IntroduçãoAntes de ler essa história eu já estava um pouco na perspectiva de que fosse meio semelhante com The Horizon na questão de ambientação sólidas e fria além de ser meio seco, no final acabou tendo um pouco disso e uma abordagem de interação mais humorística mas sem ser caricata e ao mesmo tempo melancólica pelas situações e ambiente onde se encontram, como se buscasse um alívio no meio do desastre.
Uma história que não é para todo mundo e que pode soar bem chata ou desinteressante mas que compensa se você estiver pré disposto a ver algo não extremamente profundo e complexo que te faça achar mil maravilhas mas que te coloca para refletir e meio que relaxar.
Na minha visão ela é uma boa história até no final que pode desagradar muita gente, pelo menos eu compreendi a lógica por trás dessa monotonia e amargor na finalização mas entendo quem gostaria que fosse diferente pois o tempo todo era algo amargo e triste com umas pitadas de comédia e no final acaba sendo tão triste quanto estava sendo o tempo todo, o que não achei tão legal é que mesmo eu entendendo que a proposta é meio que ser direto eu acho que ficou monótono até demais pro meu gosto, com pouca variação que faça com que levante a vontade de aproveitar ainda mais a história mesmo que seja num ambiente frívolo o autor ainda tenta trazer uma boa variedade só que não engaja tanto quanto eu queria que fosse.
"Worldbuilding"
Algo que eu achei interessante foi nessa ambientação do autor, ele trás totalmente uma sensação de um mundo sem salvação que é frívolo e monótono além de ficar em ambiguidade em como que chegaram nesse ponto, se você ficou na expectativa de ter uma grande explicação de Lore por trás de todos esse elementos você vai se decepcionar muito, não que ele não diga nada mas que ele diz elementos que são tão específicos em ambíguos que acabam ficando mais como elementos do campo teórico do mundo em que estariam nesse momento.
Diria que é tipo uma ambientação de The Horizon+Little Nightmares+Inside além de ter uma lógica de progresso semelhante com Made in Abyss só que ao contrário.
Comparação com The HorizonSpoiler, click to view
Comparo com The Horizon por causa de alguns elementos envolta de 2 personagens isolados que buscam sobreviver e que com a Guerra encontram amargura, a ideia de ter um elemento cômico por serem crianças mas que é retratado de forma seca e ingênua mas que não descredibiliza a seriedade pela maneira que é retratada na história, além de viverem em um mundo de Guerra que nem em The Horizon.
Só que no caso de The Horizon eu gostei mais da história por refletir mais variedade na história abordando novas perspectivas profundas e tentando não ficar monótono ao transmitir mais profundidade e impacto emocional em relação aos personagens principais que é algo que em "Shoujo Shuumatsu Ryokou" não é tão cativante assim.

Comparação com Little NightmaresSpoiler, click to view
Diferente de The Horizon, eu não cheguei a ter a experiência com Little Nightmares então o que falarei é só semelhanças meios básicas através de experiências que eu tive por assistir gameplay.
Tudo nesse mundo reflete em ser coisas extremamente enormes, isso trás um pouco a sensação de ambientação que tive assistindo as gameplays de Little Nightmares em que tu era enorme em relação aos personagens principais e totalmente fora da realidade do que tinha percepção, a diferença é que os exageros de tamanho que lembro em Little Nightmares eram menos tecnológicos do que aqui em "Shoujo Shuumatsu Ryokou" e lá abordava muito mais o impacto que é ser extremamente minúsculo em relação ao ambiente.

Comparação com Inside
Spoiler, click to view
Igual anteriormente, será só uma comparação meio rasa por experiência externa de não ter jogado de fato.
