Vivy Fluorite Eye's Song é um anime produzido pelo studio Wit¹ e criado por Tappei Nagatsuki e Eiji Umehara. O mesmo foi lançado do período entre 3 de abril até 19 de junho do ano de 2021. Posso dizer que Vivy é bem ousado em querer trabalhar um assunto impactante desse, assunto cujo a humanidade vem temendo após a grande Revolução Industrial. Embora o tema seja algo simples, toda a execução ocorre de forma bem fluída e calma, sempre prezando pela coerencia² e qualidade.
Os arcos de Vivy Fluorite Eye's Song
Todos os arcos de Vivy são de extrema importância, já que todos possuem sua abordagem de forma única. O arco do Aikawa mostra então como os humanos a principio enxergam toda a espécie artificial, o arco funciona muito bem pois aqui há perdões e gestos de empatia entre ambos os lados. O arco de Estella e Elizabeth traz com si toda a forma de como uma IA aprende a viver, de como são lhe ensinados os sentimentos humanos e as relações entre as interespécies, o arco da Estella é muito melancólico e isso é nítido quando citado a relação que elas aprendem as emoções até mesmo vendo mortes. - [...]"Humanos chorariam nessa hora não é mesmo?"[...], [...]"Pois vamos sorrir, Onee-san. Se não podermos chorar, ao menos temos que sorrir"[...] - O arco da Grace nos ensina da forma mais dura como é sim possível haver uma relação de emoções entre um humano e uma IA. Dr.Saeki quando criança, sem poder confiar em seus pais e até mesmo com a ausência deles, sempre rejeitou Grace, a mesma a qual ele cresceu e despertou grande afeto. É doloroso e contraditório ver como a relação deles avança. O arco da Ophelia aqui acaba servindo pra mostrar como a relação entre IA's funciona e suas consequências quando na vida de um humano. O mini-arco do clone da Elizabeth é um arco bem deprimente, mesmo que pequeno, ele aborda com si como pode funcionar o genuíno sentimento de amizade entre uma IA e um humano, não apenas uma amizade, mas uma amizade de muita consideração e afeto. O arco de Vivy como o arco de maior duração, o arco que mais aprofunda e o arco que conclui a história é sem dúvidas muito belo. Nele há duas divisões, pré-tragédia e pós-tragédia. O pré-tragédia traz com si grandes momentos de Vivy tentando então conhecer a seus próprios sentimentos e as emoções de forma precisa, tanto que a mesma levou algumas dezenas de anos para tal feito. O pré-tragédia pode ser considerado aqui a melhor parte do tal arco, já que o mesmo mostra com muita dor, melancolia e desespero uma Vivy cega por sua vontade. O pós-tragédia com seu impacto não muito forte, conclui toda a história e então nos mostra o desfecho de tudo com bastante ação, sofrimento e garra. No pós-tragédia Vivy agora se encontra ativa, determinada e cheia de si, coisa que faz um contraste enorme se comparado ao começo da obra.
Toak
A Toak é uma entidade que se refere a um conjunto de terroristas dispostos a aniquilar IA's e então tentar intervir no futuro do avanço das mesmas. Toak aqui aborda o pensamento ignorante e alternativo sobre IA's e humanos não conseguirem coexistir, muitos são os argumentos quando refletidos em tal pensamento. A obra vem em todo o seu conteúdo desenvolvendo o tal pensamento de forma indireta, o que em consequência nos causa grandes questionamentos. Toak em sua relação com Elizabeth faz um ótimo uso de afeto, Kakitani em meio a um de seus terrorismos decide fazer o uso de uma IA para um dos eventos da história. Isso é de extrema marcação em todo o histórico de Elizabeth, uma vez que considerada a irmã IA rejeitada, Elizabeth então em meio a inveja e dor, encontra seu propósito de vida se aliando com a Toak.
Matsumoto e sua aparição
Ao analisar o episódio 1 vemos uma direção muito interessante ao que se refere sobre a introdução de Matsumoto na vida de Vivy. Uma vez visto o Arquivo e tido a consciência que o mesmo representa não só a "consciência" de Vivy mas também como todo o seu interior, então, Matsumoto aparece sendo jogado pela janela, ao que dá a entender que o mesmo apenas invadiu a mente da mesma, ao que se referiria em um termo cibernético como hacking. A mesma analogia se confirma por Vivy em curto pensamento considerar ele um vírus e pedir para o Arquivo erradicar o mesmo. Há um contraste muito bom na relação dos dois, enquanto Vivy não é muito expressiva e fria, por outro lado Matsumoto tenta carregar com si todo o lado cômico e consistente da história. É natural que Vivy seja uma IA não muito emotiva, não muito divertida e nem muito fácil de se conversar em seu principio, já que a mesma é desenvolvida como a primeira IA autônoma. É possível dizer que Matsumoto em seu todo serve na finalidade de deixar Vivy em sã "consciência", coisa que fica muito mais notável na conclusão de toda a história.
