Introdução
Antes de começar a obra, eu tinha expectativas mistas. Ao mesmo tempo que ela me parecia excessivamente carregada de informações e detalhes de época, também esperava algo bom por já gostar de The Climber. No fim, a experiência foi bem diferente do que eu imaginava, de forma positiva.
Comparando com The Climber, aqui o autor se solta mais, especialmente no uso simbólico e visual, o que combina com a ambientação. Ainda assim, continuo preferindo The Climber, por achar a narrativa mais linear e envolvente.
Essa é provavelmente a obra mais desconfortável que já li. O gore é bem intenso e detalhado, e a violência é muito menos suavizada do que em outros mangás. Além disso, há cenas sexuais bem explícitas, com pouca censura, o que aumenta ainda mais o impacto. A obra exige adaptação ao seu estilo exagerado e teatral, embora algumas interpretações sejam mais diretas do que complexas.
No geral, a leitura vale muito a pena, mas exige preparo para o estilo do autor. Como já conhecia The Climber, consegui me adaptar melhor. Ainda assim, entendo que possa ser uma obra excessiva para alguns, mesmo que essas escolhas façam parte da proposta de criar esse desconforto.
Simbologia

Um dos recursos que o autor mais utiliza na obra são os simbolismos, tanto explícitos quanto implícitos, muitos deles apresentados de forma visual. Pessoalmente, achei essa escolha excelente, pois ela transmite indiretamente visões e perspectivas da época de maneira criativa, explorando ao máximo a linguagem dos quadrinhos e a composição das cenas. Em vários momentos, esses elementos também servem para aprofundar sentimentos e dar mais dimensão aos personagens, sem depender apenas de explicações diretas.
Na minha visão, isso traz uma variedade que mantém o engajamento constante, já que o autor frequentemente surpreende com representações artísticas inesperadas. Não considero esse recurso exaustivo, justamente porque ele sempre apresenta algo novo e criativo, com detalhes que enriquecem cada momento. Em vez de recorrer apenas a diálogos para expressar emoções como frustração ou angústia — algo comum em muitas obras —, ele opta por comunicar tudo visualmente. Embora algumas pessoas possam interpretar isso como um excesso ou um “enfeite” desnecessário, acredito que funciona muito bem dentro da proposta da história e fortalece sua identidade.
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É curioso que temos uma breve explicação da época quando começamos e logo em seguida já vemos 5 páginas consecutivas sem nenhuma fala ou em que eu acho nem tem onomatopeia de som, isso é extremamente ousado já de principio já que ele começa sem nem mostrar o protagonista e quase nenhuma informação, ele transmite curiosidade ao leitor de querer fazer a gente entender, nós vimos tudo na perspectiva de uma criança curiosa que passa pela casa e invade uma sala que não sabemos o que é, só nessa introdução sabemos o status da sociedade em que o protagonista vive mas por trás mostra que tem algo errado na mansão, ambientando e representando algo que para frente será frequente, de representar vários elementos e símbolos trazendo curiosidade e só representado pela imagem, um inicio ousado e que trás curiosidade mesmo sem nem nos mostrar o protagonista.
Algo que eu considero legal é que isso serve de certa maneira como um "desconforto" incompleto, imagina que o Carrasco vai cortar sua cabeça, no momento durante o corte o autor não mostra a sua cabeça sendo cortada... e sim uma espiga de milho, isso é uma maneira de refletir a fragilidade e facilidade de cortar o corpo humano mas ao mesmo tempo esse momento fica em "aberto" e a mente do leitor que reflete o "corte" que aconteceu deixando a mente do leitor "sentir" aquilo em expecífico, tem um momento em que o autor faz algo bem diferente, ele pega o Charles e demonstra ele como um Anjo, uma forma de representar o fato dele estar levando os criminosos pro "céu" ou pro "inferno", a maçã a primeiro momento eu associei com Adão e Eva já que ele estaria representado como o "Anjo" e pela associação bíblica de Adão e Eva eu já direcionei para isso, mas na verdade o Autor vai por um lado mais pé no chão e demonstra que aquilo era a maçã que caiu na cabeça de Newton e que naquele momento ele estaria fazendo os cortes somente usando a gravidade do próprio corpo, isso é legal pois a primeiro momento poderia ser só um corte padrão se fosse somente representando o momento já que o corte com ele caindo é quase o mesmo visual que um corte padrão que ele faria nesses momentos, então trazer essa representação simbólica da maçã ajuda a retratar essa característica momentânea dele tendo que usar o próprio peso, e eu acho que pode simbolizar que a "queda" da maçã estaria levando também a queda do prisioneiro para o Inferno, eu acho que pela representação do Anjo e pela queda ir para baixo e serem prisioneiros que até foram estupradores, faz eu considerar essa interpretação também.
Tem também momentos em que a pessoa tá tendo a morte mais BRUTAL possível e quando finalmente morre o autor tira a parte escura do visual e retrata algo angelical representando não só o alívio da morte e que o cara foi para o céu, mas também o peso para o leitor, estava extremamente brutal, representações extremamente pesadas de escuridão e aí saímos desse momento para um céu lindo, com nuvens brancas e um detalhamento e composição com pouquíssimo preto e o branco destacado, trazendo aquele alívio depois desse momento.
Tudo isso não só ajuda a transmitir o sentimento ao leitor de forma simbólica e visual como também atribuí na ambientação e representação visual da época, tem alguns momentos que vai até um pouco longe refletindo o futuro mas é algo conectado aos objetivos e percepções dos personagens e que conforme essas representações sempre vão refletindo os conhecimentos e visualizações daquela época, isso ajuda a ter melhor compreensão de conhecimentos daquela época que eram bem mais enrijecidos em relação a mitologias, história, cultura etc, ajudando na ambientação e compreensão do leitor a cerca da época, não é muito frequente que essas representações saíam da visão da época, e se ela acaba saindo tipo mostrando o futuro é mais algo "abrangente", não é tipo uma representação da 2° Guerra Mundial ou até da 1° que seriam momentos históricos que o Autor poderia trazer, mas não é o que ele faz, ele se utiliza de informações que JÁ aconteceram, se fosse de informações que provêm além dos acontecimentos atuais isso poderia atrapalhar na imersão visto que as informações que o autor representa visualmente são baseadas nas visões dos personagens também, então é algo fixo e bem feito. Representação da época

Um ponto que pode incomodar algumas pessoas é o nível de explicitude e detalhamento com que a obra retrata elementos inspirados na vida real, dando uma sensação de grande fidelidade histórica. Ao mesmo tempo, o autor exerce uma liberdade artística marcante nas interações, nos trejeitos e na forma como os personagens se comportam, muitas vezes de maneira quase caricata e fortemente teatral. Vejo isso como algo intencional: o desconforto faz parte da proposta, servindo para transmitir a “distopia” daquele período. O uso do gore e dos exageros reforça essa ideia, mostrando um mundo estranho e distante da nossa realidade. Nesse contexto, o protagonista Charles, por sua postura mais humana e hesitante, acaba sendo o ponto de identificação em meio a figuras tão excêntricas e cruéis.
Esse exagero visual e comportamental, aliado à ambientação e às interações, intensifica a sensação de estranhamento. Em alguns momentos, a obra parece até ultrapassar certos limites de forma deliberada, o que inicialmente pode soar desagradável, mas depois se revela coerente com a proposta do autor. Até mesmo expressões faciais consideradas “feias” podem fazer parte dessa intenção artística. Ainda assim, é compreensível que alguns leitores preferissem uma abordagem mais realista para retratar a época. Para quem já conhece outras obras do autor, essa estilização pode ser mais fácil de aceitar, mas para novos leitores, pode causar um impacto maior.