Eu associo Inside com Shoujo Shuumatsu Ryokou, pela conexão visual e pelo tipo de ambiente apresentado. Ambos retratam um mundo dominado por estruturas tecnológicas gigantescas, que parecem resultado de um desenvolvimento exagerado da tecnologia, mas sem aquele aspecto limpo, organizado ou utópico que normalmente é associado ao progresso.Assim como em Shoujo Shuumatsu Ryokou, o cenário de Inside transmite a sensação de uma civilização que avançou muito, mas que acabou entrando em decadência. As construções enormes e os espaços industriais que reforçam a ideia de um mundo que já foi habitado e funcional, mas que agora existe quase como um resquício do que restou da humanidade.
Além de coisas magnificas como inteligências artificiais sendo retratadas da maneira mais ambígua e superficial dentro da história, como se atualmente aquilo não fosse mais nada que se importasse tanto e que em Inside é mais um empecilho mesmo.
Comparação com Made in Abyss
Spoiler, click to view
Na minha visão esse é o que mais se assemelha no âmbito de progresso dos personagens dentro desse abismo, só que retratado por perspectivas opostas na história.
Diferente dos outros esse eu li Made in Abyss, no caso do progresso na história de Made in Abyss a dupla vai se aprofundando camada por cama dentro do abismo e ficando cada vez mais difícil e complexo pelas mudanças de ambiente que tem no Abismo.
No caso de "Shoujo Shuumatsu Ryokou" de invés de progredirem camada por camada para baixo eles fazem o oposto e é camada por camada para cima até alcançar o topo, algo que eu pensei que poderia ter outra representação é desse aumento de dificuldade conforme o ambiente das camadas pois olhando de forma meio lógica não seria tanto sentido ter Neve e chuva nos locais visto que tem um teto enorme encima mas que chegando próximo dos últimos andares pareceu que o ambiente ficou mais nevado e frio, mas foi algo representado temporariamente mas que seria interessante de se ter.
Enquanto em Made in Abyss as camadas são as mais orgânicas e místicas possíveis , em Shoujo Shuumatsu Ryokou são as mais inóspitas e mecânicas possíveis representando lados bem diferentes e interessantes.
_
Minha Opinião sobre esse mundo_
Se você quiser ver um mundo mais conspiratório você pode gostar muito, pois por ser algo que a própria humanidade criou dá para criar várias linhas de pensamento que não são tão fora da curva quanto seria com algo místico por assim dizer, na minha opinião eu achei legal só que não é do tipo de mundo que mais me agrada por eu ter visto certos elementos que eu considero que é mais por ambientação do que lógico de verdade e outros que são mais exagerados que eu consigo ver algum motivo pelo menos.
Spoiler, click to view
Tipo, isso de até nas camadas inferiores conseguir nevar, chover etc ignorando o fato de uns tetos por cima dessa camada eu acho estranho e meio sem lógica, como se as camadas superiores ambientasse o terro inferior? ou seria como se as camadas fossem menores conformes os próximos andares e isso possibilitasse nevar? seria algo totalmente disforme?
Agora na minha teoria eu considero que a utilização de recursos ambientais tinham sido tão desgastados que eles tentaram reproduzir em alguns locais dessas camadas como a plantação e os peixes, mas que em algum momento rolou uma Guerra por recurso que fez com que boa parte se perdesse nisso tudo e decidiram criar um Foguete para tentar buscar outros mundos onde poderiam reestruturar a sociedade com novos recursos, assim tentaram guardar o máximo possível das informações da humanidade como buscando todos os livros e informações do passado para não se perderem e provavelmente tentaram guardar elas por inteligência artificial quando foram embora, e eu presumo que essa separação de andares seria uma maneira de separar a sociedade em classes ou também criar novas tecnologias ou eu também pensei na possibilidade deles terem utilizado tantos recursos que a terra abaixo deles diminuíram e foram criando novas camadas conforme esse gasto de recursos abaixo de seus pés.
E tudo dá a entender que esse mundo caiu em ruínas a muitos e muitos anos, algo que eu acharia muito sem lógica se o autor não explicasse o fato delas não terem tanta noção sobre isso já que a principio a gente só sabia que elas estavam ali e pronto, não sabíamos por onde se passavam, onde eram suas famílias e etc.