A primeira atitude humana de Vivy
Já introduzida como uma IA sem sentimentos, Vivy por um impulso acaba salvando Kakitani no segundo episódio da obra, seja tal por um pensamento lógico e empático, ou apenas um impulso sem pensamento breve. A mesma arrisca sua vida pelo inimigo que estava a tentar matar a pessoa que ela queria proteger. Kakitani com seu pensamento distorcido e deturpado tenta matar Vivy até mesmo quando a mesma salvou sua vida.
[...] " Para nós, IA's, não se trata sobre o tempo que operamos. É como continuamos operando, não é? " [...]
É possível tirar deste pensamento toda uma reflexão de como viver. Vivy aqui mostra como pode soar toda a euforia e paixão perante o ato de viver, mas no caso de uma IA, não viver, e sim, operar. Vivy na situação, onde ardente em "emoção", questiona como uma IA do século sucessor não consegue compreender tal pensamento. Todo esse diálogo posto na cena que se ocorre funciona de uma forma muito bela, visto que há de ter uma trilha sonora marcante e a introdução de Kakitani (o qual aparece durante toda a obra) na mesma cena. Há de se discutir o motivo de Vivy fazer isso, mas ao que parece de seu intuito, é notável que Vivy não quer perder ninguém cujo potencial seja de futura plateia. Vivy a qual tem em sua missão fazer as pessoas felizes com sua canção, não quer aqui desperdiçar nenhuma vida. Embora seja esse o pensamento abordado no começo, é de percepção o quanto Vivy muda o seu pensamento, até mesmo optando por sacrificar tudo que ela tem em prol de não deixar ninguém morrer, já que, uma vez conhecido os sentimentos e as emoções humanas, Vivy aprende a dor e em partida valoriza tanto os humanos quanto a si mesmo.
Não evitar tragédias
Embora contraditório, mesmo que Vivy tenha sido enviada para salvar a humanidade, a mesma não pode desfazer certos acontecimentos históricos, o que por vez a causa muita dor, Vivy passa a ver pessoas queridas morrendo e a moldar o seu caráter de forma muito brusca. É de extrema dor e desespero imaginar viver em tal cenário, mesmo que a história não aprofunde muito o mesmo.
Coração
É deprimente ver como o pensamento da protagonista ocorre no começo da obra, com toda a sua missão, ela age de forma totalmente sólida e cega, descartando qualquer meio a sua disposição. Esse sentimento é muito peculiar, pois, até Navi que chega a ser um elemento importante da história, em seu começo com negação e um raciocínio curto diz que, por Vivy ainda ser uma IA, toda essa ação de cantar com o coração e as possíveis emoções chega a ser algo impossível.
[...] "Minha missão é de cantar com todo o coração. Então eu só tenho de imitar os humanos e..." [...]
Toda a história também tenta abordar e definir o verdadeiro significado de coração, visto que nem mesmo a ciência consegue definir o mesmo. É até cômico e peculiar observar que mesmo as IA's mais avançadas não conseguem responder ou refletir sobre o significado de coração.
[...] "Estella, o que significa fazer algo com o coração para você?" [...]
[...] "Talvez fazer os outros felizes. Por isso estou sempre sorrindo, sorrir faz parte do trabalho... Nossa! Uma IA falando sobre o coração, as pessoas ririam de mim" [...]
[...] "Eu não riria de você! Eu não riria de você, eu achei uma bela definição." [...]
Aqui vemos a dissemelhança entre os pensamentos de Vivy e Estella, enquanto Estella reflete sobre tal com um sorriso e com incerteza, Vivy leva tal de forma séria e dolorosa. Vivy aqui deixa transparecer um pouco de toda a sua incerteza e insegurança sobre a sua existência. É totalmente conveniente analisar o trecho acima, pois no mesmo vemos como funciona a discrepância entre as emoções de cada IA, também é possível
observar na mesma como as evoluções de cada IA na obra funcionam.
[...]"Ela ainda está cantando. Não tem como..."[...]
[...]"Diva! Acha que ela está consciente? Consegue ouvir isso na música? Por favor, responda. Pode ouvir isso na música?" [...]
