Antes mesmo dessa temporada ter sequer iniciado já sabíamos das dificuldades que a série estava tendo para encontrar um estúdio decente para animar, então fica aqui o meu agradecimento a Mappa e a todos os animadores que trabalharam nesse projeto correndo contra o tempo, ainda assim eu acredito que uma obra como Shingeki merece algo muito maior do que recebeu.
A animação de forma geral é decente, o estúdio decidiu seguir os traços do mangá ao invés daqueles deixados pela Wit o que convenientemente encaixa bem com a obra por conta do time skip que acontece desde o final da terceira temporada, as linhas de expressão fortes nos olhos dos personagens junto da carga dramática combina bem, contudo em certos momentos onde precisa de emoções mais variadas os personagens acabam não passando o sentimento que a obra quer demonstrar, gerando até mesmo piadas por parte do público em certos momentos.
Em cenas de batalha grandiosas o anime também tem seus altos e baixos, enquanto nas temporadas anteriores temos movimentos dinâmicos dos personagens voando pelo céu com seu equipamento aqui o estúdio resolveu ser um pouco mais concervador e mostrar apenas movimentos chave perdendo um pouco daquele brilho que tínhamos ao ver o uso do DMT. O foco então, ficou para os gigantes, mantendo uma animação decente enquanto lutam entre si, é claro que a percepção do 3D é nítida no momento em que ele aparece, porém o estúdio soube usá-lo de maneira decente nos combates noturnos e no primeiro episódio onde tiveram um tempo maior para trabalhar, o mesmo não pode ser dito quando essa técnica é usada nos episódios posteriores ou nos personagens humanos, onde em certos momentos se torna cômico.
A história tem propostas interessantes mas que poderiam ser melhor trabalhadas, o anime tenta a cada episódio desenvolver idéas como ciclo de ódio, escravidão, divida histórica e abuso de poder, porém a falta de profundidade os tornão assuntos vazios e sem peso, ao tentar desenvolve-lo através de perspectivas diferentes acaba fracassando ainda mais ao encher de conveniencias para que persongem X ou Y se sinta certo independente de tudo que contraria a sua perspectiva, isso é bem visivel no desenvolvimento dos personagens novos que apesar de terem seu carisma são muitas vezes tratados apenas como força para o roteiro bagunçado ter o minimo de sentido, o esforço para que o telespectador compre a ideia as vezes se torna tão grande que a maioria (para não dizer todos) dos personagens já estabelecidos agem como portas que não sabem o que pensar ou fazer diante as circunstancias.
A trilha sonora no geral é o que segura os momentos da trama, apesar de não retornar com Hiroyuki Sawano, o novo compositor Kohta Yamamoto não deixa a desejar com sua trilha dramática e em certos momentos assustadora, criando temas icônicos desde o primeiro episódio até o último, alguns se tornando tão memoráveis quanto os anteriores que são usados nessa temporada em momentos chave.
No geral a obra continua decente, porém caminha lentamente para um fim que pode ser confuso ou desagradavel, não por complexidade mas por qualidade, o que resta é aguardar o que será entregue na próxima parte da temporada, que felizmente terá um tempo maior para ser desenhada e colocada em animação!
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