Comparando com The Climber, fica claro que as duas obras tratam o realismo de maneiras bem diferentes. Enquanto The Climber se inspira em uma figura real, não passa a mesma sensação de reconstrução histórica detalhada. Já aqui, há um cuidado muito maior com informações específicas e com a ambientação, o que cria uma mistura curiosa entre o realista e o surrealista. Esse contraste, somado ao exagero estilístico, pode incomodar ainda mais justamente por parecer tão próximo da realidade. Ainda assim, consegui apreciar ambas as obras, embora reconheça que o nível de envolvimento do leitor com o contexto histórico — especialmente com a França da época — pode influenciar bastante na experiência.
Outro aspecto que pode gerar confusão é a frequência das mudanças temporais. A narrativa apresenta diversos saltos no tempo, o que me fez voltar várias vezes para conferir as datas e tentar me localizar melhor. Em um momento específico, por exemplo, a história aparenta voltar de 1760 para 1750 sem uma transição clara, mantendo personagens com a mesma aparência, o que torna tudo ainda mais confuso. Isso levanta dúvidas sobre possíveis erros de data, seja por parte do autor ou da tradução utilizada. Como precaução, vale a pena acompanhar atentamente a cronologia — por exemplo, utilizando referências como a árvore genealógica da família Sanson — para se orientar melhor. Além disso, há pequenas inconsistências, como menções de passagem de tempo que não batem exatamente com as datas apresentadas, então é bom ficar atento a esses detalhes durante a leitura.
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Outra coisa que pode incomodar muita gente e eu acho compreensível é os beijos, até metade da história os que tiveram não pareceram "românticos" de fato, começando com:
1° Beijo (Charles e Jean de Chartois): Os dois tiveram um momento breve em que se conheceram que o Jean beijou de forma abrupta o Charles em pouco tempo em que se conheceram, a maneira que isso é retratada é como algo emocional e que conecta os dois mas ao mesmo tempo não transmite o sentimento do Charles de ser Beijado por ele, parecendo algo que ficou a esmo por ele e não parecia representar nada de especial e depois de ter matado ele, o Charles decide que irá viver como carrasco e que ele "não amará nenhuma mulher", se ele fosse Bi de fato, não teria tanto pessoa essa informação pois querendo ou não ele ainda poderia ficar com um homem então não é como se ele realmente "sacrificasse" os seus prazeres de fato nessa fala e a parte que rolou o beijo pareceu mais uma maneira do autor transmitir um impacto e conexão entre eles do que um "romance" de fato.
2° Beijo (Charles e Luís Augusto XVI): Nesse caso pode até ter parecido mais romântico por causa da conexão que o autor criou mesmo de forma breve e pela ambientação, o fato do Augusto ser alguém que quer ser fora dos padrões impostos pela realeza e não querendo se casar e por isso beijando o Charles realmente transmite uma sensação de algo realmente romântico, só que o problema é... Charles já tem mais de 20 anos e o Augusto tem uns 11 por aí, mesmo sendo coisa da época, isso iria atrapalhar um pouco o aceitamento com o personagem por causa da nossa racionalidade atual do quanto isso é errado, mas de fato não era romântico o beijo denovo... não foi nem o Charles que decidiu beijar a pessoa e sim o Augusto de forma abrupta e o Charles é CASADO e tem 2 filhos ainda nesse momento da história, se o autor quisesse transmitir que é algo romântico teriam 3 problemas: 1° o fato de que o autor não deu foco nisso de que o Charles mesmo sem ser a sua intenção tivesse traído a sua esposa, 2° Charles é alguém muito certinho e tenta seguir a linha conforme o seu posto de carrasco da família, fazer um beijo Gay nessa época seria algo fora do convencional e que poderia ser um elemento de fora da curva do personagem e 3° o fato de que o Augusto que é o Herdeiro de sua família fazer algo desse tipo nessa época seria um grande tabu, só que a história não retrata isso.Por causa disso nesse momento da história eu entendi que esses beijos eram só uma liberdade artística do autor e que utiliza como somente um elemento de conexão emocional entre os personagens para ser uma retratação que transmite uma relação entre as pessoas da época muito mais dramatizada também, de invés de um beijo na bochecha já é logo um beijo na boca, não tenho tanto problema assim pois eu aceito essa parte teatral e dramática representada dessa maneira, mas entendo completamente quem não gostar tanto disso.
Além desses beijos teve a da Marie-Joseph Sanson com o cara que iria ceifar, e fica nessa ambiguidade de que ela só estava manipulando ele, teve o dela com a Maria Antônietta que aí sim eu acho que foi algo puxado para o Romance que conhecemos e por ela ser rebelde tem sentido até na época, e teve outro em que ela beijou o Alain Bernard quando mais jovem... que fica na mesma provavelmente que o Charles, não acho que foi um romance de verdade como conhecemos, e ainda é estranho pois é uma criança beijando um adulto.
Isso de beijar um adulto na época parece realmente fora da nossa realidade e eu aceitei pois é uma retratação de época onde o autor NÃO está passando pano, ele tá só utilizando isso para demonstrar o quão errado era essa época e tudo em geral soa dessa maneira de alguma forma, então nem considero que é que nem Made in Abyss onde tem momentos errados com menores de idade mas que na maneira que é retratada na história parece que está ali só porquê sim e não com uma intencionalidade do autor, no caso a intencionalidade do autor de Innocente eu consigo ver justificada muito bem pela época em si, eu compreendo quem não gostar disso mas eu consegui me abster para aproveitar disso, a suspensão de descrença da pessoa vai depender.
O quão fidedigna é com a História real e sua licença poética?

Essa parte em específico é só para comentar umas conexões do mangá com a história real, boa parte delas é do chat gpt então pode ter algum erro mas se quiserem buscar mais a fundo por confirmação delas vocês tem sua liberdade para fazer isso, eu não tô fazendo isso pois eu considero que está totalmente correto mas sim por uma curiosidade minha já que a história detalha tanto sobre isso.
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Em termos de fidelidade histórica, Innocent demonstra um cuidado notável com a ambientação. Os cenários, vestimentas e costumes da aristocracia francesa do século XVIII são retratados com riqueza de detalhes, refletindo um trabalho de pesquisa minucioso. A própria família Sanson, que de fato existiu e atuou por gerações como carrascos oficiais de Paris, é representada com base em registros históricos. Charles-Henri Sanson, em particular, foi uma figura real, responsável por executar diversas figuras importantes, incluindo Luís XVI. O mangá também aborda o estigma social enfrentado pelos carrascos, que, apesar de exercerem uma função estatal, eram marginalizados — um aspecto historicamente verificado.Entretanto, a obra não se limita a uma reconstrução documental. Ao contrário, ela incorpora elementos estilizados e narrativos que se afastam da realidade histórica. Um dos exemplos mais evidentes é a caracterização psicológica dos personagens. Charles-Henri é retratado como um jovem atormentado, quase poético, profundamente sensível ao sofrimento humano. Embora seja plausível que o verdadeiro Sanson tivesse conflitos internos, não há evidências históricas que sustentem tal grau de introspecção dramática. Trata-se, portanto, de uma construção ficcional que atende mais às exigências narrativas contemporâneas do que à documentação histórica.
