Uma obra verdadeira complexa que tenta dizer coisas interessantes e mensagens que em sua época, animes haviam se desprendido. A Sensação de estarmos nos perdendo em uma sociedade que nos força a se desprender do que verdadeiramente sentimos para viver a seu bel prazer. Apesar de uma forte mensagem, o anime não tenta te explicar isso nos detalhes, mas sim no famoso “mostre, não fale”, personagens vestindo seus respectivos temas e papéis apresentados, enganam o telespectador pela filosofia narrativa de que nada do que está acontecendo possa ser interpretado como literal, mas sim parte de uma ideia. Ideia essa que as vezes, infelizmente, o anime acaba falhando em passar, mas que não acaba sendo um empecilho que vá impedir o telespectador de assisti-la. Uma animação verdadeiramente brilhante com ideias fenomenais de direção em trabalho rítmico com uma trilha sonora empolgante e verdadeiramente “desconfortante”.
Seus personagens são incrivelmente bem escritos, trabalham bem nos seus respectivos papéis e nas suas ideias. Seguem os seus papéis e, principalmente, não contribuem para uma simples desconstrução de gênero e temática, mas também com seus diálogos humanos e bem escritos eles conseguem contribuir para uma boa passagem de tempo que, em minha perspectiva ao menos, nunca entrou no caminho do entendimento dessa obra. Muito pelo contrário, dentro de cada palavra deles, estavam parte de suas personalidades e ideais, sendo fiéis as suas criações e propósitos, quase como uma orquestra. Emendado a isso, a direção de câmera e os foques escolhidos pela direção para encaixá-los dentro de uma cena, são tão bem realizados e idealizados que tudo parece quase como uma peça de teatro feita para você consumir uma passagem de ideia, do que um anime propriamente dito.
Algumas cenas acabam não conseguindo ser tão bem executadas, quando entramos em quesitos de uma possível inserção de romance na história. Alguns personagens parecem que não foram tão bem dirigidos e escritos para comporem o que parece ser uma tentativa de romance para mim, decepcionando um pouco e as vezes se afastando da temática principal do anime, mas que felizmente, em momento nenhum acaba me afastando de sentir tudo que estava sendo passado. Apesar curtos desperdícios de escolhas narrativas sendo inseridos. Shin Sekai Yori prima em conseguir dizer com poucas palavras e muitas cenas a sua ideia, mas que no fim das contas, está aberto a inúmeras interpretações que possam contribuir para a sua principal. É definitivamente uma atenção e carinho a detalhes que eu não assistia desde animes como Berserk, para a sua época.
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