Finalizado a terceira temporada! Essa é uma review que englobei minhas opiniões da segunda também pois acabei vendo direto e agora não lembro exatamente os pontos para separar, por isso o tamanho enorme do texto.
Fruit Baskets foi uma surpresa e um ótimo anime para começar em 2026. Cheio de emoções e conflitos que do início ao fim despertam desde o pior, ao melhor sentimento do telespectador. Apesar de ser um anime antigo, passa mensagens muito boas e levanta uma grande questão: POR FAVOR, FAÇAM TERAPIA! Quase tudo na história seria resolvido se a família Sohma tivesse um terapeuta e isso não é meme kkkkk
De qualquer forma, vamos começar: O que vem na minha mente antes de tudo é que apesar da temporada final ter sido curta, não achei que foi tão rushado quanto pintam por aí. Na verdade, existe sim uma parte que ficou rápido demais, principalmente na tal "redenção" da Akito, mas ainda sim, foi agradável de assistir. Na real, tudo que não envolve a Akito foi agradável de ver até o final, mas irei aprofundar isso mais pra baixo.
Para separar essa review, decidi falar sobre cada personagem e seus acontecimentos, pois acho que isso torna FB especial, cada um tem seu conflito que gera uma ação e reação nos outros.
E logo de cara a gente começa com o baque da história do Kureno. Não exatamente um baque, pois apesar de ter sido colocado como a grande confissão da série, foi mais uma coisa mal feita. Temos pouquíssimos detalhes e aprofundamento no personagem Kureno, o galo (que não é galo e sim um pássaro btw). Fiquei com a sensação de que ele é a linha tênue entre ser gentil e muito frouxo. É uma audácia compará-lo a Tohru. Kureno é mostrado como alguém que pensou na Akito acima dele e de seus sentimentos, tendo muita compaixão com um ser mais fraco que se mostrou chorando e precisando dele, o colocando na posição de necessário. Mas até que ponto isso não foi pena? Até que ponto isso não foi conveniente para ele, que estava perdido depois de ter seu laço quebrado? Se colocar no posto de querer ser o pequeno salvador de alguém, chegou a beirar pra mim um incômodo, principalmente quando ele sabia da dependência doentia e ainda sim dormia com Akito. Não é atoa que Shigure menciona que se realmente ele se importasse, teria ido embora e não alimentado mais essa relação maluca. Foi bem confuso pra mim, ao passo que ele revelava tudo sobre ele, parecia não revelar nada ao mesmo tempo. Senti que ainda ficou um buraco na existência dele para a história, assim como não curti o fato de que ele saiu como o bom samaritano que fez uma boa ação... não acho que ele tenha sido tão gentil assim. Enfim, eu compreendi ao menos a metade do porquê esse personagem surgiu, mas ainda sim, não foi do meu agrado total.
Já puxando o gancho do Shigure que mencionei, confesso que novamente passei a temporada toda com raiva dele, pois é um personagem ardiloso, que encanta com a sua forma de falar e pensar, mas é desprezível. Às vezes sentia que estávamos na posição da Akito quando a coisa é tentar compreender as ações dele, mesmo que seja claro para quem está assistindo o quanto ele a amava e que tudo que fazia, era por ela. Não vou colocá-lo como um personagem tão ruim no quesito desenvolvimento, pois sei que tudo isso era proposital e tinha como objetivo gerar essa sensação de um personagem cinzento na história, mas não deixou de ser um pouco cansativo toda essa narrativa de personagem duas caras que ao mesmo tempo, não era. Uma outra coisa que me incomodou nele, é que suas falas ácidas não atingia de forma negativa os personagens e sim foi colocado como um acendedor de pólvora para eles se resolverem. É claro que era isso que ele queria, criar essa espécie de rebelião dentro da família Sohma, mas eu diria que no final, ele fica com uma nota 7 para trajetória completa pois me pareceu a todo momento que ele iria ter seu grande momento, mas que nunca vinha.
Mas vamos falar de coisas boas: Momiji e Haru. Dois personagens que me encantaram do início ao fim. Sinto que eles cresceram de verdade, principalmente por serem os únicos com capacidade de ler os sentimentos dos outros e os próprios. De um lado, o Momiji compreende tudo que está ao redor dele. Foi aquele que teve coragem de seguir em frente assim que o laço foi cortado e fechou, literalmente, a porta na cara de Akito. Ele jogou as verdades na cara de todos que estavam precisando, até mesmo do Kyo. Meu coração se partiu quando a gente vê o amor dele pela Tohru crescer e se tornar impossível, por isso eu gostaria que ele tivesse tido um final mais agradável, talvez se aproximando mais de sua família. Eu sei que ficou subentendido que o “Até logo” com sua mãe, seria um ponto de partida para uma próxima conversa, mas... nada confirmado. Ainda sim ele é extremamente gentil e uma graça, amei ele até o final!