Depois isso acaba sendo mostrado e é o suficiente para fechar essa ponta de falta de lógica da falta de compreensão das personagens, elas simplesmente viviam em outro local com seu vô e provavelmente seus outros familiares e depois tiveram que fugir e encontraram esse novo local que a Guerra arruinou.
Só fica ainda mais em aberto como estaria o estado do mundo a fora além do local em que elas estavam, em outros locais do mundo também caíram nessa de falta de recursos e gerou guerras criando outros locais inóspitos? sabemos que devem ter outros locais com sobreviventes mas seriam quantos? e como lidam com os recursos para sobreviverem? quantos animais ainda vivem? a gente tem mais noção do local em que elas exploram mas não temos muita noção externa e isso pode deixar ainda mais curiosidade.
É um mundo bem misterioso e interessante de se pensar além de ter uma ótima ambientação, mas que eu prefiro algo um pouco mais explicado ou direcionado tipo em mundos como em Magi, One Piece, Made in Abyss etc que dão uma margem de falta de respostas também (tirando Magi) mas que responde mais do que em Shoujo Shuumatsu Ryokou, coisa que é de opinião, podem preferir algo mais em aberto e ambíguo ou que nem eu que prefere algo mais bem direcionado que tá tudo bem.
PersonagensA Chito e Yuuri eu considero que funcionam muito bem na história, só não acho que é perfeito mas mesmo se não fosse o que eu gostaria que fosse para compensar a monotonia na história já daria para fazer isso por outros métodos sem ser com "elas" em si, então considero que é algo que faltaria com elas e ao mesmo tempo não dependendo se tentaria compensar isso pelas personagens ou com algo externo.
A principio eu gostei bastante da maneira que elas são utilizadas, são carismáticas na interação entre uma e outra, e mesmo não sendo de forma exuberante, ainda tem lógica pelo ambiente em que se encontram pois se elas forem muito fora da curva isso pode acabar desvirtuando na ambientação então acabam sendo bem caracterizadas tanto na personalidade quanto no nivelamento em relação ao ambiente.
Spoiler, click to view
O que não gosto tanto é que com elas poderiam ter melhores reações ou que mudassem de forma um pouco mais enérgica o Status coo para que assim parecesse menos monótono o tempo todo ou alterasse o ambiente delas atual com algum momento do passado delas mais frequentemente coisa que foi feita só 1 vez com elas e provavelmente o autor fez somente 1 vez para justificar algo que elas sempre comentavam para não ficar totalmente a esmo, também daria para ter algo um pouco mais diferente com os personagens secundários mas que sempre acabam tendo uma representação ainda mais monótona que as próprias protagonistas em relação na personalidade deles que poderia ser um pouco mais destacadas para trazerem um ar de quebra que agradasse um pouco mais.
É entendível o fato de serem secos ainda mais que as protagonistas por serem crianças a gente entende essa diferenças de personalidade um pouco mais enérgica mesmo que não tanto, então acharia melhor de invés de abordar a personalidade abordar mais construção em relação ao motivo de se encontrarem naquela situação ou alguns diálogos mais interessantes, eles sempre tem algo meio profundo só que retratados de maneira que das mesmas outras vezes em que as protagonistas refletiram parece que esses personagens novos são mais para colocar outras reflexões para elas ou criar alguma situação um pouco diferente mas que não chega a ser tão "nossa, isso daqui foi bem diferente"... pois são representados de forma tão crua quanto o que a gente já estava vendo.