Outro ponto de distanciamento está na representação de Marie-Joseph Sanson, uma personagem central na trama. No mangá, ela é uma figura transgressora, com traços andróginos e comportamento desafiador das normas de gênero da época. Contudo, essa personagem não possui base histórica comprovada, sendo uma criação do autor. Sua presença serve para explorar temas como identidade, poder e opressão, mas também introduz elementos anacrônicos, especialmente na forma como questões de gênero são abordadas sob uma lente moderna.
Além disso, Innocent frequentemente exagera na estética da violência e da beleza. As execuções são retratadas de forma quase coreografada, com um lirismo visual que dificilmente corresponderia à brutalidade crua dos eventos reais. Esse tratamento estilizado aproxima a obra mais de uma experiência artística do que de um relato histórico fiel. A guilhotina, por exemplo, embora historicamente precisa em sua função, é envolta em uma aura simbólica que transcende sua realidade como instrumento de execução.
Por fim, é importante considerar que Innocent não pretende ser um registro historiográfico, mas sim uma obra de ficção histórica. Sua fidelidade reside mais na recriação do espírito de uma época — marcada por desigualdade, tensão social e iminência de ruptura — do que na precisão factual de cada evento ou personagem. Ao mesclar elementos reais com interpretações artísticas e invenções narrativas, o mangá constrói uma narrativa envolvente que dialoga com o passado, mas também com sensibilidades contemporâneas.
Assim, a comparação entre a fidedignidade histórica de Innocent e os acontecimentos reais revela uma obra que equilibra pesquisa rigorosa e liberdade criativa. Se por um lado ela respeita o contexto e certas figuras históricas, por outro, não hesita em distorcê-los para explorar dimensões emocionais e filosóficas. Essa tensão entre realidade e ficção é, talvez, o que confere à obra sua força singular.
E além disso que o Chat GPT comentou, eu também acho que é fora da lógica os beijos retratados na história pois Gays eram um Tabu onde não poderia acontecer ao vivo pois isso mancharia eles em relação a sociedade, o autor até faz esses momentos escondidos mas em boa parte das vezes não mostra o quanto isso é um Tabu naquela época, a única vez que deu mais esse sentimento foi com a Marie-Joseph Sanson, então mesmo tendo realmente elementos "LGBT" como é dito nas tags dos spoilers, boa parte das vezes esses elementos não são tratados como a "identidade" do personagem em si e só uma maneira de afeto entre um e o outro.
PersonagensBoa parte transmite a perspectiva da época, acabamos tendo um desconforto vendo que certas coisas que para eles era normal hoje em dia seria repugnante e por isso muitos deles conseguem funcionar em sua proposta, alguns tentam ser bons e imaculáveis só que a sociedade sempre mostra que nunca alguém bom de fato sobrevive nesse mundo imaculado pela cobiça, ou você faz parte da sociedade em algum momento ou a sociedade te expurgar para o mais obscuro âmago dela, vários personagens tentam sair disso só que nenhum consegue... ou será que não? só lendo para saber se algum jaz a se sobressair por cima disso tudo, será o protagonista a solução para isso?
Charles-Henri Sanson

No início, fiquei um pouco incomodado com a forma como o protagonista é introduzido, começamos com ele demorando a aparecer, quando surge no primeiro capítulo, não recebe o destaque esperado diretamente. Tendo até uma página dupla em que ele está presente, mas não é o foco principal na página, ficando quase oculto, enquanto outro personagem aparece de forma mais evidente. Depois de um tempo, isso começa a fazer mais sentido, pois reflete bem a personalidade dele: alguém fechado, deslocado e em desarmonia com a própria família, quase como um “patinho feio” dentro daquele ambiente.
Quanto à construção do personagem, sinto que no começo ela deixa um pouco a desejar, mas isso muda significativamente ao longo da obra. Conforme a narrativa avança, ele passa a receber mais atenção e desenvolvimento, permitindo compreender melhor suas crenças, motivações, passado e transformações. Mesmo as mudanças mais sutis conseguem ter impacto. Minha única ressalva é que, na parte final, a história divide mais o foco entre diferentes perspectivas, o que acaba reduzindo a centralidade dele. Ainda assim, no geral, considero um personagem muito interessante e bem construído.
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No inicio o autor conseguiu deixar bem explícito sua personalidade e trejeitos com o quão deslocado ele é de sua família, meio afeminado também e com alguns momentos que soam muito femininos para também eu considerar uma demonstração teatral do autor para representação de delicadeza do personagem, sua caracterização é boa só que de inicio ele tem uma "relação" muito abrupta com um cara em que logo em seguida seria decapitado pelo Charles, não fez se conectar tanto ao cara que seria decapitado por ter sido muito raso se utilizando de um beijo para tentar retratar uma conexão mais "impactante" mesmo não tendo tempo e elementos de conexão com ele e logo em seguida a gente já ver que ele que o Charles terá que decapitar, é algo que não desmerece o Charles ter empatia pois querendo ou não ele teria dificuldade para matar de qualquer jeito, mas essa demonstração pareceu meio artificial para tentar sentir empatia pela pessoa que seria morta logo em seguida e por isso eu não achei tão bom assim.
Depois disso a gente viu que o Baptiste pai de Charles tava querendo fazer outro filho e o Charles vendo tudo isso enquanto o Baptiste dizia que queria substituir o Charles com outros filhos, isso é até legal como um marco que impactou o personagem só que logo depois temos um pulo temporal já mostrando que ele mudou e que consegue decapitar se utilizando de sua crença religiosa como apoio, algo que eu gostaria muito de ter visto sendo representado dele se adaptando ao trabalho como carrasco e ele lidando com o hate que o pessoal teve depois daquela primeira decapitação que foi extremamente brutal, só que não tivemos isso e achei meio decepcionante pois poderia ajudar ainda mais no desenvolvimento do personagem.
Depois disso aí sim ele se torna mais fixo na construção sem tantas curvas que acabam desvalorizando ou algo do tipo, ele vai se utilizando de sua crença como apoio moral e todas as representações são representações disso de muitas maneiras e quando ele se encontra com o Robert é algo que engrandece o personagem, a relação deles é muito bem feita e performática, suas interações soam muito bem direcionadas e faz criar uma empatia pelo Charles ajudar ele quando precisava de um amparo, o Charles tentando impedir que o Robert seja ainda mais torturado e tentar compreender o motivo dele ter feito aquele quase assassinato do Rei é como se o Charles representasse a nossa curiosidade e durante toda a morte do Robert a gente vê o Charles tentando limitar o máximo possível do sofrimento do Robert de maneiras bem criativas e que faz ele não ser desmerecido como Carrasco e ao mesmo tempo segue seus ideais de tentar trazer mortes menos cruel possível, esses momentos dele com o Robert finais muitas vezes é representado por Simbologias e retratações de como poderiam ter se dado bem se não fosse esse acaso dele ter que matar seu colega, mas isso cria um contraste entre o 1° que a gente viu o Charles decapitando com o Robert, O 1° olhou na alma do Charles e o fez ser repudiado o máximo que possível mas o Robert em nenhum momento demonstra rancor pelo Charles, ele morre sorrindo para o Charles e acho bem legal pois retira boa parte do peso que o Charles sentiria com esses momentos e acho que isso foi proposital do Robert, ele não queria emplacar culpar no Charles mesmo que ele se envolvesse com sua morte pois ele compreendia a função do Charles na sociedade e o entendimento dos sentimentos e a bondade do Charles e por isso eu adoro esse momento pois seria muito desconfortável ver alguém que era tão nobre de sua parte mesmo sendo pobre tendo sua mudança de perspectiva sobre aquele que te deu amparo em seus últimos momentos de vida.
