
Kill la Kill
a review by user106549
7 years ago·Feb 10, 2019

a review by user106549
7 years ago·Feb 10, 2019
Se há alguém que possa ser considerado um autêntico herdeiro das técnicas de Osamu Dezaki, sem dúvidas seriam a Gainax e seus afluentes (Trigger). No próprio Gainax Style podemos evidenciar diversos dos métodos do diretor, que consecutivamente estão presentes em Kill la Kill, tais como:

Post Card Memories;

Feches Luminosos;

Stark lighting;

Kinestasis;
(sem exemplificação visual)
Ou mesmo na alta valorização de uma identidade estética;
Juntamente a tipografia, essas técnicas compõem excepcionais veículos visuais, impulsionando uma estilização marcante ao anime.
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Obs: não confundir “Gainax Style” com todo o legado do estúdio, como, também, com títulos que não abrangem essa marca criativa ( Evaneglion, Honneamise no Tsubasa…).
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Outras Influências
É interessante observar que Kill la KIll, assim como outras obras que vieram após a década de 80', fez largo uso de padrões criativos estabelecidos por Project A-Ko e Gunbuster. Sendo essa última uma herança da escola dos formadores do estúdio. Contudo, Project A-Ko apresenta fórmulas e interações de personagens muito semelhantes. Bem como o característico ludismo e ritmo rápido.
Trabalho de Câmera
Papel vital em todos os episódios. Explora com excelência os corpos através do cenário, utilizando-se de ótimas angulações, enquadramentos constantemente abertos e clássicos hero poses.

Trabalho de Som
Integrado por uma boa gama de OSTs, a música ganha grande destaque na série, atua como múltiplos veículos durante os episódios, sejam eles de intensificação ou caracterização. Profere essência as personagens e sempre está em sincronia com o sentimento vigente.
Sem dúvidas, um dos importantes componentes da identidade da obra.
Roteirização
O roteiro carece em renovação quando comparado a títulos anteriores dos mesmos autores. Reutiliza inúmeros artifícios e elementos de construção, como o próprio enredo, que assume uma postura semelhante. Igualmente às reviravoltas, mistérios, ganchos e métodos de tensão ou complicação. De tal forma que acabou tornando os acontecimentos previsíveis.
Contudo, não se pode aplicar o mesmo à predominante estilização que guia o roteiro, englobando utilizações de clichês e pontos absurdos. Pois, essa exerce papel fundamental no desempenho da obra e possui objetivo lúdico. O que leva ao tópico da suma performance.
A despeito de sua estrutura em si, o roteiro acaba sendo muito funcional, por conta de suas aliadas técnicas de composição visual e direção (geral e de som). Não há um foque em ser inovador, mas, sim, em construir algo altamente refinado, e nessa tarefa a obra se sai muito bem.
Ritmo
Um enredo de alta constância, com diversas informações percorrendo conjuntamente as cenas através de um ritmo rápido.
Essa abordagem auxiliou positivamente a compor a ação e manter a narrativa consistente. Entretanto, contribuiu negativamente a um "efeito de poluição", caracterizado por uma imparável enxurrada de conteúdo que prejudicou a digestão das cenas. É um veículo indispensável à direção, porém, que poderia ter sido melhor aplicado em determinados episódios.
Desconstrução de Temática
Kill la Kill traz consigo diversas temáticas saturadas de seu período, no entanto, de maneira satírica ou destorcida.
A escola é uma analogia a um regime ditatorial. Os corpos docentes e discentes são regidos por um sistema hierárquico de roupagem militar. Os clubes estudantis são como suas frotas. Seus membros são caricatos. E vários outros pontos do anime são sátiras com gêneros que permeiam esta temática.
Nuance
Nos episódios 09, 10 e 11 ocorrem algumas das lutas da Ryūko contra os 4 Grandes da Academia. Durante esse ocorrido, podemos notar com clareza as nuances do anime.

Uma conclusão óbvia que muitos personagens demoram a alcançar nessa clássica situação. No entanto, que, nessa cena, não funciona e tem finalidade cômica.
Essa é apenas uma pequena alteração, dentre outros inúmeros exemplos que poderiam ser citados, porém, que espelha a identidade do estúdio em aprimorar aquilo que se encontra desgastado. Kill la Kill utiliza um conjunto dessas nuances ao longo da série que permitem a construção de um diferencial.
Caracterização e Desenvolvimento de Personagem
Personagens enraizados em formulações convencionais e padrões da Gainax preenchem todo o cast do anime. Maniqueismo, unidimensionalidade, comportamentos previsíveis e arquétipos de ação e henshin todos esses podem ser encontrados aqui. Tal como, em seus desenvolvimentos, nada que fuja notoriamente das fórmulas convencionais.
Entretanto, o maior problema se localiza no fato de seus desenvolvimentos andarem em círculos até que possam prosseguir. Continuamente as personagens retornam a comportamentos ou problematizações já trespassados, para que apenas na reta final do anime eles sejam finalizados.
Humor
Opera majoritariamente através de um surrealismo caricato, fazendo uso de técnicas de deranged animation. Não obstante, também traz abordagens de humor físico em esdrúxulas movimentações das personagens e expressões grotescas.
Quanto a execução em si, de maneira perspicaz o anime explora sua temática excêntrica para conduzir as punch lines, tornando-as ainda mais inusitadas, e assim intensificando o fator base de sua estrutura cômica (a subversão da expectativa do público). Faz bom uso de seu frenético ritmo para conduzir a comédia, sem denigrir o timing. De mesmo modo, consegue se colocar adequadamente dentro da narrativa para quebre-la ou incrementa-la quando necessário.
Reflexão
A reflexão traz uma intrínseca dinâmica com o world build por meio do conceito do que são roupas e o que é a ausência delas. Inúmeros diálogos e analogias reflexivas ao decorrer dos episódios, unidas de extensões de definições do world build (como, a tesoura, os fios de vida e os nudistas) apoiam a grande estrutura que sustenta esse laço, fazendo-na ir além do simples ativismo/objetivação que abandona seu primor.
Moralidade Antiquada
Indo contra o ideal da obra de refinar clichês, nem todas as reflexões demonstram-se bem elaboradas, porções de vezes lições antiquadas sobre amizade e força de vontade surgem nas conversações apenas para prejudicá-las.
Conclusão
Kill la Kill eleva o Gainax Style a seu auge. Trabalha com o genérico, refina-o e vai adiante de suas barreiras temporais.
Demonstra-se um destaque em seu gêneros narrativos, de mesma forma que, quando contextualizado a sua época, prova-se igualmente notório em suas abordagens.
À parte de seus bobos tropeços, é, com certeza, um grande passo para um estúdio promissor.
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