
3 months ago·Jan 27, 2026

3 months ago·Jan 27, 2026
Essa temporada tinha tudo para ser o momento de corrigir justamente o principal ponto fraco da obra: a falta de profundidade. O cenário estava armado para isso. Depois de tudo que já foi apresentado, o mínimo esperado era um aprofundamento real, seja no desenvolvimento dos personagens, seja no peso do mundo e da própria organização dos caçadores de demônios. No entanto, a temporada desperdiça essa oportunidade de forma quase sistemática, optando sempre pelo caminho mais raso, mais seguro e menos comprometido narrativamente.
A abordagem dos personagens é o maior sintoma desse problema. Tirando exceções pontuais, especialmente alguns hashiras que recebem um pouco mais de atenção, a grande maioria é tratada de maneira trivial, superficial e descartável. Personagens entram e saem de cena sem deixar marca, sem personalidade clara, sem conflitos internos relevantes e sem impacto real na narrativa. Eles existem mais como função de roteiro do que como indivíduos. Isso enfraquece o envolvimento emocional e impede que o espectador crie qualquer senso de apego ou de importância em relação à organização como um todo.
O arco de treinamento dos hashiras, que deveria ser o coração da temporada, é onde essas falhas ficam ainda mais evidentes. Os treinamentos tinham potencial para serem apresentados com dificuldade real, com sofrimento, desgaste físico e psicológico, e com consequências claras. Era a oportunidade perfeita para mostrar por que os hashiras estão onde estão, quais foram os sacrifícios feitos e qual o preço de se tornar um pilar da organização. Em vez disso, os treinamentos são rápidos, rasos e quase caricatos, sem peso dramático e sem sensação de progresso real.
Além disso, cada hashira poderia ter sido explorado como um símbolo de filosofia, método ou visão diferente sobre combate e disciplina. Isso enriqueceria tanto os personagens quanto a própria lore. Porém, essas diferenças são apenas sugeridas ou tratadas de forma apressada, sem tempo para amadurecer ideias ou conflitos. O trio principal passa pelos treinamentos sem grandes obstáculos narrativos, sem fracassos marcantes e sem uma transformação clara que justifique o salto de evolução.
Os figurantes que participam desses treinamentos só reforçam a fragilidade do arco. São personagens sem identidade, sem carisma e sem qualquer função além de ocupar espaço. Eles não ajudam a criar senso de coletividade, hierarquia ou tradição dentro da organização. Tudo soa mecânico e vazio, como se o arco existisse apenas para preparar o próximo evento da trama.
Essa temporada poderia ter sido o arco de peso da obra, aquele que criaria raízes emocionais, fortaleceria a construção de mundo e daria densidade à narrativa. Poderia ter elevado Demon Slayer a outro patamar. Em vez disso, se consolida como a temporada mais fraca da obra, não por falta de recursos, mas por escolhas criativas tímidas e pela recusa em aprofundar aquilo que mais precisava ser desenvolvido.
Claro, isso é meu ponto de vista
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