E por causa de alguns acontecimentos nisso tudo o Charles teve uma intriga com sua mãe e seu pai que fizeram se separar, depois disso a mansão ficou em seu porte e assim invadiu o "quarto" de seu pai e descobriu que ele era crente que nem ele mesmo, nesse momento a visão do Charles sobre seu pai parece ter mudado drasticamente, isso é representado de forma meio sútil sobre ele só começar a aceitar seu pai como alguém próximo e a sua irmã destacando essa mudança nele.
A principio o autor estava já destacando a mudança do Charles através de sua irmã enfatizando no inicio que estava que nem o seu pai, mas eu não levei tão a sério pois ela era alguém muito mentalmente instável pelo que tinha sido mostrado anteriormente e até o antigo Charles não iria querer que ela fizesse uma morte tão brutal que só trouxesse sofrimento ao criminoso então eram indícios que por serem provindos de alguém que realmente tinha feito merda eu acho compreensível, até certo ponto vai destacando essa semelhança só que ficava numa linha tênue que não parecia tão igualado essa semelhança com seu pai até que a gente descobre que o Charles também punia seu filho da mesma maneira que o seu pai fazia, nesse momento percebi que não tinha mais volta e sendo transmitida de forma crua e melancólica, essa mudança eu não achei tão forçada e também não achei muito abrupta e soou natural, não é algo tão rápido que nem o caso lá do início e por isso se tornou um bom arco de corrupção ao personagem, soava "explícito" por causa da Marie mas não tanto porque eu não conseguia levar totalmente a sério pois ela já era encrenqueira.
Outro momento memorável foi no "tribunal" que ele teve com os nobres, naquele momento ele tinha sido chamado pelo próprio príncipe nessa festa e ninguém além do príncipe que seria herdeiro sabia dessa informação, e por isso o Charles entrou em uma enrascada pois descriminavam totalmente a sua função como carrasco e o quão maníaco eles consideravam ele por matar pessoas daquela maneira, isso é legal pois é praticamente a visão que teríamos hoje em dia, então mesmo os Nobres ainda conseguiam ter um pouco de "humanidade" de achar grotesco mortes do tipo como espetáculo mas ao mesmo tempo isso também é representado como uma hipocrisia deles pois eles aceitam outros tipos de mortes contanto que seja feita pela escala alta da patente e não por um carrasco como o Charles.
Durante a discussão ficávamos com um receio de como ele se sobressairia da situação, eu pensei em uns 3 métodos.
1° A mais óbvia, o príncipe Luís iria tomar coragem e impor que ele era o convidado que ele tinha chamado, dessa forma o autor iria conseguir retirar o personagem de uma ocasião negativa e poderia ser uma reviravolta a qualquer momento, além disso daria um espaço para o Luís ter o seu momento de destaque e melhorar como alguém que era tímido e não se importava com o seu posto, mas eu acharia esse caminho o mais óbvio a se acontecer.
2° O Charles lida com o tribunal de sua maneira com seus próprios argumentos envolta de todos eles e consegue mudar a visão e se sobressair, algo que elevaria o personagem demonstrando algo que tava meio que faltando de deixar mais explícito suas convicções como carrasco já que antes ele era meio ambíguo envolta do assunto e assim deixando mais sólido os pensamentos dele.
3° Ele acaba sendo preso por causa desse debate e cria um mini arco onde o Luís como príncipe tem que retirar ele da cadeia com a sua patente, seria algo até meio realista pois a cabeça dos nobres é extremamente quente e poderia até perder a moral mas por não aceitarem isso decidissem deixar ele na cadeia de qualquer forma.
No final das contas fomos pela 2° opção, ele demonstrou suas crenças e perspectivas que são praticamente 90% na base de lógicas e enquanto isso o autor ao deixar o príncipe para saber da situação deu uma carta branca pro Charles, independente do que o Charles fizesse e se desce mal eu ainda acharia plausível o Luís retirar ele dessa situação, mesmo que por um dos seus subordinados desce a entender que ele poderia ser afetado por causa disso, meio que ele não ligava tanto para isso de ser herdeiro do Rei e também poderia ser só uma manipulação de seu subordinado para ele ficar quietinho na dele, então isso facilita em conceber um momento de valorização ao Charles onde o autor tem a carta aberta de reviravolta para retirar ele de uma enrascada, mas ao mesmo tempo o autor tem essa carta e simplesmente só não usa e quando tem a reviravolta é por algo totalmente inesperado e que tem lógica pelo quanto eles eram mesquinhos.O argumento do Charles se resume dele não considerar a sua função como algo inferior aos nobres, pois sua função provêm do que a Majestade decidiu e todas as mortes que ele causa são por decisões do reino e de quem é criminoso então ele não sujaria suas mãos somente por fins pessoais e sim para ajudar Paris em nome da Majestade e que o concede como algo nobre.
É bem lógico, a gente pode ter uma perspectiva diferente atualmente só que nessa época era esses métodos que utilizavam para lidar com os crimes, sendo "corretos" ou não, ainda sim ele tá bem certo pelos parâmetros legislativos induzidos naquela época e é um ótimo argumento que não se baseia tanto em algo mais "emocional" e sim lógico, e acho isso bem legal já que muitas obras mesclam os dois lados só que de forma soam muito mais emocionais do que totalmente lógicos e para aceitar a mudança das pessoas envolta daquilo tem que ser MUITO bem feito na minha visão e caso não seja só parece algo meio genérico como a gente sempre vê, por isso gosto dessa discussão por se destacar de boa parte das obras que tendem a fazer isso.
Outro argumento é que antigamente baseado na crença mais bíblica deles o Carrasco era tipo um braço direito do Rei, e isso o tornava quase tão relevante quanto o próprio rei por ficar ao lado dele.
Isso além de enfatizar o argumento anterior ainda quebra a crença das pessoas envolta e ainda ele mesmo dúvida da falta de lógica deles nem saberem sobre isso, enfatizando muito mais a lógica dele se utilizando da visão que eles deveriam ter de forma um pouco mais bíblica, e disse meio bíblica pois esqueci exatamente no que era em relação ao "catalogado" por eles, pode ser bíblica mesmo mas não tenho certeza
Ele finaliza com seus argumentos se utilizando de exemplo um dos nobres que se envolve na Guerra, falando de "matança" no caso dele não é tão diferente da de um carrasco, só que ele é mais dependente de sacrifícios da sua pátria de invés de fazer o "bem" que nem o carrasco que só mata sozinho e praticamente ajudando a França a melhorar só de matar bandidos que contribui em "salvar" a França, diferente do general que leva vários a sua morte e que só mata "inocentes" e não criminosos já que isso são decisões do rei e não que as pessoas da guerra "estão" cometendo crimes pois isso é dirigido a eles, enquanto para o carrasco a única matança que está tendo é de criminosos, não que defender o próprio país numa guerra é visto como um ato falho e sim de bravura, mas isso não torna o carrasco alguém indigno e que da mesma maneira que o General ele só tá seguindo as decisões de seu rei
Ao se utilizar da função de um dos próprios nobres que mais tem importância e relevância com seu posto e mostrando que eles não são tão diferentes, descredibiliza boa parte dos argumentos que eles tem em relação a diferença social entre ele e eles, levando ele a estar muito no mesmo patamar que eles só praticamente com argumentos lógicos que realmente fizeram eles ficarem dúvida de suas diferenças, mas mesmo assim eu acho que nesse momento eles não aceitariam de qualquer jeito por causa de seus egos de nobres de qualquer maneira, até que um dos Juízes daquele tribunal feito ás pressas cortou o pescoço do general que tinha perdido a discussão, de invés do autor solucionar o problema que o Charles provavelmente teria só de utilizar o Luíz para finalizar o Tribunal ele quebra essa expectativa para finalizar o tribunal ao matar um deles que tava na discussão por causa do saudosismo e mentalidade de um dos juízes que se utilizou também do general ter ameaçado o Charles como pretexto para fazer isso, mostrando também que o Charles estava tão acima que até desestabilizou a mentalidade do general.
