Uma interessante jornada de auto descobrimento, até descobrir que você é um merda. Eu sempre gostei do específico tema "culinária" e do uso dele na obra, além da boa caracterização dos personagens em cima de suas especialidades gourmet.
A erotização dos personagens é algo peculiar, pois é surpreendentemente justificável. O mangá é sobre culinária, os personagens se expressam através de seus pratos e a nudez pode representar "assertividade/eu entendi os seus sentimentos" para quem degusta (é apenas uma especulação, mas eu prefiro acreditar que ela tem algum fundamento e dar alguns pontos a obra por isto). O que eu quero dizer com isso é que os personagens são bem feitos e são interessantes, todo o conjunto deles é orgânico e eu sinto que eles têm um vínculo (principalmente os irmãos Aldini).
E quando os personagens colocam suas particularidades na mesa e cozinham algo, ao menos na maioria das vezes, é muito foda. As metáforas feitas nos Shokugekis são muito bem colocadas, dando a medida de dramatização certa para cada personagem, aumentando a atratividade.
Mas o mais fascinante é como a obra retrata da evolução do Souma. Por mais que ele aparente ser um Deus Ex-Machina que é invencível, o treinamento dele faz com que suas vitórias sejam ao menos um pouco mais críveis e impactantes, dando peso à mensagem da obra e às pessoas que o Souma motiva com tal superação. É algo clichê, mas é retratado de uma maneira direta e divertida.
Porém, por mais consistente e interessante que seja, dado certo momento da obra, todo seu brilho de perde. A "assertividade/eu entendi seus sentimentos" ficaram tão artificiais que não significam mais nada além de erotização desnecessária, as características dos personagens sequer condizem com a realidade de tão pretensiosas e o Souma vira um Deus Ex-Machina completo, dizendo sempre as coisas certas na hora certa e para a pessoa certa porque é conveniente à obra. Algo realmente doloroso foi ver toda a "vida" dos personagens se apagando. Lentamente, eles perderam não somente o tempo de tela, como também em alguns casos, o desenvolvimento foi completamente desfeito de uma maneira muito inorgânica para que haja uma catarse a ser resolvida.
Por mais bem feitos que sejam alguns elementos, o fim é a ideia, e o fim decidiu que nada disso significou algo, literalmente apagando boa parte das qualidades que o mangá teve. Lamentável.
O pior defeito de Shokugeki no Souma se chama "Azul".
21 out of 32 users liked this review