A primeira vez que assisti a GITS foi um turbilhão de emoções e pensamentos, eu já havia visto a personagem uma vez ou outra, mas só decidi vê-lo após saber de sua importância para indústria, e bom, não importa quantas vezes eu o assista, sempre serão uma hora e vinte minutos bem usados.
Tudo que esse filme representa é incomparável a qualquer outro que eu já tenha visto, desde a primeira cena em que temos Major no alto dos prédios até os seus créditos finais, sabe aquele filme ou anime que você pode passar horas falando todos os dias, porque as mensagens aqui debatidas são tamanhas que mal caberiam em uma crítica.
Motoko Kusanagi é uma personagem sem igual, todo seu dilema a respeito de sua existência e livre arbítrio são genuínos e identificáveis, quem nunca se sentiu preso ou escravo de algo maior que determina para onde iremos e o que fazemos? O debate em volta desse tema é feito com maestria, deixando qualquer pessoa refletindo por horas a respeito.
O que Ghost In The Shell faz é pegar em nossas mãos e nos jogar sem nenhum amparo naquele mundo, e por mais que estejamos perdidos com tanta informação em nossa frente, em nenhum momento o filme nos trata como incapazes de compreender, a única coisa que ele pede é nossa atenção e dedução.
E falando em mundo, que ambientação maravilhosa, as cidades apesar de evoluídas tecnologicamente ainda continuam rústicas, cheias de favelas e becos sujos, mostrando que mesmo com tanta evolução no campo da ciência e engenharia, o ser humano nunca deixará a miséria, principalmente envolvendo o cidadão comum, uma sociedade que mesmo bela e cheia de detalhes riquíssimos, é claustrofóbica e ameaçadora pelas suas multidões e falta de privacidade, o filme reservar bons minutos com sua ambientação é um acerto.
A animação é impecável, a cena da feira ao ar livre e do passeio de barco deixam isso bem claro, eu nunca vi um mundo tão vivo em uma animação quanto antes, e ainda não encontrei outro para comparar (além de sua sequência é claro), destaque também para o trabalho de iluminação fabuloso, bem visível a noite, com os painéis dos carros e luzes de prédios que iluminam a cidade.
A ambientação também se deve ao trabalho de Kenji Kawai na trilha sonora, uma vez que a ouçamos, não sairá de nossas cabeças, tanto com relação ao tema principal que traz um coral da música tradicional japonesa junto dos vocais tradicionais femininos da Bulgária, quanto a trilha indústrial suja porém suave.
Ghost In The Shell é sobre a busca do ser, a busca pelo livre arbítrio e tomar as rédeas da própria vida, navegar pelas possibilidades do mundo sem amarras ou vigilância.
“Quem nós somos? Somos quem dizemos ser ou estamos limitados a sermos o que achamos de nós mesmos? Talvez não tenhamos noção nenhuma do nosso próprio ser até que o encontremos e mostremos nossa verdadeira identidade a nós.” essa é a questão que fica em minha cabeça toda vez que revejo este filme. E claro que para os que não se importam tanto com a parte filosófica do anime, ainda assim é um filme de ação policial espetacular, que quanto mais revisto melhor fica, graças a sua riqueza de detalhes.
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