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Quem pretende ler Magi: Sinbad no Bouken antes de Magi: The Labyrinth of Magic pode acabar tendo a experiência um pouco afetada. Isso acontece porque a história de Sinbad foi pensada, em grande parte, para complementar e expandir elementos apresentados na obra principal, além de responder algumas questões que surgem em Magi. Ainda assim, não é impossível começar por ela, mas a recomendação que eu daria é de ler Magi: The Labyrinth of Magic primeiro e depois partir para a história de Sinbad.
Comparando as duas obras, considero que os momentos mais marcantes de Magi: Sinbad no Bouken não tem tanta frequência ao mesmo nível dos grandes picos de qualidade em Magi: The Labyrinth of Magic. Por outro lado, a história de Sinbad me parece mais consistente do início ao fim. Diferente da obra principal, que na minha opinião apresenta uma queda de qualidade mais brusca em sua reta final, Magi: Sinbad no Bouken mantém um nível mais estável ao longo da história.
Outro ponto em que o spin-off se destaca é no foco maior em worldbuilding no quesito de compreensão dos reinos. A obra explora com mais abrangência a cultura, a política e a identidade das diferentes nações do seu mundo, dando bastante espaço para a parte de exploração e construção da ambientação. Além disso, a maioria dos capítulos foram publicados com menos páginas do que o padrão de mangás semanais — provavelmente porque o autor trabalhava na série ao mesmo tempo em que produzia Magi: The Labyrinth of Magic. Isso acabou deixando tanto a leitura quanto o ritmo da história mais acelerados. Já em Magi: The Labyrinth of Magic, a narrativa costuma ter mais tempo para desenvolver situações e dar um respiro maior entre os acontecimentos.
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Em geral ele fica mais na abordagem de exploração e contemplação das culturas e problemas que elas estão tendo que lidar ou só uma característica que é abordada como uma conexão aos personagens para lidarem com a falta de percepção cultural deles naquele novo ambiente, sendo muito bem explorado mesmo de algumas vezes de forma meio breve pela delimitação de páginas dos capítulos.
Em consideração eu prefiro o Worldbuilding desse Magi do que o Original, não por ser o melhor em todos os aspectos mas por focar em um que eu gosto muito que é em explorar e entender as culturas e se utilizar bem disso para a progressão do desenvolvimento dos personagens em relação as vendas deles e criar uma conexão pessoal com o novo ambiente e as culturas, mas no caso de Magi do Aladdin ele tem outros aspectos tão impactantes quanto mas que no final deixam a bola cair gravemente.
Por isso considero top 3 Worldbuildings que eu mais gosto, muito merecido e bem valorizado na obra, se você gosta ainda mais de uma abordagem meio faraó e egípcia que é meio seca que nem Duna no fato de viverem em um deserto praticamente, você vai adorar além do misticismo que tem envolta que valoriza ainda mais essa estética que o autor está querendo abordar.
Compensa mais ainda se tiver algum interesse em algo político, noc caso em Magi: Sinbad no Bouken é mais utilizado como uma confraternização de relações entre Reinos e em Magi: The Labyrinth of Magic dá mais foco e discussões em volta da política governamental em Guerra, os dois valorizam essa parte política de uma maneira diferente, uma é mais amena e a outra de forma mais bruta, não que um tenha só isso mas que eu considero que se destaca mais em uma característica do que a outra.

Eu tinha um receio de que eu fosse me incomodar com o Sinbad pois eu ADORO ele e por causa disso o que rolou no final de Magi: The Labyrinth of Magic me deixou extremamente frustrado com ele e acabou fazendo ele decair no meu conceito, sem dúvidas ele seria bom já que lembro de ver o anime da temporada dele e ter adorado o personagem, mas mesmo com essa ânsia que eu tive eu li e adorei até as partes que meio que se conectam com o que ele viria a se tornar pois é extremamente bem feito do início até o fim, não só ele mas outros membros de sua aliança de Sindria são muito bem utilizados e valorizados, só alguns ali que não tiveram totalmente o seu espaço de aproveitamento mas em geral foi muito positivo todo o grupo de Sinbad.
Além disso são todos carismáticos de sua maneira com uma boa apresentação dessas características principalmente o Sinbad que direciona o grupo e que mostra tanto a sua influência quanto o que ele faz ao também influenciar eles a conseguirem serem independentes dele para tomares suas ações e realmente abordar bem isso.
