Aviso que isso aqui vai ser muito mais um desabafo, uma ~escrita de diário~, que uma review propriamente dita. Não espero que ninguém leia, mas me deu vontade de escrever e postar… Enfim, aviso dado.
Poucas vezes na vida terminei uma obra de arte sentindo o que estou sentindo aqui… É um sentimento que nunca sei como colocar em palavras, mas que me faz terminar uma obra e falar: “é… esta obra é uma das melhores coisas já feitas, e eu tive o privilégio de poder ter contato com ela”. E essa é a primeiríssima vez que um filme me fez sentir assim.
Quando o assunto é arte audiovisual eu sou extremamente mais ligado a obras seriadas – sejam live actions ou animês. Filmes, embora tenham bastante bons, que eu gosto, que me tocam, e que me mudam como pessoa, nunca conquistaram meu coração tanto quanto seriados… Pessoalmente, eu não sou muito ligado ao cinema – apesar de também não ser totalmente alheio a ele.
Estive esperando MUITO tempo para finalmente dar play e assistir este filme. Não queria fazer isso nos vários dias que se passaram desde que ele se tornou acessível para o público brasileiro, pois eu queria um dia perfeito para poder aproveitar ele ao máximo, e infelizmente, nos últimos 2 anos, estive muito exausto com um trabalho cansativo.
E não é que eu não tenha tido tempo para apreciar e me envolver com obras de arte nesse tempo. Assisti, li, ouvi e apreciei muitas obras de arte, umas melhores que outras, algumas que me tocaram bastante e mudaram minha vida. Mas pra esse filme em especial, eu não queria correr o risco de assisti-lo durante esse período e talvez não aproveitar tanto quanto poderia…
Eis que seis dias atrás, este trabalho dos dois últimos anos, finalmente se encerrou. Com isso então, se iniciou um lindo período de férias em que eu realmente posso descansar e me reinserir no mundo da arte, agora tendo uma cabeça mais livre e leve. E para minha surpresa, nesta primeira semana de férias, tem o dia 31 de Julho. A data de aniversário do nosso protagonista: Ryota (e também, do seu irmão, Sota).
Quando eu me lembrei ontem deste aniversário (os artistas do twitter não brincam em serviço, Ryo-chin tem recebido arte a torto e direito desde que a data do aniversário se iniciou no Japão – 12:00 do dia 30 aqui no Brasil – e minha timeline tem sido basicamente SÓ fanart dele), eu não tinha como não assistir o filme hoje. Pareceu até o destino: eu ter decidido que só ia me permitir ver esse filme quando eu estivesse livre do trabalho cansativo, e o aniversário do protagonista ter caído na minha primeira semana livre deste trabalho.
Bom, quando se trata de “animangá”, o meu gênero favorito é disparadamente o de esporte. E dentre as dezenas (rumo as centenas!!!) obras de esporte que eu já li/assisti, SLAM DUNK facilmente figura ali no topo como a minha favorita. Então, ganhar um filme, 26 anos depois do término do animê e do mangá, foi uma surpresa absurda. Ter o prazer de finalmente ver uma adaptação do último jogo da obra foi um presente maravilhoso de Takehiko Inoue para nós.
Agora, obviamente um filme de 2 horas não é suficiente para adaptar todas as minúcias que Inoue escreveu neste último jogo, jogo este que se estendeu pelos últimos 61 capítulos/7 volumes do mangá. Mas, com o pouco de tempo que tinham, para um material tão grande, a produção deu tudo de si e nos entregou esse filme maravilhoso.
Mudar o foco principal do filme para Ryota foi uma escolha interessante (visto que Sakuragi é quem é o protagonista da obra), mas que funcionou muito bem devido ao papel dele como armador do time. Apesar de ser um dos 5 personagens principais da obra, e ser bem utilizado nela, o personagem tinha um potencial a mais para se explorar, visto que não sabíamos ainda, nada do seu passado. Todas as cenas dele com a família são cenas originais do filme, elas engrandecem ainda mais o personagem maravilhoso que ele sempre foi, e também funcionam perfeitamente nesta mudança de POV, dele sendo o protagonista na versão fílmica do jogo.
A tensão do jogo é palpável aqui também, mesmo já sabendo o resultado e sabendo tudo que acontece nele, não consegui NÃO ficar tenso assistindo.
As partes que tiveram que ficar de fora (todas as partes pré e pós jogo, e muito do foco em personagens secundários, como o público assistindo e o time adversário) são muito boas também, e é uma pena que não temos elas em versão animada. MAS, mesmo estando ausentes, não prejudicaram de forma alguma o filme na forma que ele foi feito. Ao final das contas, este filme não tem intenção nenhuma de ser um tipo de adaptação de mangá extremamente fiel a obra mãe, como vemos na maioria dos animes (inclusive, na própria série de SLAM DUNK). E por isso sinto necessidade de mencionar estas cenas omitidas nesta minha review.
Pois, mesmo tendo que cortar muito do material original foi uma adaptação magistral! O que não é sempre o caso em outras adaptações fílmicas que adaptam arcos grandes de mangás, aonde parte do material que é cortado, é necessário pra narrativa, e esses cortes quebram parte do fluxo narrativo. Já The First SLAM DUNK, soube ser a sua própria coisa, sua própria obra de arte, é um filme que será melhor apreciado pra quem já é fã da obra e já conhece estes personagens, e especificamente, para quem já leu a versão original deste jogo, óbvio. Mas é um filme que funciona muito bem para o público que nunca assistiu, ou leu, algo da obra.
(Agora, quero deixar apenas registrado que foi uma pena não ter o meu momento favorito da obra que me fez chorar lendo, ainda mais pois todo o preparo para cena, esteve presente no filme
Estou animado para quando eu reler/reassistir a franquia como um todo, agora terei sempre em mente esse material extra que recebemos do passado do Ryo-chin, e sinto que isso irá fazer a minha experiência com meu “animangá” favorito, ser ainda melhor.
Obrigado, Takehiko Inoue, por este presente maravilhoso.
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