
# img25 (https://thumbs.gfycat.com/QuarrelsomeColdFossa.webp) Informações e Avisos img25 (https://thumbs.gfycat.com/QuarrelsomeColdFossa.webp)1.
Essa análise é focada no mangá de 1998 escrito e desenhado por Junji Ito.
A análise foi divida em duas partes. A primeira, é uma breve análise sem spoilers, realmente para quem não leu o mangá e ainda e tem interesse em ver algo livre de spoilers. A segunda parte conta com uma análise recheada de spoilers sobre a narrativa da obra.
3.
No final da análise, vou tecer alguns comentários sobre a futura adaptação para anime que, até o que tudo indica, saíra nesse ano de 2021.

#Introdução
"Uzumaki" é um mangá de 1998 escrito e desenhado por Junji Ito, uma lenda do terror japonês. O mangá foi publicado na lendária Big Comic Spirits, e é considerado uma das obras obrigatórias para quem pretender se aprofundar no terror japonês. A história é protagonizada por uma menina chamada "Kirie Goshima", que vive em uma pequena cidade que parece estar sendo amaldiçoada pela ESPIRAL. O mangá recebeu um filme Live action em 2000, que... bem... nós vamos falar sobre o mangá!


Para quem não leu e nem sequer conhece as obras de Junji Ito, saiba que ele é bem grotesco nas suas ilustrações e intenções. Ele é muito popular por suas ilustrações bizarras e criatividade para o nojento e perturbador. Em Uzumaki, vemos como a espiral amaldiçoa uma cidade, como as pessoas vão, gradualmente, enlouquecendo com os acontecimentos bizarros que entornam todo o lugar. Algo interessante sobre o mangá é a forma na qual Junji Ito mostra toda sua criatividade e inventividade. Ito mostra como pode trabalhar os milhares de espirais diferentes que temos no nosso dia e em diversas situações. Se você quer ler Uzumaki, saiba que Uzmaki é uma obra perturbadora, uma obra que o objetivo é o choque, é a tensão e o escatológico. Não tem muito o que falar, a obra é pequena, uma rápida leitura. Leia!
Inclusive, o Brasil tem uma edição SENSACIONAL publicada pela "Devir". É uma edição com TODOS os capítulos, feito com o maior carinho e respeito ao material original. A edição, pelo menos na Amazon, custa cerca de 100 reais, mas eu paguei 80 em uma das frequentes promoções do site. Na minha primeira vez, li pelas scans brasileiras, mas é sempre bom apoiar a indústria do Brasil, ainda mais quando fazem um trabalho tão incrível em um mangá não tão hypado assim aqui no país.

Enquanto lia a obra em um site de mangás, acho que o momento mais irritante era ler os comentários do capítulo. Era como se fosse um vício. Eu odiava aquela sessão de comentários, mas não conseguia ignorar aqueles minutos de raiva que eu tinha lendo eles.
O que mais me intrigava era a forma com que algumas pessoas falavam sobre a Kirie, personagem principal do Mangá. Xingamentos as atitudes dela eram as menores coisas, falando o quão idiota ela era e que deveria ter fugido da cidade desde sempre. Falando que a Kirie é uma péssima personagem principal e como ela era uma imbecil.
Eu sempre vi a Kirie como uma personagem sem opções, uma personagem que havia sido engolida pela loucura e pelo desespero que a cidade estava criando. Kirie não podia abandonar a cidade, ela era uma adolescente, tinha uma família que não acreditava nas coisas que ela contava para eles. Kirie não conseguia abandonar o namorado e a família, também não conseguia reagir a todo caos que estava se tornando tudo em volta. Ela contemplava as ações da espiral, estava inerte enquanto a cidade ruía e não ia embora porque não sabia o que fazer. Kirie faz um perfeito trabalho de alguém que apenas contempla o caos, que não tem outra opção.

