Inúmeros criadores quando estão idealizando suas obras aderem ao entretenimento do público como sua finalidade. Dentre esses, um erro é frequentemente evidenciado, o qual vai de frente contra as bases inventivas do artista, consequentemente, também, contra ao experiencial do espectador, a abdicação do refinamento. Little Witch Academia sabe disso, busca conjuntamente de sua objetivação lúdica construir uma identidade. Revitaliza a essência de uma animação há muito tempo perdida nessa indústria. Sustenta-se em bases criativas orientais e ocidentais, com ênfase a estrutura cômica, que possui grande afinidade com o outro lado do globo. Fazendo belo uso de humor físico e absurdista característico de animações ocidentais, com diversas referências a títulos consagrados no meio. No entanto, sem abandonar suas raízes nipônicas. Grande parte do mérito de sua comédia vai para o excelente trabalho de dublagem, as personagens são muito bem representadas, guiam o roteiro habilmente e com a flexibilidade de suas vozes impulsionam as punch lines. Com destaque a icônica Akko. Não menos importante, o trabalho sonoro exerce função crucial não só nesse aspecto, como também para as demais abordagens do anime. Ao longo da série um vasto repertório de OSTs é apresentado, muito bem utilizadas e arquitetadas. Em cada cena participando afincadamente para constituir a atmosfera e servir seu papel como um veículo intensificador. Outro diferencial é dado pela composição visual, salienta variedade e requinte nas técnicas utilizadas, desde o clássico uso de células pintadas a mão, ao marcante Gainax Style. Demonstrando sincronia com o trabalho de cores e o design de arte. Tratando-se da animação, não foi diferente, seu dinamismo proporcionou alta funcionalidade nas cenas de ação e comédia, concedendo mais uma nuance ao anime. Já a direção-geral, além dos pontos citados anteriormente, destaca-se por uma ótima síntese de ação, algo raro no âmbito, porém, característico de sua escola fundamental (Gainax). Empregando até mesmo um diretor de ação específico para determinados episódios. Ainda que, tal e qual sua produção visual, decaia em desempenho (obviamente, pois, já não é mais um filme ou um curta) diminuindo a extensão das complexas cenas de ação e fazendo maior uso de ângulos fechados nessas, deixando um gosto de “poderia ser superior”. Todavia, mantém a suma qualidade. Dentre seus tropeços, as maiores ressalvas vão à roteirização e caracterização das personagens. A narrativa é previsível, utiliza vários recursos clichês, contudo, o tropeço principal ocorre no desfecho da série, onde é dado muito foque a um posicionamento antiquado, repleto de reflexões genéricas. Inclusive, justamente no ato final, é que a caracterização maniqueísta excede os limites e torna-se um enorme problema. Mesmo que, no decorrer dos episódios tenham sido ofuscados pela autêntica objetivação da obra, tais defeitos sempre estiveram lá.
Em conclusão, LWA é o segundo grande passo de um estúdio com longos horizontes para serem explorados. Após elevar o Gainax Style ao seu auge em Kill la Kill, a Trigger funda sua própria identidade em Little Witch Academia. Algo autêntico e de muita essência. Um feito ambicioso para uma staff promissora.