
a review by Chizuo

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Platinum End é a nova empreitada da famosa dupla responsável por sucessos como Death Note e Bakuman., composta pelo roteirista Tsugumi Ohba e pelo desenhista Takeshi Obata.
Não obstante, o novo formato de serialização (mensal, o que não foi o caso nas duas séries anteriores) colaborou muito para que a arte de Obata atingisse um nível impressionante. Ilustrações belíssimas, com um aspecto visceral e bastante dinâmico, facilitando a fluidez da leitura.
A panelização também é um destaque a parte, pois é conduzida de forma orgânica e agradável aos olhos. O ritmo dos diálogos é constantemente modificado, à medida que seções de "paredes de diálogo" são continuamente trocadas por ilustrações sem qualquer texto, que falam por si.
A princípio, o conceito de "battle royale para decidir quem será o próximo Deus" soa pretensioso, mas também é típico do gênero em que se encontra. Com a facilidade que há em se criar um battle royale em 2021, necessita-se de uma proposta minimamente original, tal como é o caso de qualquer subgênero em ascensão, invariavelmente.
Entretanto, tenho dúvidas se a abordagem dos autores quanto ao fornecimento de respostas aos questionamentos fundamentais à existência humana foi acertada. Apesar de beirar o clichê, com pouca originalidade nas respostas, pairando o "cada um tem seu motivo para viver," ou então o antigo dilema da causa primeira, a resposta final de Platinum End possui em seu subtexto um sutil espaço vago, preparado para a subjetividade do leitor.
No âmbito da caracterização, possuímos os personagens mais fracos da dupla, de um modo geral. O protagonista é, simplesmente, entediante. Vestindo os trajes de mocinho justiceiro, ele falha em representar o compasso moral que se predispõe a ser, resultando em, no máximo, uma casca vazia de repetição superficial de valores generalistas.
Na verdade, os destaques vão para alguns antagonistas. O professor Yoneda, por exemplo, é um excelente personagem, apesar de, por vezes, representar uma espécia de amálgama do cientista clássico. Hajime e Mukaido também representam bem o esquleto principal do modelo de personagem que seguem, sendo o primeiro um recluso social que sofre com a aparência, más habilidades de socialização e um ambiente familiar conturbado, enquanto o segundo é o pai de família preocupado com o bem-estar de seus entes queridos, a despeito de uma circunstância fatal que o rodeia.
O mistério em Platinum End é a sua maior coluna de sustentação. O principal seria quanto à própria natureza de Deus e a qual dos candidatos se tornará Deus. Entretanto, os autores falham em construir momentos de suspenses de boa qualidade, mesmo com uma poderosa premissa em mãos.
No geral, Platinum End foi uma grata surpresa. Me entreteve com sua belíssima arte, ritmo e premissas interessantes, que, embora carecessem de respostas concretas, ainda providenciaram um bom divertimento. Seu maior pecado é em seus personagens, que servem mais como representações monotônicas de clichês da demografia seinen do que tudo.
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