Não temos aqui uma típica comédia em slice of life ou um neo-clássico moe de "garotas fofas fazendo coisas fofas". Temos uma obra ambiciosa e que veio para entrar para a história dos animes. Parafraseando Geoff do canal Mother's Basement, trata-se de uma história sobre "garotas fofas fazendo coisas incríveis".
As personagens principais são muitíssimo bem caracterizadas e bem desenvolvidas, sem exageros e forçações de barra, sem apelos extremos para ganhar sua simpatia e gerar empatia.
A primeira, Shirase - e que motiva toda a trama -, após perder sua mãe de forma trágica mas nunca desistir dos sonhos que dividia com ela, decide que o impossível não existe e traça um plano para chegar à Antártida. A segunda, Mari, que se junta a ela de forma abrupta, sempre quis fazer algo grande, diferente, sair da mesmice e aproveitar sua juventude da melhor maneira (aquele velho conceito de seisshun dos japoneses, né?); por acaso ela recupera um pacote que continha todo o dinheiro juntado pela Shirase por milênios e ao devolver, decide que estarão no mesmo barco. Mari percebe que Shirase venceu o bullying sofrido na escola por anos, ao que sempre era ridicularizada quando dizia que iria para a Antártida, convencendo a si mesma de que era possível e trazendo o sonho à realidade. Para ajudá-la com isso, precisa também trabalhar - e em um emprego de meio período para colegiais, acaba conhecendo Hinata, que depois de um tempo também se junta ao time, mas por razões bem diferentes. Com tudo pronto, as meninas se projetam e tentam convencer as responsáveis pela viagem Japão-Austrália-Antártida a levarem-nas consigo. Mas, claro, nada é tão simples assim e elas são obviamente rechaçadas. Nesse momento, voltam a se ver como crianças, pequenas, frágeis, fracas e impotentes. "Não, nós não podemos ir à Antártida só porque queremos muito e juntamos um dinheiro. Não é assim. Nunca foi. E nós sempre soubemos" é o pensamento que as coloca para baixo... por pouco tempo! Entra em cena a queridíssima pop-star mirim Shiraishi, que por acaso (mas nem tanto) ganhara o direito de viajar nessa mesma expedição que o trio tentava invadir rumo ao extremo pólo Sul. Ela não quer de jeito maneira ir nesse passeio maluco, mas sua mãe e empresária não quer abrir mão da oportunidade. Ela confere às três garotas, então, a missão de convencê-la. Papo vai, papo vem, com muita intriga no meio, finalmente todas estão prontas para serem treinadas e participarem da expedição. Em um dado momento, quando estão no barco, elas se dão conta do que realmente está acontecendo: "SOMOS APENAS MENINAS COLEGIAIS E ESTAMOS INDO EM UMA EXPEDIÇÃO PARA A ANTÁRTIDA JUNTO COM TODOS OS MAIS RENOMADOS CIENTISTAS E PESQUISADORES DO NOSSO PAÍS!" e a mágica começa.
A relação que desenvolvem ao longo dessa mágica jornada absurdamente e inegavelmente incrível é de chorar. Literalmente nos últimos episódios. E de chorar tanto a ponto de não conseguir prosseguir com a série até se recuperar do choque. Mas em momento algum choramos com elas por tristeza. Choramos por felicidade. Choramos por esperança. Choramos por ver um grupo de garotas que foram muito mais adultas que a esmagadora maioria da humanidade. Choramos por ver que quando acreditamos, queremos e planejamos, caso contemos com um pouquinho de sorte no enredo dos nossos destinos (risos), podemos ir a qualquer lugar, mesmo que seja O LUGAR MAIS LONGE DESSE UNIVERSO.
É uma das obras mais incríveis que já li e uma das melhores adaptações que tive o prazer de ver na minha vida. Colocando no bolo livros, mangás, comics, séries de televisão, animes, filmes e músicas, A Place Further Than The Universe fica no meu Top 50 Artes Que Mais Me Marcaram - se é que eu tenho um - sem dúvida alguma.
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