
a review by SrRogue

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Originalmente feito por Yoshitoshi Abe em forma de doujinshins, publicado de Agosto de 2001 a dezembro de 2003, sendo encerrado no terceiro volume da série, “Haibane Renmei” foi adaptado para o formato de anime enquanto ainda estava sendo publicado, este foi transformado em animação pelo estúdio Radix, e foi ao ar pela Tv Fuji no dia 10 de Outubro, 2002.
O anime apesar de ser bem falado é bem pouco conhecido pelo mainstream dos consumidores de animação japonesa, sendo então, um verdadeiro tesouro escondido com apenas 13 episódios de exibição. Ele é mais comentado e falado entre os “otakus” que se voltam a consumir as produções mais antigas, tais como: Neon Genesis Evangelion, Cowboy Bebop e Serial Experiments of Lain, este também criado pelo Yoshitoshi Abe em meados de 1998 e adaptado para anime no mesmo ano. Portando pode-se dizer que Haibane Renmei é um anime cult, pois ele se encontra em nicho de consumo onde geralmente, quem os consome pede por um anime mais complexo e de uma melhor produção no geral.
Como foi dito anteriormente, a animação que é chamada também por “Ailes Grises” tem apenas 13 episódios de exibição, o que apesar de ser curto fecha muito bem todo o anime, com inicio, meio e fim, tudo bem feito, não mexeria eu nisso, porém, tendo a pensar um pouco agora que o universo e as personagens poderiam ter sido expandidos e mais desenvolvidos, coisa a qual certamente deixaria a história muito melhor, mas isso seria um bônus ao meu ver, e não algum tipo de correção a qual eu faria, porquê o anime trabalha a história muito bem, ele nos entrega creio que o essencial, mas não o todo, há sim suas pontas soltas que deveriam ter sido respondidas, contudo, pode-se relevar, mas é algo que deveria ter sido trabalhado. Os cenários são muito bonitos, o clima de Ailes Grises é de reconforto, paz, e serenidade em um cenário rural no anime, outra coisa é a animação que deixa um pouco a desejar, é uma animação mediana/bom, se a animação deixou a desejar, trilha sonora e composição dela neste anime pode chamar de maravilha, pois tudo relacionado a este foi muito bem trabalhado e produzido, trilha sonora excelente que combina muito bem com a animação e fora muito bem utilizada, Kou Otani era o encarregado da parte musical na produção, o qual não só entregou um bom trabalho como foi além do esperado, os vocais e performances de Masumi Itou com Aki Hata são magníficos também.
A história divide-se em duas partes, a primeira começa no episódio 1 terminado no 6, onde primeiro apresenta o mundo, seus mistérios, personagens de maneira suave e calma. A segunda parte é onde está, talvez, a mensagem da obra. Tal parte volta-se ao psicológico das duas principais personagens: Rakka e Reki, sendo a segunda uma Haibane mais velha e a outra uma mais nova. “Haibane” é um termo dado a pessoas com aparência angelical, com asas e aréolas, as quais não se lembram de suas vidas passadas, somente tem sensações das coisas ao seu redor em relação a seu passado esquecido, no episódio 6 em questão acontece um evento inesperado chocando Rakka ao ponto de desenvolver-se nela uma depressão reativa, fazendo-a se fechar a todos em sua volta, mantendo-se em uma solidão e melancolia, devido ao evento chocante aliado a sua depressão, esta desenvolveu a “doença do pecado”, fazendo as asas ficarem negras, depois de alguns incidentes, a garota descobre estar perdida em um enigma chamado “Anel dos pecados”, uma espécie de fase onde a pessoa se encontra remoendo o seus erros do passado, chamados de “pecados” dentro da obra, somente após uma introspecção sobre seus erros com ajuda de um pássaro que representava o seu erro, contando também com ajuda de um ancião, que ajudou-a, libertou-se esta da sua doença pois a própria havia se imputado tal doença, e o único meio dela se libertar era se perdoando consigo mesma pelos seus “pecados” passados e somente assim podendo seguir com sua vida normalmente, isso remete a pessoas de nosso mundo as quais simplesmente não se perdoam por seus erros devidos em um passado longínquo ou recente, ruminando eles ao ponto de criarem uma cicatriz emocional e até problemas sociais. Agora se Rakka, teve uma ajuda e tinha dificuldades emocionais consideravelmente fáceis de resolver, Reki encontra-se em um polo totalmente diferente, desde o seu nascimento, a personagem nunca teve uma vida como Haibane muito fácil. Sua vida fora marcada desde sua concepção com a doença dos pecados, ainda criança, sofria discriminação de suas colegas por causas de suas asas negras, também era atormentada sempre por pesadelos ao dormir, somente Kuramori, sua professora ficava ao seu lado e posteriormente Nemu, sua amiga; Entretanto, ocorreu um evento o qual separou Kuramori de Reki, esta não compreendendo o fato ocorrido achou ter sido abandonada, com isso ela se aliou a um grupo perigoso e causou um incidente que culminou em uma punição para ela e um dos seus amigos, depois do fato ocorrido, a garota ainda abalada devido ao evento foi novamente rejeitada pelo grupo e mandada embora, voltando a sua antiga moradia. Com toda uma história muito conturbada e dificuldades desde de muito cedo, Reki devido a seus problemas emocionais e a partir de suas frustações em relações criou uma depressão Endógena, fazendo assim procurar se isolar de todos, criando uma profunda solidão e uma negação completa das suas emoções, atingindo uma completa e amarga desconfiança de todos ao seu redor, isolando a si mesma ao ponto de não querer a ajuda de ninguém ao seu redor, mesmo tendo uma extrema necessidade de ser ajudada. Já na fase adulta, ela ainda continuava tão machucada que ao final da série ainda se via presa ao “Anel dos pecados”, e só ia mergulhando em tamanha amargura e tristeza a qual procedeu em um ataque de fúria e raiva contra Rakka por sua inveja a ela por ter se livrado da doença dos pecados, contudo no clímax final da obra, a própria Reki já tendo desistido de sua vida, não encontrando mais uma saída recorreu em um grande pedido de socorro a Rakka, pedido esse determinante para a cura de sua doença, produzindo a tão sonhada libertação de seu ciclo de tristeza e solidão.
Haibane Renmei quer nos dizer e ensinar mostrando os exemplos de Rakka e Reki que, nunca, de nenhum modo devemos nos culpar incessantemente por erros de nosso passado, mas que devemos perdoar a nós mesmos para ir em frente, jamais se isolar devido a nossos problemas pois isso, como é mostrado na vida de Reki, em nenhum momento a ajudou, mas a prejudicou de tal forma que fez se isolar de todos a sua volta e acima de tudo: sempre confie nos outros ao seu redor, peça ajuda pois andar sozinho em nossas vidas é como decretar nossas mortes, pois como seres sociais iremos ter a necessidade de termos alguém ao nosso lado para nós ajudar e nunca devemos cometer os erro de achar-nos fortes o suficiente para ir contra nossas emoções, tal como Reki achou que o fosse, mas que devemos sempre contar com a ajuda e ter a confiança de sermos ajudado.
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