E nisso você diria que foi uma solução "deus ex machina" para retirar o Charles dessa situação? na minha visão não é isso, o Autor tinha a carta branca para solucionar esse problema a qualquer momento só com o Luíz, ao mudar o seu método para outro jeito de solucionar o problema acaba quebrando as expectativas de forma boa, é teatral e muito dramático essa mudança repentina mas foi o jeito do autor de quebrar as expectativas e de também mostrar que o Charles era tão bom que independente do Luíz se envolver ou não ele conseguiria influenciar todos ali de alguma maneira e sobressair por cima dessa situação, eleva o protagonista dessa maneira e ainda acaba quebrando a expectativa de forma que não é forçada pois seria tipo um caso semelhante em Jujutsu Kaisen
Durante uma luta o Itadori fica inconsciente e perde para tal personagem, de invés do autor utilizar o Sukuna para solucionar essa "derrota" ele transmite um mistério por trás do vencedor da luta que faz ele desistir de finalizar o Itadori, querendo ou não o autor poderia solucionar esse problema usando algo que já estava estabelecido e que não seria forçado mas ele usa outro método para que traga algo novo que será trabalhado mais para frente e isso é ótimo, pois não soa "deus ex machina" pois em si dentro da trama já tinha uma solução para aquele dilema o tempo todo então o autor se utilizar disso para introduzir outro elemento, e por isso acho tão boa essa reviravolta na discussão do tribunal com o Charles.
Eu já li Kingdom e comparo bastante esse diálogo no tribunal do Charles com a discussão entre Ei Sei e Ryo Fui, pois é uma construção feita para elevar um personagem "bom" que tem decisões que são fora do comum, da mesma maneira que o Charles faz uma matança envolta de uma crença positiva o Ei Sei também faz isso envolta das guerras que ele cria, os dois se baseiam numa crença de que futuramente todas essas mortes iram criar a oportunidade de não precisar mais existirem, os dois envolve questões de épocas mais antigas como Unificação da China e o século 18 da França, e os dois destacam explicitamente os argumentos como maneira de elevar os personagens e fixar suas crenças e dilemas, só que no caso do Charles ele é o único que é utilizado para ser elevado enquanto no caso do Ei sei vs Ryu Fui é para os dois personagens na discussão, mas esse diálogo do Charles eu sinto que é mais lógico do que a do Ei Sei que bota crenças de espirito da humanidade no meio enquanto o Charles se utiliza bem mais da lógica e monarquia daquela época, você pode preferir um ou outro pois eu adoro os dois, por mim são incrivelmente bem feitos praticamente no mesmo nível, agora acho que o autor de Innocent pode ter se inspirado bastante no diálogo entre Ryu Fui e Ei Sei de tanta semelhança que eu vi, e mesmo assim ficou tão bom quanto, já que Kingdom é muito icônico no Japão nada impede de ter se inspirado mesmo.
Depois a gente vai finalizar a obra mostrando que o Charles ele se tornou o seu pai no final das contas, mas com a criação da Guilhotina vemos a sua reação como se fosse algo macabro mas ao mesmo tempo é algo que ajudaria a criar seu objetivo de não precisar de mais carrasco na frança, então ainda dá uma ponta de esperança de uma "redenção", mas só poderei saber se teve quando eu visse a continuação de Innocent que vai demorar para acontecer.
Em geral eu adorei o personagem só que não acho perfeito pois lá no inicio eu achei estranho a mudança meio brusca temporal com algo que iria agregar muito mais ao personagem e que foi descartado, mas depois disso eu só vejo melhoras com ele e além disso mostra um pouco do passado dele mostrando que ele já estudou na escola mas o professor que o ajudava não pode continuar com ele, é algo rápido mas que eu acho bem funcional e que diferente de outras histórias que deixam muitas pontas relevantes ao passado do personagem que não é retratado, as poucas que tivemos foram retratadas que foi essa dificuldade de relação com outras pessoas que o Charles tinha e além disso não vejo muitos elementos em aberto que atrapalham o personagem assim.
Não é tipo um Sukuna da vida que tem revelações importantes do passado utilizados para influenciar na trama na atualidade só que não são retratados e fica só como uma informação conveniente para utilizar o personagem.
Acabei me estendendo bastante nessa explicação e análise dele, mas isso mostra que tem bastante coisa a se comentar com ele, ele é um ótimo personagem e por isso me dediquei tanto a analisar assim.
Marie-Joseph Sanson

Com o passar da trama, ela se torna uma das personagens mais ousadas, e isso fica mais claro quando se entende sua natureza dentro da obra. Diferente de muitos outros personagens, que são baseados em figuras históricas reais, ela é uma criação original, o que permite ao autor trabalhar com mais liberdade em suas atitudes e ideias. Isso explica por que ela parece tão à frente de seu tempo e mais destoante em relação ao contexto em que vive.
Pessoalmente, não foi o tipo de personagem com o qual mais me conectei, já que prefiro muito mais a construção do Charles. Em certo ponto, senti que o desenvolvimento dela não foi tão marcante quanto eu esperava. Ainda assim, é inegável que ela cumpre bem seu papel na história, transmitindo uma mensagem interessante sobre liberdade e contribuindo de forma relevante para o andamento dos acontecimentos na trama.
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De inicio eu gostei da introdução como se fosse a representação ideal do carrasco que o Charles vê, ele já tinha receio sobre ser um carrasco e quando se depara com as qualidades de sua irmã mais nova ele nota que ela é bem mais bem preparada para isso do que ele, acho que foi com um sentimento de que ele não se via como tão suficiente quanto ela e queria dar melhor oportunidade para ela pois diferente dele que não queria e acabou se tornando ela é o oposto, alguém que tem as capacidades só que não consegue por causa de seu gênero.
Depois de um tempo vimos que ela pôde se tornar carrasco... só que somente depois de ter sido abusada sexualmente pela pessoa que iria tornar ela um carrasco, isso é representado como uma boneca de cerâmica sendo destruída, além de deixar censurado ainda continua sendo muito melancólico isso e quando vai finalmente fazer a sua primeira decapitação ela faz isso da maneira mais errada possível como uma tortura para o condenado, por causa disso o Charles não aceita ela fazer a sua próximo a decapitação pois aquilo foi tão marcante para o público e fora do real que ele não queria que ela fizesse a mesma coisa, ela retruca dizendo que estava igual o seu pai só que no final das contas ela que realmente tava errada na minha visão, ela deu um jeito de finalmente conseguir fazer a decapitação e antes desses momentos a gente vê ela se portando de forma mais ríspida com seu condenado falando que se ele não tem capacidades de ficar de pé durante a execução é melhor que ele se mate logo, porquê diferente de outras decapitações ela teria que matar ele de pé e isso seria muito complicado pelo osso ficar fechado enquanto ele estiver de pé e por isso ela tratou de forma bem séria a situação mesmo sendo um caso em que a pessoa até tentou matar ela anteriormente, mostrando que ela tá tratando de forma bem diferente do que foi anteriormente, ela realmente parece estar mudando.