Uma aliança carismática e bem construída, que evidencia de forma profunda a conexão entre os personagens. Essa ligação vai além de uma simples comparação com One Piece, destacando principalmente a jornada de autoconhecimento que cada um percorre — um elemento que também encanta quem acompanha essa obra, como eu. Essa identificação se torna ainda mais forte em Magi: Sinbad no Bouken, que, para mim, transmite uma sensação mais próxima e familiar do que Magi: The Labyrinth of Magic.

Um personagem que estive com muito ódio no final de Magi: The Labyrinth of Magic sendo trabalhado de forma esplendorosa nesse spin off focado nele, aborda muito bem todos os seus conflitos, dilemas e imperfeições.
Imperfeições que em Magi: Sinbad no Bouken foram trabalhadas de forma que deixou muito a deseja na finalização, aqui são muito bem trabalhadas e justificadas pelo foco no personagem então mesmo também tendo esses lados dele ainda não deixam a desejar na abordagem e aprofundamento do personagem, coisa que eleva MUITO o personagem em um outro patamar.
Nunca é bom quando tiver um personagem feito para ser o ápice e perfeito acabar sendo alguém feito somente com essa proposta pois pode soar monótono, e felizmente não é o que acontece, se utilizam dessa predestinação do personagem de forma que a gente não odeie ele mesmo isso sendo destacado no início, mas a própria história entende isso e faz mostrar que o mundo não é tão fácil quanto ele achava e acaba quebrando a perspectiva tanto do leitor sobre o que esperava quanto do próprio personagem fazendo a gente sentir mais pena e tristeza por aquilo que ele passa, algo que realmente faz a gente ter empatia por ele.
A gente vê ele sendo punido das piores formas no limite do que a autora pode fazer com o personagem, fazendo ele ficar numa câmara de tortura onde ele fica em uma sala só com água no pé, parece simples mas isso vai enfraquecendo os ossos dele e vai fazendo ele ficar cada vez mais com frio até ele pensar que vai MORRER de hipotermia, sempre dando ênfase na reação e demonstração de agonia do personagem e quando parece que ele vai morrer ela retira ele da câmara e pergunta se ele ama ela, só que por esse momento ele não ter mostrado afeição por ela como se fosse a sua mãe de fato ela só decide colocar ele de novo na câmara de tortura, ela vai repetindo e repetindo isso até quebra toda a mentalidade do personagem e fazer ele parecer só uma casca vázia, o autor ter chegado TÃO longe me deixou impressionado, ele não fez essa abordagem de forma "física" por assim dizer, já que o que imaginaríamos num caso desse tipo é dele perdendo unha por unha, dedo por dedo etc mas por ser o personagem principal é cabível não ser assim e tem justificativa na história, e só nesse foco dele sofrendo por tudo que "indiretamente" mostrava muito do seu ego, é algo muito bem feito e que realmente trás uma enorme empatia pelo personagem nesse momento.
Depois disso ele finalmente ganha a confiança e decide fugir da Madaura se utilizando das crianças para fugir, e a maneira feita é algo que realmente dá um peso emocional, pois ele decide se utilizar delas mesmo sabendo que muitas poderiam morrer e fazendo isso pelo seu ódio e profunda calamidade que ele sentiu durante todos esses momentos, a gente sente ódio pela Madaura, não só pelo que a gente viu ela fazendo com o Simbad mas o entendimento de sua manipulação emocional por outro personagem.
Fátima era alguém muito submisso a Madaura como comerciante de escravos, alguém sem escrúpulos e que demonstrou extrema inveja do Simbad por causa da confiança que estava adquirindo de Madaura, nisso Fátima decide trapacear e tentar enganar ela para ela livrar o Simbad mas acaba dando errado e ela vende ele para um Homem rico como punição para ele, mas em nenhum momento ela fala que é uma punição, ela só engana ele dizendo que isso faria com que ele fosse o melhor filho que ela teve e ele aceita de tão submisso e obediente que ele é, depois disso mostra que ele ficou junto com o seu novo mestre, na cama dele sem... roupa... nesse momento entendemos que ele foi abusado e a gente sente extremamente impactados por isso, não por gostarmos do personagem mas por entendermos que desde jovem ele já ia sendo manipulado até ao extremo por ela ao ponto de não se importar nem com a própria saúde pelo bem dela, é desconfortante e isso faz a gente ODIAR a Madaura.
