
a review by DoktahGary

a review by DoktahGary
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E de fato, foi uma ótima decisão, afinal, vampiros enquanto criaturas passam longe de serem sequer relevantes nessa história. Ainda que nada inédito, Shuzo Oshimi faz um excelente trabalho em conformar um trope exaurido ao seu próprio estilo temático, trazendo por meio de constantes alegorias e multiplos protagonistas, um ar fresco e engajante a história.
Em Happines, as metaforas não são veladas, pelo contrario, são enfaticamente apresentadas ao leitor, se repetindo na trama de cada um dos personagens. Mas dentre os vários temas abrangidos, rebelião advinda da puberdade, diferentes manifestações do amor, viver pelo passado, parentesco e casualidades moldando o ser, o maior destaque vai para o questionamento do que essa recorrente "doença vampírica" representa?
A rejeição da sociedade. Seja por meio de uma exclusão imposta ou então descontamento voluntário com as regras sociais, as personagens da obra chegam a conclusão de que a normalidade é uma ilusão sustentada pela represão do âmago individualista, estão doentes e não conseguem mais se identificar com os "sãos".
Em meros 50 capitulos, Shuzo Oshimi sucede em direcionar o leitor aquilo que considera a felicidade, por mais que não à defina. Cada ser humano é, de sua propria maneira, uma minoria, e a única forma de encontrar sua felicidade individual é reconhecer suas mazelas e diferenças, não se contentar em se adequar.
Allgumas considerações finais alheias ao tema do mangá que merecem ser enaltecidas são relativas a arte do mangá, que é visualmente muito inventiva e charmosa, e também, a decisão do autor de em uma única historia, expor múltiplas facetas da psique humana, ainda que enfrentando a mesma situação, cada personagem tem sua propria reação, com uma verossimilhança construida sobre o parentesco, casualidades e relações previamente apresentadas.
No geral, acredito que Happines seja um mangá para todos, e provavavelmente a porta de entrada mais acessivel para leitura do Shuzo Oshimi , dado que mesmo sendo a obra com mais elementos surreais e fantásticos, foi a menos provocativa e "bizarra" dentre as que eu já li do autor.
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