Quando ele vai ser decapitado ele desaba e cai no chão de tanto medo e não consegue ficar de pé, ela diferente de anteriormente não fica enfurecida com esse tal ato dele, ela respeita e tenta elevar a moral dele e acaba beijando ele para que conseguisse ficar de pé novamente e finalmente conseguindo cortar a cabeça dele.
Mesmo nos sendo dito que a personagem fez isso para tirar proveito dele e conseguir matar o personagem, mostra uma mudança de estado mental dela de não ser tão bruta e impaciente como foi anteriormente e realmente levando a sério sua função e parecendo que teve uma boa mudança nela, essa parte eu gostei bastante além de trazer de novo outra maneira criativa de executar alguém.
Depois de um tempo a história começa a focar mais na personagem e na relação dela com a Maria Antônia, Maria Antônia é representada como uma princesa delicada com vestido e uma aparência bem angelical e na sua primeira aparição mostra que foi derruba uma taça de vinho em sua roupa que forma uma mancha bem na parte "íntima" que normalmente seria a de uma mulher, mostrando que a mulher mais nobre e perfeita é aquela que "amadurece" quando perde a sua virgindade e se torna uma bela dama.
Em contra ponto mostra a Marie como alguém rebelde, fora da curva imposta pela sociedade e toda cheia de sangue extremamente diferente da Maria Antônia, sendo a primeiro uma boa representação da relação entre elas que iria vir daqui um tempo na história.
Quando elas se conhecem a primeiro momento é com a Maria Antônia vendo aquele resquício de rebeldia que lhe faltava com a Marie indiretamente, em sua perspectiva era como se a Maria Antônia com seus olhos transmitisse uma impureza que afetasse ela só pelo olhar, algo meio estranho mas pela base teatral que a obra sempre retrata é aceitável isso.
Só que eu não gosto do fato de que em um dos primeiros momentos em que elas se conhecem já é com a Marie tocando nas partes íntimas dela e ter já essa parte sexual entre as duas, se tivesse sido mais construída essa relação de forma mais longa com diálogos mais interessantes e não só por representações visuais que "nem" aconteceram faria com que eu gostasse mais desse casal, pois mesmo representando essa parte de contraposto que eu gostei, ainda sim as interações entre elas para mim não valorizou tanto o casal e por isso não acho tão bom assim...
Mas eu acho legal que diferente dos momentos "gays" que tivemos com o Charles, nesse caso foi realmente retratado de forma lógica de que por ser um Tabu esse relacionamento seria escondido e por ela ser alguém que é realmente uma rebelde tem sentido esse linha solta da sociedade que ela fez, e acaba sendo o único momento que eu considero realmente LGBT por retratar mesmo mais como uma relação e não quebrar tanto a lógica da época diferente de outros que tivemos.
Depois disso chegou o momento em que o Charles quis que ela se casasse com alguém de sua escolham por causa disso o Charles aceita a disputa entre ela e ele para decidir se ela teria o direito de ser livre do casamento ou se teria que aceitar essa obrigação dele, o Charles começa atacando e analisando a compostura dela de forma muito metódica e por causa disso ela já antecipa essa mentalidade dele e perde a luta, nesse momento percebemos que a "fora da curva" dela foi o que lhe deu a vantagem e que é o que o Charles estaria criticando nela, ironicamente o Charles trapaceia e atira com uma pistola que estava em sua espada.
É injusto? sim, mas eu não fico tão apegado com a Marie pois... ELA TAVA TENTANDO CORTAR A CABEÇA DE SEU IRMÃO, antes tinha até mostrado "ah, o Charles praticamente não derramou nenhum sangue em suas decapitações mas sua irmã fez um mar de sangue" mas acho que era só para indicar a diferença dos métodos e que mesmo assim ela poderia ter o seu alto controle emocional na medida certa, só que quando mostra que durante um combate entre ela e o Charles ela nem precisa matar ele e sim só causar um corte que faça sangrar independente do quão raso seja, ela decida que vai matar ele faz com que aquele momento em que parecia que ela tinha mudado e ficado menos impulsiva tenha voltado... demonstra que ela ainda tem essa parte bruta nela que avinhamos antes e que aquele momento que parecia que ela tinha mudado não foi tão impactante quanto parecia que a obra queria mostrar, eu não gosto dessa decisão dela mesmo o irmão impedindo ela pois a relação entre ela e a Maria Antônia não achei tão impactante quanto poderia ser e além disso era o seu próprio irmão que deu oportunidade para ela se tornar carrasco, essa maneira de ser bruta e querer matar ele por mim dá BASTANTE razão ao Charles por ter trapaceado, eu acho que talvez ele até tenha decidido trapacear pois não duvidava de sua irmã tentar matar ele, ou tu VENCIA e o cara saia MORTO ou ela Perdia e o seu irmão continuava vivo, dessa maneira desde o momento em que ela revelou que mataria o seu irmão já estava explícito que ele venceria a batalha de um jeito ou de outro pois por ser o protagonista obviamente ele não morreria a não ser que ela mudasse de ideia durante a luta que foi algo que não foi demonstrado, e por isso não gostei tanto disso... ela ainda pareceu demonstrar de novo alguém mentalmente instável comparado com o que já tínhamos visto dela e descredibilizando parte da mudança que ela teve.
Depois ela dá um jeito de trapacear com seu irmão e se casar com outra pessoa que era de outra família e que faria ela poder continuar como carrasco especial daquela família, de forma bem criativa eu diria e que tem sentido, além de que ela pediu para ele esperar até que o seu cabelo crescesse mas era proposital pois aquilo era só uma peruca e é legal pois a gente não sabia por dentro da história se aqueles cabelos eram perucas ou não mas poucos momentos antes mostrou a Maria Antônia comentando sobre a peruca de uma das donzelas e isso acaba "antecipando" essa reviravolta indiretamente além de ter sentido pois na época realmente usavam perucas.
Ela se encontra com o Alain Bernard e podemos ver uma interação bem abrupta entre eles e que é construída de forma bem apressada, o seu passado com ele é colocado de forma conveniente para simpatizar com ele colocando um beijo de despedida na boca para tentar trazer mais impacto emocional, a gente vai vendo ela conectando o Alain com o Charles com receio de que ele possa se tornar que nem o seu irmão e tendo o momento da morte dele e ela se lamentando por isso, é algo feito em poucos capítulos que serve mais para criar uma continuação dela como protagonista motivada pelo Alain, e isso eu achei bem meh mas pelo menos pareceu deixar uma mudança na personagem que deixou ela mais "boa" pessoalmente em relação a sua mentalidade, pode ter melhorado bastante na continuação se bobear.