Madaura em Magi: Sinbad no Bouken não é horrível como personagem mas o tempo todo temos percepção do quão rancorosa ela é, de forma muito explícita ao colocar o leitor para saber o que ela tá pensando, coisa que é menos impactante do que é feito em Magi: Sinbad no Bouken, pois de invés de dizer na nossa cara o quão maligna ela é, a gente só vê suas ações e o quanto que ela manipula seus filhos, vários momentos que poderia mostrar seus sentimentos com pensamentos e o quão bosta ela é só pelos pensamentos, a gente vê ela com sorrisos tentando passar como alguém decente e boa mas a gente percebe que lá no fundo ela é asquerosa só pelas suas ações, deixando satisfatório o que acontece com ela.
Expliquei tudo isso pois no final a gente vê que o Sinbad fez isso por vingança contra a personagem, não só conseguimos compreender o motivo do Sinbad fazer tudo isso por vermos tudo que ele passou mas por a gente também sentir esse sentimento de querer vingança contra a personagem pelo ódio que foi construído contra ela, algo que mesmo sendo uma imperfeição mostrada ao Simbad a gente aceita pela empatia que tivemos por ele e também por vermos ele compreendendo o erro que ele cometeu e tentando compensar o seu erro salvando o restante das crianças que eram órfãos.
Temos momentos de discussão entre o Simbad e a Serendina sobre os valores de ser um Rei, a gente compreende o lado um do outro e não faz com que nenhum deles seja rebaixado em questão de valores ao leitor, Serendina sendo alguém que acredita muito na linhagem sanguínea e valores dos reis que são transmitidos de eras em eras enquanto o Sinbad busca um reino que junte vários reinos para encontrar a paz e o que ele tanto desejava mas por limitação de perspectivas sobre os valores e um Reino e seu Povo ele perde na argumentação contra ela e dando mais uma pitada de "imperfeição" no personagem que valoriza ele e que mostra que ele ainda tem muito a aprender, sua convicção sendo abalada nisso e depois levando ele a cometer coisas que são extremamente complicadas de se lidar.
Depois de um tempo tivemos um momento onde o Simbad finalmente conseguiu a confiança para poder constituir seu reino ao se encontrar com Barbarossa e ele fazer uma proposta de vender parte de suas terras para o Sinbad que assim ele poderia constituir seu Reino, tudo isso é algo complicado pro Simbad lidar pois sabemos que Barbarossa tem ideais muito negativos pois ele vê como se somente a linhagem de seu povo importasse e que os outros reinos fossem inferiores, mesmo com essa ambiguidade nos valores no Barbarossa o Sinbad aceita fazer esse acordo mesmo sendo contra o ideal do Barbarossa, mesmo assim eles conseguem ser amigos mesmo com essa crenças principais sendo muito distintas pelas suas perspectivas de realidade, chega um momento que o Sinbad encontra antigos colegas e vizinhos de sua vida passada sendo usados nesse mesmo local que ele comprou o ambiente para criar seu Reino.
Nisso fica o principal conflito no momento
"Libertar seus antigos vizinhos e pessoas de sua vida passada para que eles não morram com a destruição do ambiente que será feito o reino por cima" dessa forma ele perderia a confiança do Barbarossa e denovo não conseguiria mais continuar com os seus sonhos de criar um reino seu
ou
"Não fazer nada e largar seus antigos vizinhos e pessoas de seu passado para construir o seu futuro reinado que tanto sonhou e que já estava quase desistindo" dessa forma sacrificaria eles e faria um pecado pelo resto da sua vida.
Isso é um momento conflitante e muito pesado, é uma imperfeição compreensível ao personagem por causa de seus dilemas que ele teve e os sacrifícios que ele fez, mas que é algo tão pesado que eu compreendo quem não gostar da decisão que ele teve, pois é algo extremamente cruel...
Depois disso ele foi manipulado pela Serendina e acabou indo contra o Barbarossa fazendo uma Guerra que levou em milhares de mortes levando em conta 4 personagens relevantes de seu grupo, mesmo depois de tudo que ele passou ele ainda teve que aguentar outros sacríficios ainda mais tristes para constituir o seu Reino e isso mostra o quão profunda e complexa foi sua jornada e suas imperfeições como Humano de fato, é um ótimo personagem que eu achei tão interessante que eu poderia falar AINDA mais dele de tanta coisa que fez ele se elevar, suas dificuldades, seus aprendizados, suas conexões pessoais entre Reis, sua jornada etc foi realmente algo grandioso e valoroso.
Ja'far considero facilmente o que mais se destaca entre os companheiros do grupo do Sinbad, servindo como aquela bengala que impede o Simbad de decair na lamentação e desespero e fazendo ele reconhecer seus valores que não consegue compreender por si mesmo, alguém que era um assassino e que eventualmente conseguiu ser influenciado pelo Simbad só por causa de sua personalidade e percepção de valores ao Ja'far sem olhar para ele somente como um assassino.