Sobre o Haru, ele é perfeito! Meu preferido, o mais gentil, acolhedor, porém que ainda é humano. Ele tem noção da vida que tem, não tenta mudar o sistema, mas faz sua parte cuidando de todos como pode. E é por conta desse seu perfil que ele se afeiçoa pela Rin, transformando esse sentimento em amor. Só que em um dado momento, ele vê que amar ela já era um passo maior que a perna e isso podia prejudicá-la, porém seu “egoísmo” sempre falava mais alto e ele não se permitia fazer algo a respeito da situação que viviam, pois isso era sinônimo de perder ela. No seu embate com Akito, quando ele descobre de fato que ela se machucou (até fisicamente), que estava sofrendo em silêncio, enquanto ele estava satisfeito só em amá-la e tê-la para ele, as coisas mudaram. Ele vira as costas e vai embora. Bom, quase que ele volta né, não sei porque e isso estragou a cena kkkkk foi péssimo colocar o flashback dele e da Akito crianças brincando, como se de verdade aquilo fosse o bastante para quase apagar o que ele sente pela Rin. Preferi ignorar e pensar novamente que esse laço é uma espécie de comando cerebral na vida deles. Ainda sim, foi incrível ele só ter 15 anos e chegar nessa elaboração de sentimentos para com sua pessoa amada. Eu não julgo ele, jamais, até porquê nenhum adolescente tinha que passar por esse embate simplesmente por gostar de alguém.
Falando da Rin, ela é minha protegida. Acho que por termos o mesmo animal do zodíaco e sermos parecidas eu pude entender totalmente sua tomada de desisões. Uma personagem determinada, que não ia se calar e nem ficar parada enquanto ela é colocada numa posição de viver restrita àquilo que sente. Por toda sua situação que passou com os pais, suas ações são totalmente compreensíveis, e mais ainda quando ela se abre com a Tohru. É um sentimento muito real, quase palpável de que ela queria e ao mesmo tempo não, se apoiar naquela pessoa gentil que se assemelhava a um amor de mãe da forma mais pura, afinal, a gente acredita que somente nossos pais, ou aqueles que consideramos, são capazes de se importarem de verdade com o que sentimos. Para mim, foi muito significativo e mesmo que sua participação na obra tenha sido até curta, foi perfeito.
Agora vamos falar do núcleo principal? Tohru, Yuki e Kyo.
Eu acho que devia começar pedindo desculpas pela forma errônea que eu coloquei a Tohru na obra. Não, ela não é só um pilar que vai resolver o problema dos outros enquanto tem seus sentimentos ignorados. Ela foi muito mais real do que isso principalmente na 2a temporada. Ela deu um tapa na minha cara desde o episódio 14. Tudo que falei dela na primeira review caiu por terra, pois a gente finalmente vê o que ela pensa, o que sente e o que passou, fazendo tudo se encaixar como uma luva. É engraçado ver como seus pensamentos refletem uma maturidade juvenil, afirmando que ainda é uma criança que teve de amadurecer um pouco cedo demais, mesmo que tenha a capacidade de pensar nas coisas mais profundas. E isso deixa tudo mais compreensível e verdadeiro, sabe? No episódio 6 fica bem claro, quando vemos que o maior medo dela é o futuro. Se esquecer da sua mãe, que era sua prioridade acima de tudo, deixava ela em conflito, com receio de aos poucos, perder essas memórias. Quando ela vê o avô dizendo que às vezes sente que está se esquecendo da Kyoko e do Katsuya, e que desejava ver eles mais uma vez ao menos em seus sonhos, ela lida como um banho de água fria jogado na sua cara e escancarando tudo que ela tinha receio. Esse foi definitivamente um dos sentimentos mais reais colocados na obra, principalmente para aqueles que perderam alguém e sempre vão querer manter aquela pessoa viva dentro de você como se fosse uma lei que quando “quebrada” te faz sentir a pior pessoa da terra.
Eu mencionei acima como ela tem uma maturidade juvenil em relação ao medo de esquecer a mãe, e isso é porque mesmo que até adultos as vezes se sintam dessa forma, a forma que ela lida com isso, de se provar de amar outra pessoa, parece algo que somente um jovem faria, além de intensificar muito mais essa sensação e uma audácia, principalmente pela culpa que ela sentia em não impedir a morte da mãe naquela manhã. A Tohru pensava que colocar o Kyo na posição de importante era errado, que era uma substituição, mas isso só mostrou compreensível para alguém de sua idade que via as coisas tão preto no branco quando o assunto é sentimento. Afinal quando amadurecemos, entendemos, mesmo que doa, que devemos seguir em frente e que nada é capaz de substituir esse amor. Além de que, aqueles que já se foram não vão desaparecer, eles se mantém vivos conosco, igual a própria Tohru já vinha fazendo, sempre lembrando dos ensinamentos da mãe. E obviamente conforme a gente vive, entendemos que "amar de novo" não é errado.
