

<code>Só uma review descrevendo uma brisa que eu tive de um anime que gostei bastante, perdoem os erros gramaticais</code>A obra Dealing with Mikadono Sisters Is a Breeze retrata Yu Ayase que, depois da morte da mãe, vai morar com as três irmãs Mikadono — Niko, Kazuki e Miwa — filhas de um amigo de sua mãe e verdadeiras prodígios em suas áreas. Cada uma tem uma personalidade marcante: a atriz confiante, a atleta explosiva e a gênio intelectual. No meio desse trio caótico, Yu tenta se adaptar à nova casa e, aos poucos, entender o que significa viver em família.
Yu pode ter herdado a beleza de sua mãe — Subaru Ayase, uma antiga atriz fenomenal, mas distante do filho — contudo é demarcado na história como ele é completamente medíocre em tudo que faz: seja esportes ou artes, jogos ou provas escolares, sempre tendo resultados medianos contrastando com a expectativas que as pessoas têm do filho da Subaru Ayase. Tal inferiorização de Yu aumenta com a aparição das irmãs Mikadono, um trio genial de adolescentes, ganhadoras de competições e aclamadas pelo público, sendo gritante a disparidade de Yu com esses prodígios.
Essa apresentação de tamanhas características negativas de Yu tem conexão com nossa sociedade: vencedores e perdedores, quem marca a história e quem é esquecido. É relatado por muitas pessoas como parece que tudo na sociedade induz o mediano, sobre como as pessoas não tentam mais melhorar como pessoas, se aprimorar no trabalho, nos estudos ou no círculo social. Uma “Cultura da Mediocridade” assim chamada…
E ela tem fundos de verdade, nas escolas não somos ensinados a pensar: a matemática não é uma exercício de abstração para nossas crianças, e sim um treinamento para aprender a girar um parafuso; sem o devido conhecimento sociológico e filosófico de nossos direitos e o que é indevido, nos tornamos massas de manobra nas mãos dos poderosos; fora o categórico sucateamentos dos trabalhos, onde ninguém quer viver a vida toda só fazendo o mesmo trabalho alienante recebendo um salário mínimo, com direitos mínimos e felicidade mínima. As pessoas clamam por uma melhora e com um boom recente das filosofias estóicas e livros de auto-ajuda, parece que a sociedade ruma para um futuro brilhante e sem pessoas fracas e medianas, né…? Ou talvez não.
A obra se destaca por muitos fatores, como suas carismáticas heroínas a qual são um brilho para os nossos olhos, além de uma comédia de gargalhar e momentos íntimos e muito fofos. Entretanto, para mim a maior força dessa obra foi a poderosa recusa, vejamos o que a obra fez:
Yu ao se instalar na nova residência sofre ao ser inferiorizado pelas suas novas colegas — as talentosas irmãs Mikadono — pois como poderia um garoto tão comum querer se relacionar com tamanhas prodígios da nova era? Yu de fato é terrível na maioria das tarefas, com exceção de tarefas domésticas as quais ele precisou melhorar para sobreviver sem uma mãe presente na infância, mas uma coisa que chama atenção nele é sua visão de mundo, ele questiona para nós: qual o valor de ser o melhor?
A única coisa que ele busca é aquilo que ele nunca teve com sua mãe: uma família a qual ama de coração. A reviravolta na obra começa com a aproximação que as irmãs têm com o jovem, pois ele de fato não chama atenção, até sua culinária é comum, mas tudo que ele faz é com tanto amor e carinho, como se só por poder ajudar as pessoas que ele ama, isso já bastasse para sua consciência. Tal detalhe ganha maior destaque no último arco da obra onde a “rival autointitulada” da irmã Miwa — talentosa no shogi, esporte japonês — Sakura Yaotome critica Yu por aceitar ficar na sombra de pessoas mais geniais que ele, como se aceitando sua incapacidade, a única coisa que restou seria ser “capacho” das irmãs Mikadono. Contudo, para Yu é de fato uma paixão poder apoiar as pessoas que gosta, e saber que elas estão bem cuidadas não é a “única opção” e sim a opção a qual ele escolheu para viver.
Esse caminho de Yu é alienígena na nossa sociedade, talvez dito como apenas ficcional, pois não teria como alguém realmente querer ser tão "inferior" por vontade própria, o caminho da felicidade é a ascensão social, não é?
Muitos pensadores declamaram como o esforço mínimo resulta em felicidade mínima, e eu tendo a concordar, pois viver sem tomar as rédeas de sua vida só trará infelicidade. Esse comportamento pode até ser confortável em dado momento, mas a conta vem quando no leito de morte percebe-se não ter aproveitado a vida.
Nesse momento de admitir para si a responsabilidade por sua vida que mora o teatro social em que vivemos, pois numa sociedade Capitalista que cria seus jovens para serem funcionários substituíveis, sem pensamento crítico e vontade de crescer, ao mesmo tempo cria a solução para esse problema: os cursos de autoajuda e a “competitividade positiva”, aonde fundamenta o modelo geral de ascensão social enriquecendo com trabalho duro… Contudo, e para quem não se encaixa nesse cenário? Para quem o que importa de verdade na vida não são os luxos e quantos carros há na garagem? Para quem só quer viver sem competir com outros enquanto aproveita sua família?
Nisso percebemos a armadilha desse sistema: ao criar mão de obra barata, consegue seus funcionários para suas fábricas que enriquecem os poderosos, e mantém o poder estagnado criando uma cultura de “meritocracia”, aonde supostamente todos tem capacidade de ascensão social e que o sistema não tem falhas, pois com toda a certeza não existe nada melhor do que ser rico. Consuma e trabalhe, pise nos outros e assim você será feliz, esse é o jogo.
Por quanto tempo mais nossa sociedade vai aguentar batalhar e lutar, destruir e conquistar apenas pelo mérito de vencer? Sem ter prazer, paz de espírito e alegria de viver.
#Por isso, urge mais “Yu's” na nossa sociedade. Pessoas que não tem medo de serem felizes no que é importante para elas — mesmo que não possua luxos, riquezas ou glórias — por que no fim só temos uma vida e o que importa é a vive-la ao máximo em plena felicidade.
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