
a review by Oliwa

a review by Oliwa

O que lhe acabei de contar é uma pequena sinopse do anime Princess Tutu, lançado em 2002 pelo estúdio Hal Film Maker, sendo uma obra criada por Ikuko Itoh, uma animadora, ilustradora e designer de personagens, conhecida também por ter trabalhado em Sailor Moon, e dirigido por Junichi Sato, que também foi diretor de Sailor Moon e que fez os storyboards de vários animes como o de Neon Genesis Evangelion.
Algo que pode causar certa confusão é a quantidade de episódios, pois em alguns sites mostra que o anime tem 38 eps com duração de 16 minutos cada, mas quando você vê o anime em si, ele tem somente 26 eps com duração de 23 minutos cada, isso se deve ao fato que na primeira exibição do anime os episódios era divididos em tempos menores, mas no lançamento em DVD de 2007 os episódios foram juntados e ficaram em uma duração padrão, assim ficando com 26 episódios.
Princess Tutu é uma obra que à primeira vista não chama tanta atenção e interesse, parecendo só mais um anime de garota mágica qualquer, mas quando você começa a assistir, se surpreende com uma história de drama e personagens envolventes, com uma temática metalinguística sobre desafiar o destino e criar seu próprio papel no mundo. E será meu trabalho tentar mostrar as qualidades dessa obra para quem não conhecia ou para quem já viu, por isso será uma análise sem spoilers, e me limitarei a falar somente sobre a primeira parte do anime (episódio 1 ao 13), também falarei sobre o mangá feito depois do anime e algumas curiosidades interessantes.
A Ahiru tem um pequeno amor por um garoto de cabelos brancos e olhar solitário Mytho, alguém gentil que não tem seus próprios sentimentos e não consegue tomar decisões sozinho, mas ele sempre anda acompanhado por outro garoto chamado Fakir, que de início a série mostra como uma pessoa fria, grossa e que não deixa o Mytho viver sozinho. Existe uma garota famosa na academia por ser uma talentosa dançarina chamada Rue, ela namora o Mytho, porém ele não sabe realmente o que sente e só segue as vontades dela.
Princess Tutu faz inúmeras referências ao mundo do balé e aos contos de fada clássicos, sendo as inspirações principais o “Lago dos Cisnes” e “O patinho feio”, o que dá um toque mágico à série, no começo de cada episódio a série fala sobre algum conto que será parecido com o caso do episódio.
Ao decorrer da série, a Ahiru se transformara em Princess Tutu para recuperar um dos fragmentos do coração do príncipe, Mytho, e assim ele vai tendo seus sentimentos de novo, mas esses sentimentos não são necessariamente só os bons, mas também outros como tristeza, solidão, medo etc, o que machuca o personagem em vários momentos, fazendo Ahiru questionar se o que ela está fazendo é realmente certo. O Fakir é alguém que é contra o Mytho recuperar os sentimentos no começo da série, fazendo coisas não tão legais para tentar impedir isso, pois na sua visão isso o machucaria, até o momento em que percebe que o Mytho quer sim ter seus sentimentos de volta, então Fakir reconhece seus erros, pois seu objetivo sempre foi proteger seu amigo.
Rue faz um pouco de amizade com a Ahiru no começo da série, ela mostra uma grande dependência emocional de Mytho, mas que começa a se abalar quando ele vai recuperando seus sentimentos e começa a se questionar se realmente a ama de verdade, ou se ama Princess Tutu. Quando essas coisas começam a acontecer, Rue consegue se lembrar de quem realmente é, e consegue se transformar em Princess Kraehe, "O Corvo”, e começar a tentar roubar os fragmentos de coração do príncipe. Esqueci de comentar, mas os vestidos de Tutu e Kraehe são baseados em Odette e Odile do Lago dos Cisnes.
Drosselmeyer é o autor morto de “O Príncipe e o corvo”, mas que mesmo assim continua tentando controlar a história e as pessoas da cidade para um final trágico, é ele em muitos momentos que incentiva os personagens a tomarem decisões importantes, e sempre que ele aparece o tempo da cidade para, o personagem também serve de narrador na maior parte do anime e seu nome é baseado em um personagem de O Quebra-Nozes.
Em certos momentos do anime aparece uma misteriosa vendedora de joias Edel, que sempre dá um conselho importante para a Ahiru, é revelado depois que ela é somente uma marionete de Drosselmeyer, mas que começa a ter afinidade por sentimentos humanos, no final da primeira parte ela se sacrifica e dá origem a outra personagem com capacidade de sentir emoções chamada Uzura.
A relação dos quatro personagens principais se torna bem interessante de se acompanhar, com a evolução e mudança de personagens, sendo o melhor exemplo disso o Fakir, que começa sendo odiável, mas que aprende com os erros, acaba se tornando meu personagem favorito da série, ele também constrói uma relação bem legal com a Ahiru com o passar do tempo. Cada um deles é obrigado a seguir papéis pré-determinados na história de Drosselmeyer, para que termine numa tragédia, a Princess Tutu no conto original, era só um personagem secundário que estava destinada a contar seus sentimentos ao príncipe e depois desaparecer, por isso o único que se encaixaria nesse papel “insignificante” seria um pato, e Fakir era para ser o cavaleiro inútil que não conseguia defender seu príncipe, porém os dois conseguem desafiar seu destino e superam eles à sua própria maneira.
Do final da primeira parte para a segunda, são introduzidos novos mistérios e personagens, como eu disse antes, me limitaria a falar da primeira parte como forma de evitar spoilers muito avançados da série, pois desejo que mais pessoas conheçam e aproveitem esse anime.
A partir de agora vamos tentar falar das diferenças entre o mangá e o anime, mas já posso resumir o que senti com o mangá como “fraco”. O mangá de 2 volumes com um total de 10 capítulos, foi lançado próximo ao anime, e por conta de ser menor, traz uma história condensada e com bastante alterações. É importante falar que não encontrei nenhuma tradução do mangá para o português brasileiro, nem oficial e nem por fãs.
Ahiru desta vez NÃO é um pato, e sim somente uma garota normal, que recebe o pingente que a transforma em Princess Tutu de uma misteriosa mulher dona de uma loja chamada Edel (sim, é o mesmo nome da personagem do anime, mas não tem nada a ver). As amigas da Ahiru são trocadas por outras duas personagens chamadas Mai e Yuma. Não existe o Drosselmeyer aqui, logo não existem mais as partes interessantes sobre seguir ou não um destino. A maioria das referências a contos de fadas que dava um tempero especial às coisas também é ignorada. Os acontecimentos são mais corridos por ter somente 10 capítulos.
Em geral o mangá me decepcionou, não adicionou nada realmente bom, na verdade, subtraiu os elementos da história, o transformando em algo mais “genérico”. Se eu tivesse conhecido Princess Tutu pelo mangá, com certeza não me despertaria tanto interesse quanto o anime, enfim, não recomendaria, mas talvez poderia dar uma olhada por ser um mangá pequeno.


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