Sem dúvidas um personagem muito bom, ele é bem utilizado do inicio até o fim não só em Magi: Sinbad no Bouken como também seus princípios sendo bem mostrados em Magi: The Labyrinth of Magic, realmente um bom personagem que consegue ser elevado pela sua conexão e companheirismo com o Sinbad.
O que me decepcionou é o fato do Vittel não ter tanto destaque nesse arco, pois mesmo o leitor sabendo que ele não tem culpa pois ele foi enganado, ainda sim é bom ter os momentos dele compensando seu erro para compadecer e simpatizar mais com ele e pelo fato de não ter sentido ele ficar tanto de canto sobre o assunto deles lidando com a Madaura visto que o tempo todo a gente via que ele realmente se sentia culpado por isso, então teria muito cabimento pelo menos mostrar ele compensando o seu erro ao contribuir mais no planejamento do plano com o Ja'far e a Rurumu, algo que infelizmente não teve e que achei o ponto mais decepcionante no arco, mas ainda sim eu considero o melhor arco de Magi: Sinbad no Bouken
A personagem eu não dava nada no inicio pensando que ela seria só mais alguém secundária entre o grupo, mas felizmente não foi o caso.
Transmitindo mensagens extremamente marcantes envolta da temática de mãe e trazendo dinâmicas de relação dela entre os personagens de forma bem legal e que até contribuí para o desenvolvimento de mentalidade por trás de um deles e ainda atribuindo uma função de Professora muito boa.
Ela é extremamente valorosa de seu próprio jeito e representando uma feminilidade muito aconchegante e graciosa através da maternidade, mesmo sendo meio bruta a principio visualmente, no final ela retrata uma mensagem muito boa, quem se conectar com essa mensagem vai adorar os momentos de destaque da personagem, mesmo eu não considerando tão frequentes quanto o do Ja'far, ela ainda sim é muito bem utilizada durante a trama.
Para quem viu Magi: The Labyrinth of Magic antes de ver Magi: Sinbad no Bouken pode se criar uma expectativa muito mais específica do que comparado com outras obras que começa sem ter quase nenhum embasamento envolta da obra, limitado a coisa que não deem spoilers ou coisa do tipo, algo que eu já teria por ter visto a obra original e não começado pelo Prequel que seria Magi: Sinbad no Bouken, tem vantagens e desvantagens.
A desvantagem é que a sua expectativa provêm não só do que você ouviu falar em Magi: The Labyrinth of Magic sobre os acontecimentos e personagens que estariam em Magi: Sinbad no Bouken mas pelas expectativas que você teria por esperar que certos personagens que você não acha que foram bem o suficiente em Magi: The Labyrinth of Magic teriam uma 2° chance de serem aproveitados em Magi: Sinbad no Bouken.


A Arte eu não considero ruim, ela faz bem na quadrinização e no direcionamento das informações, além de que diferente de Magi: The Labyrinth of Magic não tem tantos Djins Equips que são muito extravagantes e overdesign que deixam mais confusos de entender e também tem menos momentos de Guerras onde envolvem tantos personagens que é mais complicado do autor deixar mais facilmente compreensível de entender, coisas que não tiveram tanto em Magi: Sinbad no Bouken.
Só que no inicio eu achei a arte meio feia, depois disso ela melhora conforme a leitura mas chega em um momento na história que parece que os rostos e feições do Sinbad ficam meio estranhos e desconexos... um pouco mais largo ou esticado, com uma expressão meio diferente do padrão que não pareceu tanto uma decisão artística, pode ter sido só impressão minha.
Mas em geral ela foi mais positiva do que negativa, característica do traço que já conhecemos do autor.
Não tem tantos momentos épicos e exagerados em questão de momentos de batalha como em Magi: The Labyrinth of Magic onde a arte brilha ainda mais, só que ainda sim ele faz bem.

Levando em conta tudo isso eu até poderia abaixar um pouco a nota mas pela obra ter ido por um caminho que eu gosto muito que é na Jornada e construção de Worldbuilding pela conexão entre os Reinos que seriam abordados, eu elevo muito a nota e pelas conexões emocionais que tive nessa história.
Pode ter sido um pouco apressado já que os capítulos são menores e isso delimita o tempo dos momentos, construções e em seu envolvimento, sim, mas mesmo assim eu adorei e recomendaria para muita gente pois vale muito apena ler essa história.
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