#A Fórmula Episódica Prejudicou o Mangá?
Algumas pessoas falam que a forma episódica a obra de Junji Ito pode ter prejudicado o envolvimento com a narrativa, com os personagens e prejudicado o ritmo e o engajamento. Para ser sincero, eu encaro esse ritmo episódico como uma característica positiva da obra. Vejo esse formato como uma forma de escada, uma escalada da insanidade dos acontecimentos e de escalada do mistério que cercava o lugar. Penso que a forma episódica também serviu bem para o fim da obra, serviu bem para fomentar curiosidade e criar uma expectativa para a "resolução", a revelação de quem ou o que estava por trás das espirais.

#A Arte de Junji Ito e Silent Hills
Eu conheci Junji Ito em 2014, quando a demo do novo Silent Hill foi colocada na loja do PlayStation 4. Eu, sendo um gigantesco fã da franquia Silent Hill e também de Hideo Kojima (diretor desse novo projeto de Silent Hill), fiquei interessado em saber quem era Junji Ito, que estava trabalhando nesse novo jogo da franquia.
Ito é conhecido por suas ilustrações grotescas, conhecido por seus painéis bizarros e por sua veia de Horror Cósmico. Em Uzumaki, Junji Ito aplica com perfeição essa sua fama, nos entrega composições visuais de tirar o fôlego e de provocar calafrios. Junji ito consegue unir toda a criatividade em suas ilustrações, pegando todas as categorias de espirais possíveis. Ele vai de espirais de um redemoinho, espirais que temos no ouvido, espirais do processo de esculpir com argila a espirais da luz de um farol. E a forma na qual ele ilustra todas essas situações, é tudo muito bem pensando.

Um dos maiores valores da ilustração de Ito é o total desconforto que consegue passar. Você, muitas vezes, não quer continuar lendo. Não quer continuar encarando todo aquele horror. Muitas vezes, eu queria simplesmente não ler mais, mas não por conta de um descontentamento com a obra, mas por conta de uma total paranoia que Junji consegue exalar através de suas ilustrações.

#O Final e o Valor Da Dúvida
Para ser sincero, eu não sabia o que esperar do final de Uzumaki quando li pela primeira vez. Nos capítulos finais, quando vemos a cidade e tudo sendo completamente consumido pela espiral, eu não sabia o que poderia acontecer, não sabia como Ito iria resolver aquilo.
No fim das contas, a decisão de Ito foi perfeita. Ignorar as explicações, ignorar a falsa necessidade de explicar as coisas. Ito decide abraçar por completo o horror cósmico de Hp Lovecraft, aceitar por completo o desconhecido, aquilo que é maior que a compreensão. A espiral não é algo para ser explicado, não é feito por conceitos conhecidos pelos humanos. As páginas finais são a completa união de todos os conceitos e ideias trabalhadas durante todo o mangá: o desconhecido sobrepujando qualquer entendimento, engolindo por completo qualquer razão.
No site onde eu li o mangás, como já disse, a sessão de comentários era realmente um lugar peculiar. Eu entendo algumas pessoas ficarem confusas com o final, tentarem entender o que aconteceu. O que eu não entendo é a bizarra forma com que alguns pensam. Pensando que o final de uma obra tem a obrigação de entregar respostas, a obrigação de entregar algo "satisfatório", "reconfortante". A intensão de Ito era deixar as pessoas desconfortáveis, criar dúvidas que não tem respostas, incomodar com ilustrações, e pode ter certeza que ele cumpriu esse objetivo.

Rápidas considerações sobre o anime de 2021:Acredito que tem todo o potencial para ser bom, mesmo o histórico de adaptações do Ito não estar a favor. O trailer é realmente muito bom e as pessoas envolvidas são de grande competência. Acredito que Colin Stetson é uma sensacional ideia para a trilha sonora e realmente espero que o anime seja todo em preto e branco. Uzumaki foi feito para ser em preto e branco.
32 out of 34 users liked this review