E essa é minha opinião da personagem, o fato dela ser encrenqueira é algo interessante mas pessoalmente não é o que eu mais gosto e sim o auto controle dela conforme a história, tem uns problemas para mi só que ainda é uma personagem boazinha. Alain Bernard

Entre os personagens secundários, ele é, na minha visão, o mais desperdiçado e aquele que tinha maior potencial. Não chega a prejudicar o enredo, mas sua participação acaba sendo superficial e apressada, como se suas ideias fossem apenas esboçadas. Ele até traz temas interessantes e reflexões que poderiam enriquecer bastante a narrativa, mas tudo é desenvolvido de forma rápida demais para realmente causar impacto.
No fim, é um personagem que considero interessante, mas que deixa um certo gosto amargo justamente por não ter sido melhor aproveitado. Fica a sensação de que havia muito mais a explorar ali, tanto em termos de filosofia quanto de relevância dentro da trama, o que torna sua execução um pouco frustrante.
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Ele aparece junto com um macaquinho ajudando uma garotinha pobre que tava precisando de comida, nisso mostra um pouco dele e eu até gostei bastante do design dele, logo depois já mostra ele vendo a Marie e se encontrando com ela no passado quando ela era mais nova, não temos noção de sua idade na época mas parecia bem mais velho que ela, tem um diálogo mostrando que a Marie não queria ter que dar a fita para os pobres e temos diálogos dele dizendo que o futuro das crianças vai ser moldada pelo laço, depois descobrimos que ele quer fazer uma escola e ele tinha viajado pelo exterior em busca de compreender o mundo, tudo isso sendo apresentado em poucos capítulos e com diálogos não tão sutis, teve até uma conversa entre os dois onde eles explica como que ele voltou para a França e é tudo compilado em só 1 página de exposição direta e sem nada que complemente as informações sendo só jogado em um diálogo, dá para ver o quão apressado o autor tá sendo para fazer a gente sentir empatia pelo personagem colocando todos os elementos que valorizem ele de forma rápida e pouco glamorosa, além disso ele é associado ao Charles de que a Marie tem receio de que ele possa se tornar que nem o seu irmão se tornou e mostrando um pouco de como ele está atualmente, essa associação de contraponto do Alain com o Charles é realmente algo que traria muito potencial ao personagem sendo o lado o oposto do Charles que queria seguir suas crenças mas foi corrompido na rota até ela enquanto o Alain que tinha TUDO para acabar se tornando alguém semelhante e de certa forma vingativo não se tornou isso, tem até isso dele querer lidar com as coisas de forma paziguada sem ter que matar diferente da Marie, o que mais me deixa incomodado é o fato de ter tanta abordagem interessante que poderia ser abordada e sendo colocado de forma tão curta na história e com ele morrendo em poucos capítulos depois, ele serviu mais como gancho para a Marie na continuação mas como personagem foi totalmente desperdiçado e de novo o autor tentou trazer um momento de conexão artificial dela beijando ele quando criança para sentirmos um apresso para a relação deles que mal foi trabalhada durante a história, ele meio que nos ajuda a perceber um pouco mais da mudança de jeito da protagonista comparado com o que conhecíamos antigamente dela, mas não é nada que sustente e acaba sendo uma construção barata genérica de outras obras que tentam trazer um final mais esperançoso e impactante além do que era proposto principalmente, personagem que tinha enorme potencial de conexões emocionais com a Marie, de conexão de contraponto com o Charles e de trazer maior impacto na morte de alguém injustiçado pela sociedade de novo, só que Robert foi muito melhor trabalhado mesmo também. Robert-François Damiens

No início, pensei que ele seria um personagem de aparição rápida, sem tanto destaque quanto o anterior, mas felizmente me enganei. Toda a caracterização dele me conquistou, e a forma como a obra constrói empatia é muito eficaz, tornando-o extremamente cativante. Seu momento de ápice está facilmente entre os três mais impactantes da história da obra, sendo realmente emocionante. Desde sua introdução, já havia indícios de que o autor poderia levá-lo por um caminho muito interessante — e, no fim, seguiu por uma direção ainda melhor do que eu imaginava. Ele transmite uma visão muito humana e admirável, e, para mim, é o melhor personagem secundário da obra.
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Quando teve sua aparição na igreja do Charles enquanto rezava já achei que depois dele ter recusado a ajuda do Charles para salvar o seu filho, logo depois ele teve que roubar para alimentar o seu filho e nisso já iríamos ver ele sendo executado pelo Charles como carrasco, pensei isso por causa da mudança de ambiente e por eu ter achado o cara que foi ser decapitado semelhante com o Robert, mesmo se fosse rápido dessa maneira eu ainda iria gostar muito, pois seria a ironia do destino, ele não aceitou o "pão" do carrasco que deu a oportunidade para ele, e isso o levou a ter que cometer um crime que fez ele ser decapitado pela pessoa que lhe deu oportunidade de lidar com a situação, mesmo ele fazendo isso pois ele não confiava nos ricos, ainda sim seria uma morte irônica pelo destino que entrelaçou eles, já seria melhor do que o personagem anterior que o Charles teve que decapitar pois os momentos que tiveram juntos pareceram muito antinaturais e não criou lá tanta empatia pela pessoa, nesse caso o simples já conseguiria funcionar.
Mas o que acontece é que o Robert entende melhor a benevolência do Charles e decide aceitar a ajuda dele, Charles o leva para casa e vemos que seu filho tem um tipo de doença de fará ele morrer em alguns dias, então o Charles dá a oportunidade de passar o tempo com eles até que ele morra e tenha pelo menos aproveitado a sua vida, Robert abalado com tudo isso aceita de bom agrado e respeita o Charles por dar essa oportunidade, só que o autor queria enfatizar o quanto que o Robert é alguém honroso e não quer tirar proveito dessa situação sem nada a devolver, eu acho isso legal para atribuir mais carisma nele por tomar decisões que ele nem precisava tomar.
Descobre que sua casa foi destruída e tudo isso abala a sua moral, ele começa a refletir sobre a diferença entre os Nobres e a Pebre, ele tipo ele nunca nem viu o Rei de fato sem ser pela moeda que tem o seu bolso e tinha curiosidade de saber sobre seu visual de fato, e isso é uma indireta do autor.
A Pebre tem noção da existência dos Nobres, só que eles não o compreende e os veem da mesma maneira como algum nobre fora da "realidade" tendo sangue azul pois o azul era visto como algo raro e nobre por causa dessa raridade, então eles tem noção dos Nobres mas a "visão" deles é fora das suas capacidades.
E na mesma maneira no diálogo dele ele destaca o fato de que os Nobres nem devem notar eles, só que eles tem a noção dos Pobres da mesma maneira que os Pobres tem noção dos Ricos só que a visão dos ricos sobre os Pobres é praticamente inexistente da mesma maneira que a do Pobres tem dos Ricos.
Representando que os dois tem uma divisão em que um não "consegue" ver o outro simbolicamente e sendo mostrado só em um diálogo dele e utilizando a moeda de referência, da mesma maneira que os Pobres devem ter percepção deles pelos itens mais luxuosos que são ás moedas, os Nobres devem ter noção dos pobres através das funções deles na safra, colheita etc, só que nem os Pobres conseguem colocar a "marca" deles enquanto os Nobres conseguem.
Depois disso a gente viu que o Jean pai do Charles veio até o sofá que o filho do Robert estava deitado segurando uma serra em suas mãos e com rosto macabro, nesse momento pensamos que é o que? pois ele já estava sendo alguém que tinha problemas mentais a certo ponto então fica ambíguo isso.
