobre procurar algo/alguém que nos dê sentido.
Todos os personagens, de alguma forma, parecem buscar uma âncora. Faye, por exemplo, deseja saber quem é e de onde veio. Ela acorda no futuro, perdida, desconectada de tudo. Atravessa galáxias com uma expressão de sarcasmo e autoproteção, mas é evidente que se sente vazia. Ela poderia desaparecer e ninguém notaria. E por isso ela luta para recuperar suas memórias: quer ser lembrada, quer fazer parte de algo, quer ter um passado para se agarrar. Em um dos episódios, ela se deita no que restou da sua antiga casa, agora um terreno baldio. Não importava o lugar, mas o sentimento de pertencer.
Ed parece uma personagem caótica. Mas até ela, que vive no mundo do absurdo, anseia por algo. No fim, ela escolhe deixar a nave e ficar com o pai, mesmo que esse seja uma figura ausente e errante. Porque é isso que ela tem. Jet, o mais velho da tripulação, saiu de Marte não apenas por rancor ou desilusão com a polícia. Ele queria recomeçar, queria encontrar algo. Montar uma equipe foi uma tentativa de formar uma família. Uma com laços mais fortes que a obrigação. Ele cuida dos outros, repreende e escuta. É um pai.
Até agora, a série vinha construindo, sutilmente, pequenas reconciliações. Cada personagem foi, pouco a pouco, lidando com o passado e encontrando uma forma de seguir adiante. Nenhum deles está completo, claro, mas todos pareciam em movimento, caminhando para algo. Menos Spike.
Spike está preso. Preso ao que perdeu, ao que não consegue esquecer. Nos últimos episódios, sua amada morre. Seu antigo mundo — os laços, a máfia, a cidade — continua a persegui-lo, como uma sombra que não desaparece. Ele não se liberta. E, por isso, enquanto todos vão encontrando alguma forma de pertencimento, Spike segue outro caminho. Seu destino é mais trágico. No fim, ele morre.
Talvez, se ele tivesse fugido, estaria vivo. Talvez, se tivesse abandonado o passado, como os outros tentaram fazer, pudesse ter encontrado algo novo. Mas ele não conseguiu. Sua história não é de reconciliação. Ou talvez seja. Quem sabe essa não foi a forma dele lidar com seu passado? Não sei. Algumas perguntas não tem repostas prontas.
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