[...]"É mesmo. Não é uma música."[...]
Esse trecho é de extrema importância e auxilia muito Vivy no entendimento do que pode ser considerado cantar com o coração.
[...] "Se quiser os fazer sorrir, devemos começar por nós mesmas." [...]
A importância de um propósito para uma IA
Como visto no arco da Grace, a missão que uma IA recebe é considerada por ela mesma, a sua própria alma, tendo em tese que a IA com seu objetivo faz de tudo para defender o mesmo. No arco da Grace isso é muito bem explicado, visto que a missão de Grace foi reescrita. Há de se considerar que isso é um elemento muito interessante na obra, pois em certo momento, Vivy, uma IA e guerreira, tende a lutar contra a sua própria missão.
O perdão de Vivy
[...] "Seria bom se os IA's apenas seguissem as ordens dos humanos. Você é só uma IA que canta! Você é a Diva!" [...]
[...] "Minha missão de vida é deixar humanos felizes através da música. E é por isso que quero que você viva." [...]
Vivy, uma entidade a qual deveria ser em seu caráter algo de absoluto não-emotivo e muito menos empático, então aqui passa todo um sentimento de empatia e perdão com extrema qualidade e pureza. A primeira atitude de empatia e perdão cometida pela mesma acontece já no segundo episódio, onde mesmo que protegendo um alvo, Vivy salva a vida do inimigo do alvo sem ao menos pensar. Vivy, uma IA que tinha a missão apenas de cantar, salvou alguém sem o sequer pensamento de preocupação e dúvida, ela apenas o fez. Embora óbvio, o sentimento aqui passa muita inocência e por cima de tudo uma empatia de nível desconhecido. O mesmo perdão então vem se repetindo com ela salvando o Kakitani mais algumas vezes, mesmo que o tal quisesse mata-la. O perdão de Vivy também acontece em ela perdoar o personagem responsável por transporta-la para outra singularidade sem permissão, é bem melancólico e bonito a forma como o perdão entre ela e o Dr.Osamu ocorre.
A coreografia de Vivy presente nas cenas de ação
Em um modo genérico e preguiçoso, há de considerar que grande parte dos animes de tal gênero utiliza da coreografia apenas para apresentações de palco, mas a coreografia aqui em Vivy aplica justamente essa dissemelhança, onde temos uma coreografia típica de movimentos para cada personagem. O contraste nasce no arco da Estella e da Elizabeth, onde cada personagem traz com si movimentos únicos e assimétricos. A coreografia como tudo da obra é um absurdo, onde em sincronia com a trilha sonora os passos se encaixam e ficam tudo em ótima harmonia.
A despedida de Diva
Após um surto emocional no arco de Grace, Vivy se perde em seus sentimentos e afunda em desespero. Esse trecho é muito bonito pois no mesmo é apresentado toda a sua luta interna. Também se é retratado que até mesmo IA's podem passar por traumas, e então Vivy agora perdida em dúvida e em insegurança aprende na força o que é cantar com todo o coração, aprende na força o que é desejar algo com toda a sua vontade e então reconhece a si mesma. A despedida a afeta de uma forma tão grande que faz com que o próximo evento inteiro seja em prol de Vivy reconhecer o que é cantar com todo o coração.
Consideração final
Em um todo, posso dizer que Vivy é uma grande lição sobre emoções e relações. A obra faz um bom conceito sobre humanidade, o qual quando relacionado ao conceito moral de humanidade de Kant pode ser bem complementado. "Assim, o conceito de humanidade está relacionado não a uma natureza humana, no sentido comum, mas a uma natureza racional, uma vez que o que garante o valor de fim em si mesmo a esta não é o fato de ser humana, mas de ser racional.". Como visto anteriormente, Vivy constantemente se julga e se pressiona para o entendimento da questão de cantar com suas emoções e vontades, mas esquece em si de como racionalizar e abordar a definição de suas emoções. Ao final de tudo, fica muito explicito e belo, Vivy então entende através de um pensamento doloroso, metódico e racional que para ela, cantar com todo o coração é colocar em sua intuição não todas as suas boas memórias mas sim também as memórias que a moldaram até o momento.
1 º Observação: Studio Wit foi o estúdio responsável por adaptar obras como Shingeki no Kyojin, Great Pretender, Vinland Saga, Owari no Seraph e Totsukuni no Shoujo.
2 º Observação: Quando eu digo de forma coerente eu digo que, mesmo não desenvolvendo tais no certo momento, coisas se encaixam em determinados pontos.
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