Com isso voltamos e descobrimos que o Robert tentou matar o Rei e por isso iria receber a pior punição possível por tudo isso, mesmo sofrendo tortura ele não abria a boca de forma alguma sobre o motivo de tentar matar o Rei, até que chegamos em sua execução, antes desse momento tem uma grande preparação do autor trazendo informações pelo Nicolas de que ele fez de tudo para deixar o mais brutal possível a morte dele e isso causa aquela ânsia de que tá muito errado, por qual motivo alguém tão bom quanto o Robert fez esse crime? e que a morte dele seria extremamente brutal de forma "injusta" de alguma forma, quando está indo até a plataforma de execução... Robert que até agora não queria gritar pois já pensou que tinha perdido TUDO que lhe restava solta o grito mais agonizante e alto que reverbera pela França... por qual motivo? seu filho estava vivo mesmo depois de meses daquele acontecido, isso faz o personagem decair na profunda lamentação e a coragem que ele tinha é abalada nesse momento... seu único motivo de querer morrer logo sem sentir frustração é porquê seu filho era o que lhe amparava da solidão e agora que ele tava aceitando sua morte ele descobre isso.
O pai do Charles que tinha cortado a perna de seu filho para que ele conseguisse impedir que a doença matasse ele de vez, era algo arriscado mas que ele decidiu tomar essa decisão, na minha interpretação o Charles não arriscaria dessa maneira por falta de coragem que tinha nessa época mesmo que ele de qualquer jeito tivesse só 3 dias de vida, o que eu achei estranho é que as duas pernas pareciam ter "necrosado" no joelho e ele só arrancou uma delas e já salvou a sua vida? isso achei meio estranho, a outra ainda iria parecer em mal estado de qualquer jeito.
Perante sua lamentação o seu filho nem pode ser o amparo emocional pro seu pai pois toda a França quer buscar a cabeça de qualquer pessoa que se envolva com ele, deixando mais melancólico e pesado, ele finalmente confessa que não queria matar o Rei e sim que ele só queria ver se ele sangra e o sangue dele seria azul, nesse momento percebe que os Nobres eram humanos que nem eles, nesse momento eu não acho que sustenta o crime que ele cometeu, mas por tudo que ele discutiu e falou com o Charles, é até confortável saber que ele não queria ser um assassino no final das contas, ele ainda tinha aquela parte mais "nobre" dele e por ele não buscar mais viver na minha interpretação que ele quis fazer isso mesmo já imaginando que seria morto por essa ação.
Ele fala com o Charles e aceita a sua punição, dessa vez ele não culpa e nem fica se lamentando ou botando o peso de sua morte no ombro do Charles algo que eu vi como bem nobre e respeitoso por parte dele, não é que nem o executado pelo Charles que olhou no fundo da alma dele de desprezo e sim um criminoso que compreendemos e sentimos empatia e que além disso não despreza o seu próprio carrasco, sua morte é longa e dolorosa com os cavalos demorando para arrancar seus membros, com as seus tendões sendo cortados para que finalmente pudessem arrancar seus membros e antes disso tudo tiveram que queimar sua mão que foi usada para "tentar" matar o seu rei, e mesmo assim ele disse "faz logo isso, não tem coragem?" mostrando mais um pouco da sua determinação, depois de 3 dos seus 4 membros serem arrancados ele finalmente morre com um sorriso em seu rosto sendo um contraponto ao criminoso que o Charles teve que matar e olhou de forma melancólica e agora era só um sorriso de satisfação, uma morte sofrida mas que ele aceitou... depois disso vêmos ele finalmente subindo aos céus e se livrando do peso, algo extremamente triste mas que trás um alívio pois depois de tudo ele pôde descansar em paz com Jesus, eu adorei esse personagem e tudo envolta dele eu gostei muito, eu acho ele o personagem mais consistente em qualidade do inicio até o fim no mesmo nível ou até acima do Charles em questão de simpatização por mim. Arte

Em relação à arte da obra como um todo, ela é extremamente bem executada. Mesmo quando parece tosca, isso se encaixa na proposta de retratar a época, reforçando tanto sua beleza quanto seu lado grotesco e sombrio. O desconforto é proposital e bem construído, trazendo uma beleza efêmera e inquietante. Além disso, a leitura é sólida, com bom controle dos elementos visuais, evitando que a experiência fique pesada.
Nas representações dos personagens, há um tom quase de cartoon dentro de uma estética realista, o que gera desconforto pelo exagero, presente tanto em nobres quanto em pobres. As roupas são muito detalhadas e fiéis à época, aumentando a imersão. Os rostos são limpos e os cabelos rígidos como perucas — o que de fato eram —, reforçando o aspecto teatral. Tudo é ao mesmo tempo belo e exagerado, e os contrastes e expressões intensificam o impacto das cenas.
As representações simbólicas vão do simples ao específico, sempre dentro da lógica histórica do século XVIII. Quando há referências ao “futuro”, elas são ambíguas e não ligadas a eventos concretos. O simbolismo muitas vezes vai além do explícito, exigindo interpretações mais profundas, às vezes até explicadas pelos pensamentos dos personagens. Isso torna a obra mais excêntrica e teatral, reforçando o impacto visual além do texto. Há continuidade dessa ideia vista em The Climber, aqui ainda mais exagerada. As referências históricas e científicas aumentam a imersão sem descaracterizar a obra, embora para alguns possa parecer apenas estética vazia, o que não considero o caso.
Sobre a leitura e os quadros, o autor alterna páginas com muito e pouco texto de forma bem controlada. Mesmo com complexidade visual, a leitura não se perde. Ele equilibra preto e branco para guiar o olhar e destacar o importante, usando também o contraste de forma narrativa. Em alguns momentos, o branco aparece após cenas muito pesadas como forma de alívio visual, quase simbólico. Mesmo em páginas complexas, as falas ajudam a guiar a compreensão.
Nas cenas de execução, há bastante variação visual para evitar repetição. Algumas são extremamente pesadas, com tons escuros e forte impacto brutal, enquanto outras assumem um tom mais “angelical”, sugerindo descanso após o sofrimento. Isso cria respiros para o leitor e impede que o tema fique repetitivo, mantendo impacto constante ao longo da obra.
O que me incomodou foi a semelhança entre alguns rostos, que em certos momentos causa confusão entre personagens. Também há exageros faciais e de cabelo que às vezes soam cômicos. Em alguns trechos, o detalhamento ficou difícil de perceber por conta da leitura em scan, já que sombras muito fortes podem ter ficado ainda mais escuras, prejudicando a experiência. Por isso, minha leitura provavelmente não refletiu totalmente a obra original.
Finalização

Tentei deixar o texto das partes sem spoilers o mais sucinto possível, enquanto na parte com spoilers eu reflito mais profundamente. Assim, para quem já leu, há mais conteúdo para aproveitar, enquanto para quem ainda não leu e quer evitar spoilers, o texto fica relativamente menor em comparação. Dessa forma, busco não desagradar tanto aqueles que não têm tanto interesse na obra a ponto de precisar ler um texto muito longo. Ainda assim, ele acabou ficando um pouco extenso, mas espero que tenham gostado.
Eu entendo certas críticas, mas na minha visão, muitas das que provavelmente surgiriam se devem mais ao fato de a obra ser bastante excêntrica e fora do convencional do que necessariamente por ser mal executada. Existem sim alguns elementos que podem ser considerados problemáticos ou mal desenvolvidos, mas, no geral, considero que a obra pende muito mais para o lado positivo em termos de qualidade do que para o negativo.