
3 months ago·Jan 27, 2026

3 months ago·Jan 27, 2026
Nota: 6,5 / 10.
A terceira temporada de Demon Slayer, o arco da Vila dos Ferreiros, funciona como entretenimento, mas falha como construção narrativa mais sólida. O problema não é falta de ação, nem de qualidade técnica. Pelo contrário, a animação continua sendo de altíssimo nível e sustenta a temporada inteira. O problema é que, mais uma vez, a obra deposita peso demais na execução visual para compensar uma escrita rasa e decisões narrativas questionáveis.
A própria Vila dos Ferreiros é um exemplo claro de potencial desperdiçado. Trata-se de um lugar fundamental para o universo da obra, responsável pelas armas que tornam possível a luta contra os demônios. Ainda assim, a vila é pouco explorada. Falta identidade cultural, conflitos internos, tradição e impacto emocional. Quando ela é atacada, o espectador entende racionalmente o perigo, mas não sente o peso da possível perda. É um cenário importante tratado como descartável.
Os vilões também são irregulares. Conceitualmente interessantes, mas mal desenvolvidos. Funcionam como ameaças imediatas e visualmente chamativas, porém carecem de profundidade psicológica e presença duradoura. Eles existem mais para movimentar a ação do que para enriquecer a narrativa.
Outro ponto fraco evidente está nos personagens, que são interessantes no conceito, mas rasos na execução. Mitsuri é um ótimo exemplo disso. Visualmente marcante, carismática e com um estilo de combate único, ela poderia ser uma personagem extremamente rica. No entanto, sua motivação central é simplesmente “casar”. A ideia de alguém se submeter a um treinamento quase sobre-humano, comparável a um Navy Seals, apenas para conseguir um marido, soa pobre e mal trabalhada. O problema não é a motivação em si, mas a falta de aprofundamento emocional e simbólico. Ela acaba sendo a personagem mais interessante da temporada, mas ainda assim limitada por uma escrita simplista.
Genya é outro caso de desperdício. Ele tem um conceito forte, misterioso e diferente do padrão da obra. Porém, é constantemente ofuscado por Tanjiro, não recebe tempo de tela suficiente nem um arco próprio que o destaque de verdade. Seu potencial existe, mas não é explorado.
E isso leva ao maior erro da temporada: o excesso de protagonismo de Tanjiro. Mesmo com dois hashiras presentes, ele é colocado como o fator crucial da vitória, o personagem mais importante em todos os momentos decisivos. Isso enfraquece completamente os hashiras, que deveriam ser o ápice da força humana dentro da organização. Na temporada passada, Tengen Uzui foi o verdadeiro pilar da batalha, com Tanjiro atuando como apoio. Aqui, ocorre o inverso, tornando os hashiras secundários, quase patéticos.
O arco é entretém, tem momentos bons e ótima animação, mas sofre com personagens rasos, decisões narrativas equivocadas e muito potencial desperdiçado. Por isso, 6,5 é uma nota justa. Não é ruim, mas está longe de ser memorável.
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