Tem até um momento que estava subindo um elevador com o Kanazawa e ele mostrava uma certa empolgação com os mapas, mas quando ele os perde ele fica abalado e depois ele aceita isso e vai embora de forma bem monótona e padrão... é até estranho que parecia que ele poderia pelo menos pensar em buscar eles de volta pois o elevador não tinha se quebrado tanto assim já que eles ainda conseguiram arrumar e subir de novo, nada impediria dele pelo menos ver se conseguiria recuperar os mapas já que não é como se tivessem se queimados ou molhados e sim só caído do elevador e decidir buscar descer de novo mesmo que só encontre um deles, até na maneira que retrata essa perda do "valor" dele acaba sendo retratado de maneira simplória, não que isso tenha sido um grande problema para mim mas é algo que me impede de dar nota máxima para essa obra por causa dessa representação de reflexão muito padronizada na minha visão
ReflexõesA obra é totalmente focada nisso, de retratar reflexões e percepções de vida, de maneiras meio simples pois a principio seriam crianças com uma percepção de mundo muito mais rasa e acabam tendendo a serem mais simples e diretas como "porquê pessoas se odeiam?" "Qual o sentido da arte realista se basta só usar uma câmera?" coisa mais básicas e que tem sentido, se você busca reflexões ainda mais complexas de coisas mais minuciosas você pode não gostar tanto, mas se estiver aberto para esse tipo de reflexão como eu estive lendo essa obra você vai aproveitar melhor.
Já que parece meio monótono então estar aberto para as reflexões e o "cotidiano" delas é bem essencial para aproveitar esse mangá e caso não esteja aberto para isso você provavelmente não vai gostar.
FinalJá que a história é extremamente seca em muitos momentos, acho que irá esperar que o final seja bem agradável para trazer um refresco ao leitor que esperava pela resolução daquilo tudo.
Coisas que ficam meio ambíguas em relação ao que se espera no final, pois trás alguns elementos fora do nosso racional e das próprias personagens e naturalmente você associa que vá envolver o final por serem os únicos elementos que se destacam além do padrão de tudo que a gente viu.
Spoiler, click to view
Mas o que se recebe é elas chegando ao topo, encontrando nada, com poucos itens e comendo sua última comida naquele momento, um final amargo e sem glamour conforme toda a história que a gente viu até esse momento.
Pode decepcionar muitos e outros compreenderem pois a história sempre na tendência para uma perspectiva Crua e sem valor, eu não gostei tanto mas não cheguei a odiar, pois no caso eu entendo a lógica de ser assim mas pela história o tempo todo ser crua e nua ao ponto de ficar meio monótona eu queria algo mais destacado e interessante no final que foi o que não aconteceu, então não gosto tanto assim do final exatamente pela jornada não ser tão interessante diferente de The Horizon que até na jornada trouxe coisas interessantes que me impactou mais.
Fique num misto de sentimentos, e antes de chegar no final já estava percebendo que se estava sendo construído com elas perdendo seus itens até no final ficarem quase sem nada e provavelmente morrendo depois do final já que ficaram sem comida... algo meio deprimente, mesmo outras histórias que via o protagonista morrendo no final era com uma tendência de ser emocional tanto positivo quanto negativo, mas nesse caso se destacou bem mais o lado negativo...
Acho que podem tanto odiar quanto amar esse final, e acho compreensível os dois lados
Arte
Da mesma maneira que Made in Abyss, essa arte é meio confuso em relação a ambientação em alguns momentos por parecer algo bem sujo e no caso de Made in Abyss é mais pela falta de contraste com os personagens.
Os dois tem cenários bem exagerados e únicos na minha visão, e se destaca o fato de em Shoujo Shuumatsu Ryokou ser muito visível o traço de grafite algo que eu considerei bem ousado e diferente além de visualmente destacasse só pela diferença que é retratado esse visual comparado ao que estamos mais habituados de arte digital.
Além do traço nas personagens ser bem fofo.
FinalizaçãoEm resumo, achei uma história ousada, interessante e bem reflexiva além de ser um Slice of Life até agradável de se passar o tempo.
Tem algumas coisas que eu não achei tão bons assim, mas em geral o saldo é bem mais positivo do que negativo e até mesmo considerando o final que dá para considerar um pouco fora do convencional, mas que tem cabimento.