Mas o que eu mais gostei desse embate mental que a personagem teve, foi a capacidade dela de entender que sua mãe sempre iria desejar sua felicidade, não importa onde estivesse. Quando ela se dá conta disso, quando ela também se livra da culpa que carrega, finalmente consegue seguir em frente. Ela repassa essa mensagem pro Kyo, que está preso ao passado e crescem juntos. Sem dúvidas mudou minha forma de ver essa personagem.
Sobre o Kyo, até o final, ele foi estranho num sentido ok para mim. Eu o adoro e acho ele incrível, fofo, carismático e com personalidade, mas eu sinto que todo seu desenrolar foi mais demorado em comparação ao do Yuki, e isso deixou uma lacuna. Não é que eu mudaria algo se pudesse, mas é esse sentimento que ficou um tiquinho na boca. Acho que o principal motivo foi quando ele confessa sobre o dia do acidente e sua relação com Kyoko. Não vou dizer que foi forçado, mas não sei… é tudo bem compreensível ao mesmo tempo, conveniente demais para obra. Foi como adicionar mais uma coisa para deixar mais dramático ainda, sabe? Eu sei que era uma forma de aproximação final entre ele a Tohru pela mesma também carregar esse “culpa” pelo acidente, mas a gente precisa lembrar que além de toda sua história com o zodíaco do gato, ele teve que lidar com mais uma coisa que não tinha sido tão introduzido no início da obra. Nem mesmo um forshadowing de uma reação dele ao se lembrar da Tohru. Tenho certeza que foi algo inserido pelos editores e que não estava no plano original. De qualquer forma, como falei, foi algo a mais para criar a dramatização do casal. Mais um impedimento, a culpa, para ficar com a protagonista. Eu reforço que não foi de todo mal pois esse sentimento se atrelava muito ao que ele passava com sua própria família, culpa da mãe ter se suicidado, culpa do pai ser assim, culpa de absolutamente tudo, mas acho que só resolver essa sentença de culpa já seria bom. De qualquer jeito, assim que ele se resolve e os laços são rompidos, ele finalmente pode seguir em frente. Essa conclusão me agradou! Eu sempre esperei que o Kyo largasse tudo, largasse essa corrida doentia pela aprovação da família mais problemática e fosse feliz.
Aliás, fica aqui uma menção honrosa para sua conversa com a Kagura que foi espetacular, tanto pra ele, quanto pra ela. Eu realmente não esperava e toda essa carga emocional entre eles, e foi muito interessante ver tudo na visão dela.
Agora vamos falar do Yuki. Ele é completo para mim. Amei toda a complexidade dos seus problemas e pensamentos, tudo nele se encaixou direitinho, até mesmo seu par romântico no final. Ainda mantenho a opinião de que poderiam ter mostrado antes esse sentimento maternal que ele nutria pela Tohru, mas acho que se acontecesse cedo, não ia ter a receita de triângulos amorosos que os shoujo tem. De qualquer forma, acho que ele é o personagem que cresceu DE VERDADE, a mudança que ele tem é nítido. Ele solta tudo que foi obrigado a reprimir por adultos e volta a ser um adolescente normal.
Inclusive eu li a um tempo atrás uma pequena frase dizendo que a Machi foi sem dúvidas a melhor escolha dele, e eu concordo! A capacidade dele de AMAR o lado da Machi que os problemas familiares causaram, que eram muito semelhantes ao dele, mostra que ele cresceu e que queria se tornar aquilo que a Tohru foi pra ele. É bem fofo o desenvolvimento deles e acho que combinou demais. Foi realmente um dos que eu amei ver do início ao fim.
Para estender um pouco mais, gostaria de fazer um parágrafo para Akito. Minha opinião sobre ela não mudou muito desde a review da 1 temporada, pois eu de verdade não consegui me sentir tão tocada pelo seu passado. Eu acho que mesmo que o pai dela tenha colocado nesse posto de Deus amada e aclamada, ainda foi too much o que ela fez. A mãe dela não ajudou, é verdade, mas acho que pra chegar nesse nível, só tendo um pézinho de problema mesmo. Eu não gostei de como tudo foi solucionado rápido e nem presa ela foi. O esquecimento não foi nada porque ela ainda tinha o Shigure, então ao menos deviam ter deixado o Haru dar uma bofetada nela. Mesmo sua relação com a Tohru, foi bonita, mas só porque era a Tohru!!! Ela foi escrita para ser assim, ela é essa alma boa, mas Akito não merecia essa redenção tão cedo. O que me deixou mais fula foi que o povo ainda voltou para aquela reunião final na mansão… sério, era quase uma dívida de jogo. O Shigure até cogitou ela ir pra despedida do Kyo e da Tohru!!!!!!!!!!!!!!!!!!! AAARGH. Pelo menos a Rin me representou até o fim de não conseguir aceitar todo esse perdão. Enfim. Era só mesmo para completar que ainda não gosto dessa personagem.
Bem, mas é isso. Eu ainda poderia escrever muito mais, mas acho que já ta bom kkkkk. Nota final 80 de 100. Obrigada quem leu até aqui. Até a próxima.
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